segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O tempo está a acabar

 
 
 

 
 
 
João Alfaro
“À descoberta do nu”
Atrás das Artes
Rua Trás dos Muros
Torres Novas
 
 
Todos os dias acontecem dramas. Tragédias. Desgraças alheias. A vida continua, contudo, com as angústias e os desafios de cada um. Desfechos felizes ou eternas tristezas. Tudo é, afinal, a roda dos muitos caminhos de todos. Ora no sítio certo, ou, talvez, não…
 
É neste quadro de vivências que o tempo passa numa encruzilhada de procuras, que levam a bom porto ou a sítio nenhum. De tantos olhares ficam sempre presentes os que traduzem esperança e paixão. O resto pouco importa.
 
O círculo vicioso em que me envolvi é apenas aparência, porque nada acaba por ser o ambicionado. O sonhado ficou pela imaginação luzidia dos eventos artísticos. O tempo é cada vez menos e é preciso aproveitar o possível expondo, porque é necessário mostrar o trabalho pictórico, para que faça sentido tanta entrega e tanto amor. O que ontem era belo, hoje é ruindade, porque antes significava o paraíso encontrado, agora é a mágoa da perda, ou do engano. Dei tanto de mim, com prejuízo dos meus, pela busca pictórica que acabei nesta roda de caminho nenhum.
 
 
 
Agora em Torres Novas, num espaço magnífico, como sempre no vazio das almas a minha pintura está presente para os que a querem contemplar, nesta despedida expositiva, porque o tempo está a acabar.
 
 
E vos deixo hoje com as palavras de Virgílio Ferreira in “Vive o dia de hoje".
 
"...Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde..."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Fragmentos






 
 
 
 

Agora que os tempos são outros graças às novas tecnologias que mudaram comportamentos e atitudes, a realidade sentida passou a ser diferente. Ler um livro, saborear o cheiro das folhas, sentir a textura do papel e ter entre mãos um objeto, quantas vezes colecionável, é de um outro mundo: o passado. Podem muitos saudosistas lamentarem a queda vertiginosa da leitura tradicional, mas tudo muda. Também o processo de conhecer as palavras dos outros. Os poemas e os romances nos nossos dias têm um caminho diferente de chegar ao leitor. Melhor ou pior? Não sei. Sei que hoje leio quem nunca teria oportunidade de ser lido nos circuitos até então normais. E com a pintura acontece o mesmo.

 

Como pintor vivo igualmente de acordo com aquilo que tenho ao meu alcance. Fazia viagens longas e duradouras para ver a obra plástica de artistas que queria conhecer. Não me bastavam as informações dadas pelos livros, com as cores quantas vezes distorcidas, queria mais. Queria ver, in loco, as obras, e só assim me sentia pleno no observar, no contemplar. Mas hoje não. Vejo na internet este mundo e o outro. Vou a muita exposição virtual; faço passeios pelos museus que nunca irei conhecer no terreno; descubro gente fantástica que nem imaginava que existissem. Deixei-me levar pela comodidade da realidade atual dada pelas novas tecnologias, onde o tempo se mede em fragmentos.

 

Aproveito o que tenho para mostrar a muitos outros o que penso, faço e desejo ser. Nem sempre sou justo na avaliação; nem sempre digo o que devia dizer; nem sempre faço o possível. Mas aqui estou a desvendar algo de mim. Fragmentos do gostar.

 

Agora patente em Torres Novas mais uma exposição de pintura, onde o tema é o nu. Pretendo com esta temática, secular na cultura ocidental, mostrar a beleza feminina e o meu olhar. Aos que moram perto basta um saltinho e, num espaço acolhedor, belo, único, se pode observar toda a minúcia contida numa pincelada. Para os outros tenho procurado mostrar, tanto quanto possível, o que é “À descoberta do nu”. Até 16 de Março no Atrás das Artes.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Sófocles, poeta grego que viveu de 496 a 406 A. C. e que um dia disse:

 

“Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo.”

 

 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Para memória futura

 
 
 
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Exposição "À descoberta do nu" patente na Galeria Atrás das Artes, em Torres Novas
 

 
 
 
 
 
 
Quando as palavras não chegam, resta-me o silêncio.
 
Das histórias para contar ficam as memórias do que apraz repartir. Apenas momentos que o tempo apaga mas saborosamente vividos em instantes. Há outros contares que a pintura revela e que um dia talvez sejam traduzidos nas palavras certas. Por agora remeto-me à paixão da pintura, mesmo sabendo quão longe estou dos desejos que um dia acreditei alcançar.
 
 
 
 
E recordo hoje as palavras do escritor, poeta, dramaturgo e ensaísta Oscar Wilde, que um dia escreveu:
 
“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”


sábado, 6 de fevereiro de 2016

À descoberta do nu

 
 
 
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Três pequenos apontamentos da minha pintura, agora em exposição.
 
 
 
Hoje há muitos processos diferenciados de mostrar uma pintura, mas ao vivo a expressividade da obra ganha outra dimensão. Entre o mostrar só para alguns e o deixar ver para muitos mais, mesmo considerando as diferenças perante o olhar da realidade e o que se pode observar pela internet, fica a ilustração da proximidade.
 
Até 16 de Março, em Torres Novas, na Galeria Atrás das Artes.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

À descoberta




 
 
 
" À descoberta  do nu"
 
Exposição de Pintura
 
 
 
 
Atrás das Artes
Rua Trás os Muros
Torres Novas
 
 
 
 
 
É preciso mostrar, de vez em quando, o que fazemos e porque fazemos. Depois outros caminhares se encarregam de conduzir, ou não, a bom porto a exposição. Neste jogo de procuras o objetivo é o mesmo de sempre: chegar a muitos mais. Felizmente que a internet ampliou os espaços e permite hoje o acesso ao que se faz por esse mundo fora. Vivemos muito da imagem instantânea. Um simples clique e fica logo classificado tanto trabalho. A pintura é uma imagem. Basta um olhar fugidio para a adjetivar. Há, também, o fascínio pela presença, pelo frente a frente perante o real, pela verdadeira obra vista pelo olhar direto do observador, sem os filtros das novas tecnologias. Mas isso começa a ser apenas um desejo de uns poucos. Tudo muda. Agora é uma caixa, cada vez mais pequena ora chamada computador, tablet ou telemóvel que guia o sentido do prazer contemplativo. É mais cômodo e simples. De uma maneira e de outra vou mostrando o que faço. Agora até 16 de Março.
 
 
 
 
O que apresento nesta exposição é um olhar pela beleza feminina. Uma homenagem ao encanto; à serenidade; ao intimismo. O resto é descrito e acrescentado pela crítica do observador. Num tempo de conflito civilizacional, de costumes múltiplos, de inquietações sobre o futuro procuro, como sempre faço, manter o fio condutor da minha pintura: a figuração. É preciso dizer ao mundo quem somos e o que queremos. Numa linguagem pictórica, sem rancor, a minha paleta é um descrever.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras do padre António Vieira que viveu no século XVII:
 
“Sendo tão natural ao homem o desejo de ver, o apetite de ser visto é muito maior.“