segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Feliz 2016

 
 
 
 
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Este é um pequeno vídeo dos primeiros trabalhos aqui mostrados
 
 
 
Foi a 31 de dezembro de 2009 que começou este blog. O seu espírito é o mesmo: mostrar a minha pintura. Umas vezes me perco em considerandos de outras órbitas mas, fundamentalmente, é a exposição artística a razão maior para aqui continuar. Entre a palavra e a imagem, quase só conta a ilustração e, muito pouco, o pensamento expresso em palavras breves. A regularidade deveria ser um ponto de honra, mas questões pessoais me impedem de escrever. É sempre uma luta aparecer e mostrar algo de novo. A minha pintura hoje é muito demorada na sua execução. Os ditames políticos, sociais e até alguns artísticos pouco me aproximam, donde, quase que só quero mostrar como é o meu caminhar na arte das cores.
 
Para 2016 tenho programadas três exposições em Portugal e em 2017 três outras em bienais fora de portas. A ver vamos.
 
 
 
Neste fim de ano, para os resistentes que, aqui, espreitam este blog os meus votos de um novo ano cheio de oportunidades e de realizações plenas, na arte do belo viver, com a serenidade e o encontro com a paz e a harmonia. Feliz 2016.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras do escritor moçambicano Mia Couto que um dia disse in “Terra Sonâmbula”:
 
“A festa é a tristeza fazendo o pino. Nela a gente se comemora num futuro sonhado.”


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A oeste ainda há Natal

 
 
 
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Eu não tenho de ser politicamente correto. Gosto do Natal, do seu espírito, das tradições e da cultura inerente, das cores vibrantes, da música católica, dos espaços caracterizados pela época própria e, sobretudo, da esperança que a mensagem natalícia, ano após ano, transmite. Acho que é a súmula da cultura ocidental que, prezo, defendo e cultivo, me dá alento. Não gosto nada, agora, deste humilhado servilismo, por outras culturas e outras religiões, que não me deixam ver o que gosto de ver, nem falar o que gosto de dizer.
 

 
Cada um faz o seu caminho e aproveita, ou não, as oportunidades com a determinação e a capacidade de ir por aí. Uns desistem logo no início da corrida (tudo é competição); outros, pelo contrário, se deixam arrastar pelas piores razões e, outros ainda atingem o almejado. Há de tudo: gente feliz, mais os eternos descontentes. Dos fracos reza a história com letra pequena, e com garrafais recortes fica a memória por gerações de uns quantos outros. Tudo isto para dizer que vale a pena crer o querer. Quero continuar a fazer o que gosto: pintar. Pintar a mulher, que é a maravilha do olhar masculino, no encantamento e na magia da arte pictórica, sem o fundamentalismo castrador que hoje invade a Europa, com o beneplácito de muitos que deveriam saber conservar o que tanto custou a conquistar: a liberdade.
 
 
 
O Natal está a chegar. Aproveitem. Só há um em cada ano. E vale a pena comemorar, enquanto temos vida.
 
 
 
Recordo hoje as palavras de Anatole France, escritor francês nascido em 1844 e falecido em 1924, que um dia disse:
 
“É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.”
 
 
 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Recomeçar hoje e sempre

 
 
 

 
 
 
"Uniqua"
 
Pintura em execução: 1º dia.
 
 
 
 

 

Depois da pausa, é preciso recomeçar. É mais do mesmo neste mundo, no entanto, as guerras não acabam, os conflitos pessoais são comuns e as dúvidas eternas. Só me resta pintar, mesmo sabendo que se repete o caminho, porque tudo é, afinal, um palco de desavenças, de lutas intestinas e de interrogações sobre os valores e o objetivo supremo do existir. Agora sem ilusões, nem expectativas sublimadas, os dias arrastam-se na procura e sempre na procura, do outro lado, onde não estão presentes, aparentemente, os males de sempre. E, por isso pinto e pinto, sem que haja outro interesse senão o saber gostar do gostar de pintar. E isso me basta no preenchimento do tempo e do modo.

 

 

 

Tanto cantar e vozes sublimes; tanta escrita e contos fantásticos; tanta cinematografia e tanto imaginar; tanto de tanto e a arte repetindo as inquietações e dúvidas, com armas novas ou com os meios parcos, onde cada um procura ser singular, mesmo repetindo no tempo e no espaço as questões angustiantes de sempre. Um Picasso é único; a voz da Callas inconfundível; o Pessoa um oceano de luz e muitíssimos outros nos esmagam com a verdade e o pulsar. É neste quadro de imensidão que o meu trabalho se desenvolve, querendo abarcar as grandes questões do eu, no silêncio e no solitário caminhar, em que o recomeçar é uma constante e uma obrigação.

