
O meu trabalho artístico tem um elemento formal constante. Não é a mancha, não é a luz, não é o tema, não é a cor, não é isto, nem aquilo. É a linha. A linha é o princípio e o fim. Começa com linhas e acaba com linhas. Começa quando desenho, e desenho sempre. Começo por desenhar tudo o que vou pintar e termino assinando o meu nome na parte da frente da tela, e também na parte de trás.
A composição é dominada pelo desenho mesmo que seja a cor, o tema, o enquadramento ou outro qualquer elemento a chamar a atenção. O desenho é a alma do meu trabalho e a linha a sua alma gémea.
Este desenho mais não é que a conjugação de linhas, quase todas com a mesma expressividade e espessura, que acabam por definir uma imagem tão comum aos pintores: caixa com tintas, pincéis e tela no cavalete. O número, que surge no desenho, nasceu de um diálogo que tive com um conhecido e já falecido galerista. E mais não digo. Segredos da minha pintura…