segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A minha arte é ser eu.
















Gosto do exercício físico, concretamente,  corrida matinal pelos campos, saboreando o ar com o cheiro dos eucaliptos; gosto da minha música que é uma tonalidade clássica de sons; gosto de pintar porque me transporta para a magia da fantasia. Gosto de muitas outras coisas, muito comuns ao normal dos mortais, mas é vivendo estas três realidades que me transporto para devaneios. Não gosto da solidão e estou quase sempre na solidão, porque a pintura me obriga e a música também. É no viver de prazeres franciscanos que me realizo, fazendo do pouco muito e do muito quase nada. Sei que cada dia é sempre uma esperança e um sonho de conceber algo novo, mesmo que tudo diga que não. E sempre, sempre com a arte das cores. Agora em Tomar, na Casa dos Cubos, mais uma exposição de pintura e já a trabalhar para outro evento a realizar em outubro, com novas obras, onde a mulher é a razão primeira do encantamento, pelas melhores razões, mas nem sempre...





E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa que um dia escreveu , in inéditos:





“A Minha Arte é Ser Eu”.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Deixem-me sonhar














João Alfaro 


Exposição de pintura "No feminino"




Casa dos Cubos, Tomar

De quarta-feira a domingo, das 15:00 às 18:00 horas, até 28 de agosto








É verão e as temperaturas assustam. Neste rectângulo peninsular o importante agora é usufruir do tempo, do espaço e das suas gentes, esquecendo, obviamente, o lado inquietante dos muitos males que coexistem e, que mais cedo ou mais tarde, nos batem à porta. Agora o mais importante é saborear a alegria que o calor nos dá, esta paz lusa e olhar a beleza de um país encantador.



Depois de mais um atentado do crescendo islâmico e, perante a apatia confrangedora dos ocidentais, eu que adoro este modo de vida a norte do mediterrâneo, sabendo como acabou o império romano, constato que os caminhos do apogeu e da queda são agora tão visíveis e contemporâneos.




Nas muitas viagens que fiz por essa Europa, vi tanto de belo concebido por grandes mestres, que agora são escondidas as suas obras, para não chocar as mentes perversas de outros políticos ( a sul do mediterrâneo). Enfim... angélicas criaturas que, perante a nudez em pedra das esculturas ou pinturas renascentistas, ficam traumatizadas... 





Agora, mais do que nunca, gosto de pintar a nudez, sobretudo da mulher, com a representação dos comportamentos mais banais e sensíveis da intimidade. Dou tanto de mim, nesta entrega pictórica, como se fosse impositivo deixar o meu testemunho para as gerações futuras, perante a queda iminente da cultura ocidental, porque tudo ficará estilhaçado, como se apenas fosse importante acreditar em doutrinas de manuais de dúbia leitura e não nos Homens. 









E vos deixo com as palavras do filósofo alemão Friedrich Nietzche




“Vivemos num tempo em que a civilização periga morrer por meio da civilização.”

terça-feira, 5 de julho de 2016

Casa dos Cubos



















João Alfaro
"No Feminino", Pintura
Casa dos Cubos, Tomar 2016





A Casa dos Cubos em Tomar, que se ergue numa antiga fábrica,  foi reconstruída e transformada num espaço polivalente, destinado essencialmente a exposições temporárias.  E, porque há locais que nos atraem e cativam logo no primeiro instante, é com enorme satisfação que vejo trabalhos meus expostos aqui. O labiríntico e anacrónico jogo das cores e formas, numa espacialidade mergulhada na luz só por si geram um gostar de estar ali. Nada melhor que mostrar a minha pintura num ambiente tão singular e contemporâneo, onde a arquitetura arrojada se confronta com a temática milenar da representação figurativa do nu feminino.





Agora, mais do que nunca, gosto de colocar o meu trabalho em locais que sejam pontes de passagem, onde a beleza do espaço se articula com a pintura que faço. Aqui, apresento retratos da beleza da mulher, em momentos intimistas e serenos, num ambiente e num tempo de sol e luz, durante o mês de julho e agosto, porque sei que um mar de turistas visita a cidade e descobre os melhores e singulares espaços. Nada melhor que mostrar a tantos mais um vislumbre da pintura que me preenche, razão para continuar andando e mostrando num solitário modo de ser e estar.







E vos deixo com as palavras do poeta  Rainer Maria Rilke:




“ As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.”

terça-feira, 28 de junho de 2016

No Feminino











Tomar 2016 é um momento especial para mim. Cidade com passado e uma arquitectura própria das pequenas urbes, cheia de visitantes de outras fronteiras europeias, preenche o meu imaginário de me deixar mostrar na pintura.




“No Feminino” é mais uma exposição que faço e, como todas as outras, procuro sempre apresentar um conjunto de obras que se enquadrem no espaço e, que estejam articuladas no projecto pictórico, que fazem parte do meu caminhar artístico. Os anos passam, as ideias também, mas o apêgo à arte e   toda envolvência aumenta sempre, como se fosse um elixir da existência, cada vez mais determinado e consistente. Por entre os pingos da chuva faço o meu caminho, que é apenas um solitário modo de gostar, de saborear quanto é bom ser pintor, num tempo de tanto desencontro com o tempo e suas gentes.




