terça-feira, 28 de março de 2017

Lembrado ou, talvez, não













Não há fome que não dê em fartura, como diz o ditado popular. Tenho fases de muita exposição pública e depois um recolhimento. Sou assim: não gosto de estar muito presente. Cultivo o silêncio e o parco convívio. Não sei como é possível estar em tanto lado ao mesmo tempo e apresentar obra. Eu vejo-me grego para fazer o que tanto gosto. O tempo nunca me chega, por muito espartano que seja, na gestão horária. Os dias correm demasiado depressa. As manhãs voam e eu começo bem cedo ( para aproveitar a luz do dia) a trabalhar na arte das cores. E a vida passa, num ápice, entre as tintas, os sonhos e, as angústias. E é já no domingo que encerra a exposição na Levada, em Tomar, “13 Luas”.




 Acaba a primeira de muitas ( espero eu) exposições de artes plásticas naquele espaço onde se mistura o passado industrial com a arte moderna, em que uns são mais modernos que outros, mas todos, mesmo todos, querendo mostrar que a vida artística está bem viva e recomenda-se. Para o próximo ano há mais, segundo promessa da edilidade e, até lá, é preciso ir trabalhando para que a inovação surja e novas ideias pictóricas se tornem realidade, porque só com dedicação constante e muita entrega se descobrem novos caminhos e, é só na procura persistente do belo  que se alcança o imaginário e os dias sorriem, tudo isto para que faça algum sentido a nossa existência e talvez lembrança pelos vindouros, embora o que conta mesmo é o instante.






E vos deixo com as palavras do poeta Teixeira de Pascoaes que um dia disse:



“Existir não é pensar: é ser lembrado.”

terça-feira, 21 de março de 2017

Aqui e agora

















Num espaço inovador mistura-se a arquitectura industrial e os equipamentos das máquinas que, em tempos idos, transformaram cereais em farinha, com arte contemporânea.  São muitas as pessoas que revisitam o espaço em busca, sobretudo, de memórias do passado, em que o operariado era o motor da economia, embora débil e periclitante.


E é com visitantes conhecedores deste local que na Levada, em Tomar, a exposição “13 Luas”, albergando obras de dez artistas mostra, neste primeiro ano - o projeto é para anualmente realizar-se uma exposição -, um conjunto heterogéneo de obras, com o propósito único de criar um elo entre os artistas, numa relação em que a arte se mostra em locais aparentemente caóticos, com outros públicos e novos interesses.


Os artistas devem congregar-se em projetos para que estejam sempre envolvidos em novas iniciativas, para que faça algum sentido tanta criação constante de obras, que são, afinal, o retrato de um tempo, em que se pretende ilustrar a motivação e o fascínio que é conceber um produto de interesse, quantas vezes...duvidoso.






E vos deixo com as palavras do filósofo/sociólogo e músico Theodore Adorno que um dia disse:



“A tarefa actual da arte é introduzir o caos na ordem.”




segunda-feira, 13 de março de 2017

Dias cheios




























Enquanto não vem a tempestade, é preciso aproveitar o tempo e usufruir do bom que a precariedade da vida nos dá. Tantos eventos, uns a seguir aos outros, numa busca constante para lutar contra a escassez que bate à porta no cronómetro do viver. É a exposição colectiva de Tomar que está patente até ao final do mês na Levada; é o almoço com música do sertão nordestino em que o convívio é o mais importante; é o passeio pela capital do norte descobrindo pedaços do passado; é o renascer dos contactos culturais onde as artes plásticas dominam por excelência; é o reencontro com artistas e suas gentes. Dias cheios, sem dúvida.








E vos deixo com as palavras do poeta, ensaísta e crítico francês Paul Valéry, que um dia disse:





“As coisas a propósito das quais encontramos mais depressa as mais justas e vigorosas palavras, são certamente aquelas que estamos vocacionados para fazer ou para aprofundar.”


segunda-feira, 6 de março de 2017

Colectiva



















Com muita gente, na inauguração, mais uma exposição para recordar. Confesso que estou um pouco cansado de mostrar individualmente o meu trabalho pictórico. Quando se trabalha em grupo há vantagens consideráveis e, como sempre, algum desconforto, porque acertar ideias e atitudes convergentes não é para todos, e há sempre quem queira ser diferente, quando o princípio maior seria a paridade. O que se deseja num qualquer grupo é que ele funcione e se galvanize para bem de todos, no entanto, nunca é fácil, pode ser que resulte desta feita. A ver vamos.



Uma exposição colectiva coloca em comparação os trabalhos de uns e de outros, mesmo que não haja um fio condutor, nem um propósito estético convergente, como é o caso destes dez artistas integrantes do grupo “13 Luas”, mas quando colocados lado a lado e no mesmo espaço expositivo as comparações são inevitáveis, o que é sempre bom, perante as diferentes sensibilidades, percursos e objectivos.



O espaço onde está patente esta exposição merece uma chamada de atenção pela singularidade do edifício e da sua história. Recuperado, quase na sua totalidade, bem no centro da cidade de Tomar, é agora um museu industrial aberto, também, a exposições várias, para que haja um intercâmbio entre o passado definido pela maquinaria que se deseja preservar para memória futura, e, a modernidade com os eventos artísticos geradores de visitas continuadas. Olhar cada máquina que o pó cobre e a ferrugem ameaça, entrelaçada com arte contemporânea, é ver dois tempos e dois mundos tão diferentes, distantes e agora articulados, apenas porque é preciso saber valorizar o trabalho quer ele seja obra de uns ou de outros.