 

 

 

 

E, vos deixo com as palavras do escritor francês Valéry Larbaud, nascido em 1881 e falecido em 1957, que um dia disse:

 

 

“A arte é ainda a única forma suportável da vida; é o maior prazer, e o que se esgota menos depressa.”


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Janela Indiscreta

 
 
 
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Uma exposição de pintura é sempre uma janela aberta, indiscreta, sem dúvida. Está lá tudo: não são precisas palavras, nem sons, e nada fica oculto pela imaginação do querer descobrir, o que o artista tem para dizer, através dos caminhos da arte.
 
Para memória futura fiz este vídeo que é uma associação de obras com uma temática própria, definidora de um tempo e de um modo de olhar e ver o mundo. Se a frieza e o distanciamento silenciosos parecem caracterizar o meu viver, a pintura, acho eu, pelo contrário, traduz a verdade sem as máscaras e os trejeitos sociais. E há tanto para contar sobre a beleza e o encantamento, que nunca o tempo basta para o muito que outros querem conviver, mas porque só se vive uma vez e o tempo tem as regras que tem, os prazeres possíveis traduzem-se maioritariamente no apego às artes, que são o meu refúgio e alimento, que é, afinal, a tradução da simplicidade do viver, com a sensação que há um testemunho que ficará para vindouros, sem os vícios e defeitos mil do presente, mas apenas com o registo do que fica, que é o amor pela arte e pelas pessoas singelas, neste viver de janelas indiscretas.
 
 
E, porque se recorda, agora, os oitenta anos do falecimento de Fernando Pessoa, vos deixo com um poema, do “Livro do Desassossego”:
 
“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.”
  
 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fim da linha

 
 
 
 
 
 
 
 

João Alfaro, 2015
Prendas de Natal
 
 
 
O Natal está a chegar. Todos os anos esta quadra é um mar de esperança: uns convictos, outros nem tanto. Há que acreditar e continuar naquilo que nos move, mesmo que, aparentemente, tudo indique que o sonho acabou. De sonhares se fazem os dias e se constroem os desejos. Realizáveis ou não a vida passa. As memórias ficam. E do que me lembro é esta persistência em continuar, mesmo que por caminhos solitários e em túneis sem luz, mas eu sou assim: vou por aí, continuamente.
 
 
 
Mais uma exposição a acabar. O trabalho foi imenso. A entrega quase absoluta. O resultado: o costume. Não espero nada de novo. Em lado nenhum. Surpreso fico quando no marasmo chega a esperança e a luz dos meus olhos. Depois tudo fica igual ao mesmo de sempre. Amanhã é outro dia. Com mais memórias, alegrias e lembranças que o tempo não esquece. Por aquilo que não fui capaz me penitencio, mas a realidade é a possível e não a sonhada. Haverá, provavelmente, outras exposições, todavia o expectável é o habitual. Nada vai mudar, porque deixei de me mudar. É o fim da linha. Da minha, claro.
 
 
 
E, vos deixo com as palavras do escritor, autor, ensaísta, poeta e naturalista americano do século XIX Henry David Thoreau, que um dia disse:
 
 
 
“Se os homens se detivessem a observar apenas as realidades, e não se permitissem ser enganados, a vida, comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as histórias das Mil e Uma Noites.”


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

EXPOSIÇÃO PINTURA - MODELOS - JOÃO ALFARO





 
Os dias são negros, e outros mais se esperam. A próxima hecatombe é apenas um espaço de tempo. É dramático viver nesta angústia, neste desconfiar, neste medo. É o momento presente. A vida, contudo, continua entre os pingos da chuva. Amanhã logo se vê. E no meio da dor há o caminhar. Neste limbo que é só meu, me entrego num refúgio. Nada mais sei fazer. Talvez por isso mesmo prefiro cingir-me ao círculo ínfimo, e, esperar que nada de mau aconteça. Fantasias.
 
