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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A selva



Vivemos na selva. Cada vez mais. E assim será, para sempre, porque andamos por aí levando as nossas culturas, os nossos sonhos e os nossos fundamentalismos. E pouco a pouco construímos a selva, as muitas selvas, cada vez maiores e aparentemente mais civilizadas, e, no entanto, tão próximas do abismo e do holocausto.

Esta aguarela é uma visão, que retrata o homem no tempo e no espaço, aqui graças à liberdade da criação que permite juntar dois mundos tão distantes e tão coexistentes.

E hoje recordo a entrevista de Maria Augusta Silva ao grande poeta António Gedeão que disse no livro "Poetas Visitados":

“ O homem de hoje faz tantas barbaridades como o das cavernas.”

E vos deixo com a poesia de António Gedeão na voz de Manuel Freire:

“ Pedra Filosofal.”



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Convicções




É tudo uma enorme confusão. Gente que comunga posturas e modos de agir e ser, que outros condenam e desesperam. As posições sobre como viver sempre foram sujeitas a observações e julgadas bem ou mal. E aqui continuamos, com a certeza dos Homens, que se traduz em mais força e não na força das ideias.

Esta aguarela, como todo o meu trabalho, é uma forma de comunicar. Quando as imagens não são suficientes, os meus cadernos esperam pelos meus desabafos. Histórias de um pintor.

E neste deambular lembrei-me de Henri Bergson que disse:

“ A vida é um caminho de sombras e luzes. O importante é que se saiba vitalizar as sombras e aproveitar as luzes.”

E vos deixo hoje com “ A Cavalgada das Valquírias” de Wagner, também ele com ideias muito impróprias e, no entanto, com uma música genial. Paradoxos dos Homens.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quimeras





Gostamos. Gostamos tanto de acreditar em quimeras. Quimeras onde as fantasias de sonhos encantadores nos transportam para um mundo onde tudo é belo, e as rosas não têm espinhos. Esse mundo fantasmagórico é fruto do desejo de sonhar acordado, longe de tudo e até da realidade. Pobres dos que sonham com as quimeras. E são tantos. Tantos mesmo. Infelizmente ou felizmente.

Esta aguarela é o retrato de um mundo de rosas sem espinhos onde as quimeras se transformam em realidade, só possível, aqui, na imaginação de um pintor.

E vos deixo com as palavras de Robert Musil: “ O que não sabe o que quer, deve saber pelo menos, o que querem os outros.”

domingo, 5 de julho de 2009

Jardim da Celeste





Houve um tempo em que adorava andar pelo bulício das multidões e da confusão das incertezas. Era a fase do descobrir e da aventura. Hoje tudo isso me confunde e me deixa desejoso de saborear, a tempo inteiro, o prazer do momento vivido na acalmia do espaço e das vivências. Como tudo muda. Como estou tão diferente. Eu sou outro, embora seja o mesmo.
Como pintor o que fiz é tudo tão diferente do que agora faço. Sou outro e outra é a minha pintura. A pintura do outro, eu mesmo, é a resposta possível para quem quer perceber o meu percurso pictórico. Eu sou assim.

“Jardim da Celeste” é uma aguarela que fiz enquadrada na temática dos ” Jardins Alados” e que me levou a apaixonar-me por esta técnica pictural (nada de surpreendente), porque gosto de desafios e de paixões.

Hoje lembrei-me de Oscar Wilde, escritor que descobri quando fui aluno nas Belas-Artes, e vos deixo com uma das suas frases emblemáticas retiradas do livro "O Retrato De Dorian Gray": - “O pensamento e a linguagem são para o artista instrumentos de arte.”