quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Férias




Significado de férias:

- É o despertador que não toca; é a acalmia dos actos; é a abundância do tempo; é o estar pelo estar; é a despreocupação das circunstâncias; é o não ter de fazer ou fazer; é o saber usufruir; é a liberdade do estar; é tanta coisa; é isto e aquilo, e mais isto e mais aquilo.


Este desenho é um dos muitos esboços que registo tudo o que me cerca, desde que tenha à mão um meio riscador e um suporte.


E, porque o tempo é de férias, vos deixo com a música argentina e o tango na voz de Carlos Gardel em Volver


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Praia




É o tempo próprio para falar da praia. Meio mundo anda por lá. Uns por tradição, outros por convicção e outros ainda sem saberem bem porquê. Eu gosto e não gosto da praia. Gosto do colorido, da alegria inerente, da liberdade das poses, do sabor do calor e do espaçamento do tempo que conduz à meditação, enquanto se olha para o mar. Não gosto do tempo perdido, dos gestos inúteis, da futilidade do estar quando nada se faz. Eu sou assim.

Esta aguarela retrata um modo de estar na libertária vivência do areal. Juntei, nesta imagem, também, um brinquedo representativo de um modo de viver em tempos idos. Histórias associadas à minha pintura…


E vos deixo com a voz de Tino Rossi cantando um tema tão próprio dos amores de Verão: "Besamo Mucho"…




terça-feira, 4 de agosto de 2009

Mar





Adoro o mar. O mar dá-me o prazer da diferença. É o movimento constante e desigual das ondas; é a luz que bate na água e deixa um espelho de cores; é o sentir a fronteira entre o solo seguro e as águas das incertezas; é o olhar a linha do horizonte e desejar descobrir outros mundos; é o cheiro da água salgada; é o cantar da passarada em busca do peixe; é as gentes da orla marítima; é o estar perante o mar; é o sentir o mar; é também as memórias que o mar me traz; é tanta coisa. Simplesmente adoro o mar.

Esta pintura, feita faz tempo, retrata um olhar o mar. Mais uma vez procurei sugerir um ambiente onde o espaço com profundidade prolonga visualmente os limites da tela. Histórias …da minha pintura.

E vos deixo com um excerto do poema O Homem e o Mar de Charles Baudelaire, in “ As Flores do Mal”:

“Homem livre, o oceano é um espelho fulgente
Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado,
Como em puro cristal, contemplas, retratado,
Teu íntimo sentir, teu coração ardente…”

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Caruso

Estar e não estar



Estar e não estar é dizer que viajamos no espaço e no tempo, sem sair donde estamos vivendo muitas vidas no mesmo instante. Felizmente. Como é bom vencer as barreiras imaginárias das fronteiras físicas e percorrer o mundo em cenários fantasmagóricos. Como é bom prolongar o sonho das tardes de Verão nas invernias de Inverno. Como é bom alterar tudo e passar de um contexto agreste para um bucólico viver imaginativo. Como é bom estar e não estar.


Esta imagem tem uma aguarela cujo tema é o Verão.

E termino com um excerto do poema de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa)” Passagem das Horas”:

“Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através das janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero…”

domingo, 2 de agosto de 2009

Sonhos de Verão





É Verão. É o tempo de sonhar com as viagens que gostaríamos de fazer e que nunca se concretizarão. É o tempo de sonhar com cavalgadas por caminhos que não existem. É o tempo de olhar o mar e pensar em sonhos que são isso mesmo: sonhos. Só sonhos. Somente sonhos. Sonhos de Verão. E, quando o Verão acabar, acabam esses sonhos: os sonhos de Verão. E com ele os pensamentos dos amores desejados e eternamente perdidos. Pobres sonhos de Verão.

Esta aguarela acompanhada de um brinquedo de lata completam os “Sonhos de Verão”.

E vos deixo com um excerto de um poema de Paul Verlaine, in “Melancolia”:

O Meu Sonho Habitual

"Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante
Com uma desconhecida, que amo e que me ama
E que, de cada vez, nunca é a mesma
Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende…”

sábado, 1 de agosto de 2009

Uns e outros



Chegaram as férias. Uns irão à descoberta de novos mundos; outros para os sítios do costume. Uns em busca do elixir da felicidade; outros resignados ou satisfeitos com a sorte repetem os mesmos lugares, os mesmos rituais estivais. Uns procurando encontrar em terra alheia o fascínio pelo exótico; outros saboreando mais uma vez o usual. Quer uns, quer outros desejam viver momentos diferentes, longe das angústias e das trivialidades do viver. E assim se vive. Uns e outros.

Esta pintura de pequenas dimensões é um retrato da praia e das gentes usufruindo ou sonhando com os prazeres de Verão.

E vos deixo com o poema de António Boto, in ´Canções`:
“Eu hontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.
Chorámos, rimos, cantámos,
Fallou-me do seu destino,
Do seu fado…”