 
E é neste panorama de tristeza e inquietação que a rota dos eventos tem a sua marcha. Mais uma exposição agora em Alcanena, enquanto preparo uma outra para o próximo ano, mas até ao final do mês de novembro “Modelos” a quem quiser ver os meus mais recentes trabalhos.
 
E vos deixo com as palavras do escritor francês do século XX Antoine de Saint- Exupéry, que um dia disse:
 
“Sei que só há uma liberdade: a do pensamento.“

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mais uma exposição

 
 
 



 

 
 
“Modelos” exposição de pintura e desenho
Até 29 de novembro
Galeria Municipal Maria Lucília Moita, Alcanena
 
 
De novo mostro trabalhos recentes. É mais uma exposição onde procuro, como sempre, dar a conhecer momentos do meu percurso pictórico. Agora foi uma homenagem às pessoas que me acompanham, no feminino, realçando a beleza da mulher, como é tradição na cultura ocidental, que muito prezo e defendo.
 
As exposições são um ponto de encontro, também, de amigos e conhecidos, em que a arte é o mote e razão para mostrar quem é quem. Num momento de grande inquietação social, o que procuro criar é uma obra que realce o melhor que há em cada um na privacidade dos gestos simples e rotineiros dos dias, sem o outro lado do sofrimento, nem das dores que as teias envolventes cobrem uns e outros.
 
Com os muitos silêncios e olhares as minhas obras querem ser registos e interrogações de posturas, modos de ser e estar, num enquadramento onde o importante é a singularidade de cada um. Mas cabe a cada observador analisar de acordo com os propósitos que são pessoais. A mim, só me resta agradecer a todos os que se cruzam no meu caminho artístico e dizer: obrigado.
 
 
 
E vos deixo com as palavras ditas pelo padre António Vieira no século XVII:
 
O uso de ver tem fim com a vida, o apetite de ser visto não acaba com a morte.”
 


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Modelos

 
 
 

 
 
 
 


 
 
 
 
 

Mais uma exposição para dar continuidade ao desejo de mostrar, aos que me seguem, as últimas obras. Como sempre procuro singularizar cada evento, porque o espaço, o tempo e o propósito variam, donde, é fundamental, para mim, mostrar as múltiplas vertentes do meu trabalho.

 
 

 As circunstâncias do momento, o conhecimento do meio artístico, os  diferentes interesses que rodeiam os meandros da arte não deixam margem de dúvida, sobre o oportunismo de uns e de outros. O nosso tempo é bem definidor das conveniências e das motivações apelativas. As artes plásticas não são, por norma, galvanizadoras de eventos mundanos, exceto em circunstâncias especiais, que envolvem sempre gente de outras órbitas. Eu faço o meu caminho. E isso me basta.
 
 
 A partir de sábado um conjunto abrangente de retratos que, mais uma vez, é uma homenagem no feminino a algumas das pessoas que carinhosamente me serviram de modelos. A todas elas o meu muito obrigado.
 
 

 

 

E vos deixo com as palavras do poeta e diplomata francês  do século XX Saint-Jonh Perse que um dia disse:

 

“Os nossos caminhos são inumeráveis, mas incertas são as nossas estadias. “

 


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Rotina

 
 

 
 






 
 
 
João Alfaro, 2015
Desenhos sobre papel Canson
 
 
 
 
Quando o calor se vai chegam os dias cinzentos e a atmosfera do sentimento transforma-se. Gosto de ver pessoas e cores e movimento e vozes e desejos. E tantas outras coisas. Mas a chuva vem e tudo fica diferente: as pessoas fogem, o cinzento domina, e a solidão conquista espaço e tempo. Na rotina dos dias procuro sempre adquirir um brilho e, por isso, o meu trabalho pictórico é uma procura permanente, numa aliciante descoberta que me abraça na vontade de continuar crente em imaginários, enquanto a tormenta acontece, com o deixar de ir por aí ,e, ficar na rotina...
 
Mesmo que tudo seja igual, há o meu olhar que é só meu, e que procuro, através da pintura, deixar um registo da banalidade que é, também, encantador e sublime quando um homem olha para uma mulher e vê quanta é bela a presença feminina, nos gestos mais supérfluos do correr dos dias, nos momentos banais ou enfatizados.
 
Agora a preparar uma nova exposição em que a dominante temática é a representação feminina, sobretudo, através da expressividade  gestual nos episódios rotineiros que, relatam posturas íntimas do viver, e que eu transformo em pintura e em desenho.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras ditas no século XVII num sermão pelo padre António Vieira:
 
 
“Não há coisa tão preciosa, e tão útil, que continuada não enfade.”
 


