
Quando fui a Paris a primeira vez vi um lindíssimo carrossel. Este divertimento de feira esteve sempre presente nas minhas vivências. Quando era menino e moço, todos os anos, via extasiado a vinda dos feirantes; mais tarde, em terras de África, um carrossel - por falência do dono, segundo julgo saber, repousou anos a fio perto de minha casa. Depressa transformámos aquele local em ponto de encontro. Era ali que, quase diariamente, me reunia com os meus amigos, todos nós adolescentes em busca da maioridade. Por paradoxo e sem consciência eminente, o carrossel mais não era, mais não é, que a simbologia da artificialidade da selva, do bulício citadino e do desejo da alegoria do partir. Pois bem, foi esse despertar em Paris, que acompanhado das minhas recordações de criança, me fez regressar ao passado. Chegado a Portugal, depressa percorri as feiras, olhando o carrossel e daí surgiu a série das festas populares.
Viver primeiro, sentir depois e recordar para sempre.
Viver primeiro, sentir depois e recordar para sempre.
Esta aguarela tem como elemento principal (porque se situa ao centro e se destaca pela cor) um brinquedo que simboliza um carrossel e as restantes figuras representam as vidas … cinzentas.
E vos deixo com a voz de Piafh em “Sous le ciel de Paris