João Alfaro
Desenhos, 2015
Há tanta gente boa. Uns perdidos
e desencontrados, outros fantasiando, lutando e ainda crentes. Todos percorrem
os dias numa encruzilhada de encontros e de despedidas. É, nesse olhar, que o
meu caminhar me leva a querer retratar a dimensão humana, agora, sobretudo, o
lado mais intimista, na serenidade e no recato, de uma vida em que tudo se
resume a um sopro de ilusões e de algumas certezas.
A arte é o reflexo de um tempo que
usa os meios e processos contemporâneos para se afirmar. A internet permite a
globalização e o rápido comunicar de ideias, métodos e intenções, razão para
tanto mostrar, passo a passo, o meu trabalho, aqui. Cabe ao artista dar ênfase
ao idealizado e eu, neste ver martirizado da inquietação que cada um transporta
consigo, quero mostrar que não há só tristeza, nem memórias nefastas, mas um
outro lado dos silêncios que cada um tem e, que é um gostar da alma gémea,
esteja ela onde estiver. É esse lado mais secreto que as poses e o olhar me
atraem sempre que retrato alguém, porque é o desejo expresso de deslindar a
singularidade de cada um.
E vos deixo com as palavras que
um dia Gustave Flaubert, escritor francês do século XIX, disse:
“A arte é, de todas as mentiras, a que engana menos.”
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