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Tempo Contado

 
 
 
 
João Alfaro
 "Banho", 2015 ( em construção)
Desenho a grafite sobre papel canson 59x42 cm  
 
 
 
 
 
 
É um dado absoluto: o tempo está sempre a contar. Melhor dizendo: a descontar. Por outras palavras: a vida – a nossa – tem um tempo contado. Não se compra, nem se vende. Só teoricamente. Em vez de estar aqui forçado, se tenho outros proventos, posso usufruir de outras paisagens, de vivências aprazíveis, de paradisíacos desejos momentâneos. Isso é tempo. Consumido num gostar de estar. Mas não mais do que isso. A verdade temporal, por muito que doa, é um mistério da vida. É sempre curta, mesmo para aqueles que se arrastam. E são muitos. Mesmo sapientes da precaridade tudo gira como se fosse crescente e proveitoso o dia de amanhã. É a esperança no milagre da felicidade, no acreditar que vale a pena, mesmo que muito nebulosos sejam os caminhos, mas, felizmente que há este rasto de força interior para dar a volta e, seguir em frente à procura da paz, nem que ela seja, afinal, um conto mal contado, como o tempo.
 
 
 
Há tanto caminho e mais caminhar e, no entanto, o tempo tem um tempo. Ou se chega a tempo ou nunca se chega, porque o tempo é outro, de outros e não nosso. Só nosso. Prisioneiro me sinto, incapaz de estar em tanto lado. É tudo uma opção de vida com muito amor ou sem ele, talvez, porque o tempo é tempo contado.
 
 
E vos deixo com as palavras da romancista francesa, do século XX,  Anais Nin que um dia disse:
 
“O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor. “

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Se eu soubesse

 
 
 
 
 
 
 João Alfaro
“Marta IV”, 2015
Desenho a grafite sobre papel canson 59x42 cm
 
 
 
Vivo numa obsessão pictórica. Fora do meu ateliê sinto-me perdido. Longe vão os tempos do querer isto ou aquilo, projetar para o futuro, conceber ideais de felicidade e gostar de gostar. Agora tudo parece diferente. Sou outro. Quanto mais trabalho mais quero fazer, mesmo sabendo o destino previsível das peças que vou criando e, em simultâneo, ando sempre impaciente com tudo e com todos. É este vazio que o trabalho artístico compensa com tanta entrega, mesmo que tudo se desmorone. Se eu soubesse como ultrapassar este confronto entre os valores, a moral e o bem-estar era diferente, se a memória não fosse o que é. É pois este rol de inquietude que é anestesiado com o desejo frenético de criar continuamente, para que haja uma razão plausível e significativa do viver segundo um ideal. Os dias passam, a vida também, e, com ela, as muitas histórias com gente dentro.
 
A vida é fascinante porque tem tanto de belo para usufruir. Basta, por vezes, tão pouco para preencher e alegrar, e, se eu soubesse como fazer para viver mergulhado no encantatório dos prazeres tudo seria bem diferente, paradoxalmente o que eu pinto hoje, e de  que gosto tanto, não existiria, porque a arte é a expressão da verdade sentida.
 
 
 
E vos deixo com as palavras do escritor, poeta, dramaturgo e ensaísta irlandês do século XIX Oscar Wilde que um dia disse:
 
 
“As nossas tragédias são sempre de uma profunda banalidade para os outros.”


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quando eu gosto

 
 
 
 

 
 
 
 
Este blog começou por ser diário, como todos devem ser para cativar e mostrar consistentemente, mas, por razões temporais e logísticas, de diário passou a semanal e publicado inicialmente ao sábado, depois ao domingo e agora às segundas-feiras, exceto quando por razões excecionais ( como é o caso de hoje) é outro o dia para expor este meu olhar sobre, essencialmente, a minha pintura e um pouco de mim, confesso.
 
Para breve uma exposição onde o desenho é dominante, porque, querendo eu sempre, em cada mostra pictórica tornar específico o evento, e dando um cunho temático referencial, surgiu, por questões temporais, a necessidade de conceber um conjunto de trabalhos homenageando algumas das pessoas que me serviram de modelos e, considerando as características específicas do espaço e do público da galeria, pareceu-me adequado juntar pintura em tela e desenho em papel, para completar um olhar sobre o meu modo de trabalhar.
 
