
Domingo é (era), por excelência, o dia do descanso semanal, hoje tão contrariado pelas exigências do chamado progresso que devora tudo e todos. É um fartote; são as bicicletas; são os atletas; são os carros que em filas indetermináveis esperam e desesperam para alcançar um metro de praia e contemplar o mar; são os automobilistas que levam a família pelos mesmos circuitos de sempre; são os namorados e os pais divorciados que enchem os jardins; são os centros comerciais a esgotar de gente; enfim, é o nosso tempo. Bem e mal vivido.
Seurat (1859-1891), pintor francês, deixou-nos uma obra que é hoje um símbolo da França, embora a grande tela, Domingo à tarde na Grande Jatte, (207,5 cm x 308 cm) seja hoje propriedade do Art Institute de Chicago e esteja bem longe dos olhares dos franceses. Esta tela retrata uma época onde a serenidade e a acalmia do Dia Santo era obrigatório. Outros tempos.
Esta tela, que pintei em tempos idos, de pequeno formato, retrata um domingo passado em Paris, cidade que tive o privilégio de visitar várias vezes, e que me encanta, sempre mais e mais.
E vos deixo com uma voz que adoro -Edith Piaf-, recorda-me Paris e as tardes de Domingo.