E vos deixo com as palavras do escritor russo Máximo Gorky que um dia disse, in Os Subterrâneos”:



“Quando o trabalho é um prazer, a vida é bela! Mas quando nos é imposto, a vida é uma escravatura.”


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

13 Luas











Vou, já nesta quarta-feira, participar numa nova exposição de pintura com seis trabalhos recentes, na cidade de Tomar, e integrado no grupo 13 Luas. É uma colectiva de escultores e pintores, unidos apenas pela proximidade geográfica, sem um conteúdo estético comum, nem propósitos artísticos semelhantes. Pessoas de diferentes formações, de idades desiguais, com objetivos artísticos díspares, mas que a distância uniu. Uns escassos 30 quilómetros separam uns dos outros e foi a proximidade que fez nascer este grupo, para que haja também um caminhar conjunto, onde os trabalhos de uns se articulem com as obras de outros e, as exposições se sucedam num caminhar não solitário, como é norma, mas com muitos mais.





As exposições de artes plásticas são em regra, quase sempre, eventos com poucas pessoas, mesmo nas galerias mais conceituadas, porque as características e os propósitos são apenas, para um nicho de interessados e, se o artista tem poucos amigos ou não é um nome apelativo, quase ninguém vê, porque, diga-se, as exposições são muitas, e um pouco por todo o lado, até em locais isolados, em povoados com pouca gente. Quando se percorre a Europa e se olha para o panorama artístico é preciso destacar a grande diferença que existe na proporção demográfica. Aqui, as nossas cidades são pequenas e com pouca população, ao contrário do que acontece em quase todo o espaço comunitário, donde o melhor meio para divulgar o que se faz é mesmo a internet, no entanto, ver diretamente uma obra tem outro alcance e é para isso mesmo que os artistas, quase todos, precisam de expor temporariamente, porque é preciso dizer que a arte é uma realidade palpável e sentida, do melhor que o Homem transporta.






E vos deixo com as palavra de Fernando Pessoa , in Ideias Estéticas:



“Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes – tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura.”

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Última semana













Mais uma exposição que acaba e onde mostro, pela última vez, algumas obras, porque, a partir de agora, seguirão outros caminhos, que não os públicos. O resultado final de expor os trabalhos são uma consequência lógica de querer que outros vejam como são as pinturas, publicitar o caminhar e permitir o contacto real em que é mais percetível a técnica, o jogo de cores e o impacto da presença física que lhe é inerente.



É preciso sempre acreditar que vale a pena lutar por um ideal, mesmo quando tudo é apenas um mundo próprio, com regras e proveitos gerados no pensamento de encantos e magia. É maravilhoso ter desejos de novas descobertas, de prazeres contínuos nascidos de criações tão pessoais, onde se faz a belo prazer o que se quer. Depois da obra feita o que fica é a crescente necessidade de continuar a procurar, porque é mesmo preciso procurar sempre, mesmo que tudo pareça desencontrado e sem sentido. O tempo faz o resto.




Acabada uma exposição outra já a nascer com novas peças, que serão apresentadas pela primeira vez já a partir do próximo dia 1 de março e que a seu tempo divulgarei. Agora, ainda vivo o presente revisitando o espaço, para comungar com os presentes e familiares um pouco de mim. Gosto de ver as pinturas espalhadas por espaços novos e tentar descobrir o jogo comunicativo entre elas e os observadores, porque a pintura só faz sentido se contagiar alguém.







E vos deixo com as palavras do escritor norte-americano Dan Brown que um dia disse:



“Aquilo que realmente importa é aquilo em que acreditas.”



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Jogos de encantar
















Agora, e até ao final do mês, “Verdes são os campos” é a minha última exposição individual de pintura, exposta no Equuspolis/Museu Martins Correia, na Golegã. Depois seguir-se-ão outros espaços onde irei mostrar o que faço, mas integrado em colectivas.




Pessoalmente gosto, sobretudo, de mostrar o meu trabalho individualmente, todavia, reconheço que as exposições colectivas trazem mais público, porque, como é sabido, são sobretudo os amigos e familiares dos artistas que visitam os eventos artísticos e cada criador tem o seu grupo constante, porque são sempre momentos especiais de encontro, de confraternização e de amizade. Há exposições muito visitadas e outras quase sem viva alma e a razão não se prende só com a qualidade das peças, é, muitas vezes, um saber divulgar e cativar presenças.




Com muitos ou poucos visitantes procuro sempre fazer o mesmo: apresentar um conjunto harmonioso de obras que se enquadrem no espírito criativo do momento mais actual. O que para mim é fascinante é a descoberta constante que a pintura me traz e o múltiplos caminhos geradores de mais motivação e apêgo. Depois é sempre o mesmo rosário de queixume, mas o que quero é pintar e pintar e pintar. E, porque gosto tanto de ver nascer as formas através dos jogos de cor, me deixo encantar.




E vos deixo com as palavras de Simone de Beauvoir:



“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente.”