Na procura constante em estar envolvido em projetos vários, como modo de completar um sentido vivencial e um projeto de vida, a arte é dominante neste meu modo de estar aqui e agora. Gosto de gente e quando eu gosto, retrato muito, talvez por isso, agora, o meu interesse não seja a ilustração de objetos, nem de espaços citadinos, nem de paisagens, mas de gente de carne e osso que fazem ou fizeram parte do meu viver, porque, a arte só tem sentido e significância quando é um espelho de nós na sua globalidade, e, não um vazio cognitivo.
 
 
 
E, vos deixo com as palavras do escritor, poeta, dramaturgo e ensaísta Oscar Wilde que um dia disse:
 
“Todos nós, sem exceção, passamos a vida à procura do segredo da vida. Pois bem: o segredo da vida reside na arte. “


terça-feira, 29 de setembro de 2015

A vida de uma pessoa

 
 
 
 
 
 Barcelona, Caravela Gourmet, em Carrer de Manso 13
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Leiria, Teatro José Lúcio da Silva
 
 

Este é um blog sobre o meu trabalho: um olhar pelo percurso pictórico, onde a expressividade temática revela um modo de estar e sentir, que é apenas o vislumbre do verdadeiro eu, tão comum ao sentir dos mortais. Longe vão os tempos dos blogs: todos tinham algo a dizer, aqui, na net. Como acontece sempre, a vontade se esvai e, depressa o esgotamento dos dizeres e do querer continuar finaliza tanto contar, de coisa nenhuma. Mas eu não sou de desistir. Vou ficando. Comigo e com as minhas memórias.

 

Neste meu desconjuntado escrever, confesso que gosto de mostrar o que faço: pintura. As telas, os desenhos e quase tudo o que envolve o meu labor, por razões logísticas e comerciais não são vistas, in loco, pelo grande público (nas artes plásticas entende-se público como meras dezenas de pessoas), logo o melhor meio de chegar a tantos, pelas razões variadas é aqui. Nada mais simples que clicar para mostrar e dar a conhecer tanto empenho, mesmo que tudo seja um irrelevante egocentrismo, ou não fosse a arte um universo do eu.

 

Agora até com duas exposições em simultâneo, uma em Barcelona numa pequena amostra composta com 8 telas; e outra em Leiria numa retrospetiva dos últimos quinze anos com 44 pinturas. Os projetos inovadores e catalisadores são o meu viver, mas o que acontece é sempre mais do mesmo: o tempo não me chega para a fantasia nem para o sonho. Eu bem queria ser diferente, mais próximo, mais justo com os outros até, mas vivo neste limbo, que é razão para tanta entrega, que um dia – sei bem - tudo ficará reduzido a pó, ou não fosse a natureza humana um simples grão.

 

E vos deixo com as palavras de Gabriel Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano que um dia disse:

 

“ A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda…”

 

 

 
 


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Retrospetiva 2000-2015

 
 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
João Alfaro
Pintura
“Retrospetiva 2000-2015”
 
 
Agora, neste aproveitar o possível, com a mesma fantasia e a determinação de sempre, um novo projeto, que é apenas mais do mesmo, no circuito que me circunscreve. O pior é desistir, e isso não. Há quem tenha engenho e arte, mais o saber da utilização das leis mercantilistas, pelos caminhos certos do ir longe... mas eu não!
 
Há tanta gente que cria convictamente tanto de tanto e, no entanto, pouco impacto conseguem alcançar, neste leque de ofertas mil. Eu sou apenas um criador, que faz do momento criativo o melhor dos prazeres mundanos, num ilusório modo da significância do existir, como afirmação de valores que apenas se enquadram nos sentimentos do afeto.
 
Faço do meu trabalho uma ilustração do observado, do sentido e do vivido. Todas as obras pictóricas são retratos de gente real, uns próximos, outros resultantes de encontros esporádicos ou apenas de vislumbres momentâneos, ou não fosse a arte uma expressão da vida, em que alguns apenas são memórias ocultas, outros não.
 
Apaixonadamente os dias sucedem-se numa procura constante por linhas condutoras de novas ideias e descobertas salutares. Esta retrospetiva, que engloba parcelarmente obras dos últimos 15 anos, é um olhar temático sobre o melhor que há: o outro. Até 30 de outubro no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, com entrada livre das 18 às 22 horas.
 
 
E vos deixo com as palavras de Jorge Santayana, filósofo, poeta e ensaísta espanhol, que um dia disse:
 
“Um artista é um sonhador que consente em sonhar o mundo real.”


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Gente boa







 
 
João Alfaro
Desenhos, 2015
 
 
 
Há tanta gente boa. Uns perdidos e desencontrados, outros fantasiando, lutando e ainda crentes. Todos percorrem os dias numa encruzilhada de encontros e de despedidas. É, nesse olhar, que o meu caminhar me leva a querer retratar a dimensão humana, agora, sobretudo, o lado mais intimista, na serenidade e no recato, de uma vida em que tudo se resume a um sopro de ilusões e de algumas certezas.
 
A arte é o reflexo de um tempo que usa os meios e processos contemporâneos para se afirmar. A internet permite a globalização e o rápido comunicar de ideias, métodos e intenções, razão para tanto mostrar, passo a passo, o meu trabalho, aqui. Cabe ao artista dar ênfase ao idealizado e eu, neste ver martirizado da inquietação que cada um transporta consigo, quero mostrar que não há só tristeza, nem memórias nefastas, mas um outro lado dos silêncios que cada um tem e, que é um gostar da alma gémea, esteja ela onde estiver. É esse lado mais secreto que as poses e o olhar me atraem sempre que retrato alguém, porque é o desejo expresso de deslindar a singularidade de cada um.
 
 
 
E vos deixo com as palavras que um dia Gustave Flaubert, escritor francês do século XIX, disse:
 
“A arte é, de todas as mentiras, a que engana menos.”


terça-feira, 25 de agosto de 2015

E já passaram vinte anos

 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Daniela e Caty”, 2015
Desenho: pastel de óleo sobre papel Canson
 
 
 
 
Em 95 fui a Londres. Não resisti e entrei naquela loja. Em vez de adquirir as eternas peças turísticas que fazem parte das viagens, para mais tarde recordar, eu fiz o que é muito meu: sempre que vejo materiais de pintura não resisto. Compro e compro. Só não consigo consumir ao ritmo das aquisições. E tudo se vai acumulando: telas, pincéis sem fim, papéis, cartolinas, paletas, fitas, tudo, tudo. Agora, passados vinte anos, por artes mágicas encontrei a caixa de pastéis de óleo adquirida nessa viagem. Foi um outro modo de recordar um tempo e, de imediato, comecei a fazer uso da quase intacta caixinha das cores. Mais uma nova fase surgirá agora com a utilização deste específico meio riscador. E, transformado numa criança acabada de receber uma prenda, só me resta desenfreadamente trabalhar com as armas que tanto me fascinam. Eu sou assim.
 
 
 
Convidado para expor, brevemente, num espaço relativamente pequeno e, porque gosto que cada evento meu seja, sempre que possível, composto por pintura nunca antes mostrada publicamente, estou agora numa saudável azáfama para corresponder aos que em mim acreditam. Surge, por esta razão, uma exposição que será composta pelo retrato de algumas das pessoas que comigo colaboraram como modelos e que agora me cabe prestar uma homenagem, porque faço da minha pintura uma ilustração dos que me rodeiam. A mostrar em novembro.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Carlo Goldoni que um dia disse:
“Discutir gostos é tempo perdido; não é belo o que é belo, mas aquilo que agrada. “

 


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Dois anos depois

 
 
 
 
João Alfaro
"João"
Desenho, grafite sobre cartolina de 34x24 cm
 
 
 
 

“Não, não quero mais gostar de ninguém porque dói. Não suporto mais nenhuma morte de ninguém que me é caro. Meu mundo é feito de pessoas que são as minhas – e eu não posso perdê-las sem me perder.”
 
Clarica Lispector in “A Descoberta do Mundo“
 
 
Dois anos depois, entre as brumas da memória, há tanto para recordar; uns sem medo e outros definitivamente diferentes. Receosos e perdidos perante a fragilidade da vida, os que tanto presenciaram no centro do vulcão a tragédia humana, os dias sucedem-se, com os momentos banais e o querer encontrar distrações do pensar, porque só no devaneio se suporta a ausência. E nada mais resta senão compreender quem somos, donde viemos e para onde vamos. Pelo meio o mais desejado é o que nos faz mais mal: o amor.
 
 
 
E vos deixo com a voz de José Afonso e “Balada de Outono”.