O que eu sei é viver o momento e só o momento. A minha pintura é o retrato do momento, porque o tempo tem um tempo que nunca se repete. Gosto de retratar momentos únicos, serenos, intimistas, sensuais e, sobretudo, como pintor que sou, um construtor de imagens perenes. Creio, convictamente, que apesar das modas e dos comportamentos e significados que o tempo define, há sempre momentos únicos que nada apagam, razão para tentar mostrar o meu olhar pela preciosidade de um instante, onde a beleza e a verdade sentida devem prevalecer. Sou assim: não ando agarrada à moda, que também é componente do presente temporal, mas eu apenas me deixo guiar  somente pelo sentir.






E vos deixo com as palavras do filósofo, poeta e ensaísta  Agostinho da Silva:



“A vida, para a vida, é sempre longa; mas para a arte é sempre breve; só quando se não faz nada há sempre tempo.”




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Arte intimista













Escolhi esta tela como imagem de referência da próxima exposição de pintura que vou realizar, a partir do dia 1 de Julho, em Tomar, na Casa dos Cubos. Pinto, agora, a beleza feminina, tentando captar os momentos mágicos e solitários da magia que define cada um e, essencialmente, em momentos especiais, que são muitas vezes tão banais, mas carregados de simbolismo e, sobretudo, daqueles gestos únicos que gostamos tanto... ou, por causa deles, nos afastamos para sempre. Mas isso são outras histórias de vida, que a arte capta ou deveria destacar para questionar, porque é esse o seu papel, mas os tempos são outros, neste meu olhar.






Cada época tem os interesses maiores, que não são, de modo nenhum, os mais significativos e primordiais. Nada, ou quase nada, é como gostaríamos, porque o sentido crítico ou a postura negativista do estar transforma o bom em mau, o óptimo em execrável. É a falta de memória e  o dizer mal de tudo como se o sol fosse quente e radioso no inverno ou vice-versa. Nunca se está no sítio certo,  na hora correcta  e na plenitude do gostar.






É esta angústia, este eterno maldizer, este esconder e deixar a nu tanto oportunismo e inconsistência que arte procura levantar questões, mas os tempos são outros, porque sempre serão de insatisfação no mosaico heterogéneo de interesses e valores. Eu apenas me revelo no gostar da beleza que a mulher dá na pureza dos momentos mais simples e, provavelmente, mais sentidos e belos do ser e estar.







E vos deixo com as palavras do poeta e novelista russo Boris Pasternak que escreveu o livro “Doutor. Jivago” que li na minha adolescência e me fez olhar o mundo de um outro modo:







“A arte serve a beleza, e a beleza é a felicidade de possuir uma forma, e a forma é a chave orgânica da existência; tudo o que vive deve possuir uma forma para poder existir, e, portanto, a arte, mesmo a trágica, conta a felicidade da existência.”

terça-feira, 7 de junho de 2016

Assinatura














Cada trabalho é concluído e identificado com a assinatura. Esta acaba por ser também um símbolo, uma imagem de marca, não pelo conteúdo, mas pela forma. Escondida muitas vezes na imensidão da tela e, habitualmente, ( no meu caso ) no canto inferior direito ou esquerdo, pretende ser apenas o reconhecimento autoral. Em caso de dúvida, o nome é o meio certo para a sinalização do criador de cada trabalho. Acontece também que quase sempre é apenas um pequeno elemento que passa despercebido, porque o importante é a qualidade da obra e o que a pintura significa, e não o nome do autor... mas há os que gostam ( e muito) de sobressair a identificação. Feitios...







Junto da assinatura coloco também a data da conclusão e no reverso faço o mesmo, juntando a data precisa da assinatura, com o dia certo, e indicando sempre o nome da pintura. É o modo que uso para visualizar o desenvolvimento do trabalho anual. Tempos houve em que registava em diferentes suportes cada obra. Agora porque a internet é uma janela abertura ao mundo e, porque também é,  o processo mais simples de mostrar o que faço, é a fórmula por excelência que uso. Fica lá tudo. Cada vez estou mais longe dos papéis, que apenas me servem para desenhar e desenhar.







Num tempo novo, em que a tecnologia substitui os hábitos seculares, paradoxalmente, agarro-me à pintura tradicional – papéis e telas – embora utilize processos contemporâneos de trabalho, mas ciente que vivo uma realidade cada vez mais distante ou, eu não fosse eu um longínquo errante.







E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa que escreveu in “Carta a Miguel Torga, 1930”:





” Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade....”



quarta-feira, 1 de junho de 2016

A voz do desejo











“Natureza XII/XII”
Pintura sobre tela de 60 X 100 cm






Chegou ao fim esta primeira série de doze telas sobre a temática da natureza. Outras se seguirão. Eu trabalho sempre explorando várias vertentes do mesmo tema, até reunir o conjunto que mereça alguma apreciação. Como é hábito meu, as obras precisam de muito trabalho prévio, de estudos múltiplos para alcançar a meta pretendida. É sempre tão difícil chegar a bom porto, o que torna, paradoxalmente, mais aliciante ainda a luta e a persistência. Se fosse fácil- e a pintura, pode ser um território de facilitismos - não estaria ainda aqui, neste maravilhoso pesquisar enfatizado, como se fosse o melhor dos mundos, longe, portanto, de tanto e de tantos. É, no entanto, este rigor laboral e esta exigência que me prende a viver deste modo tão celibatário e, em simultâneo, tão cheio de emoções e de sonhares. E vale a pena, porque o caminho de cada um é o encontro do sonho e da realidade.







Pintar é, sobretudo, um estar isolado horas a fio, onde apenas a música (trabalho sempre com melodias clássicas) é a companhia certa. Pontualmente um ou outro imprevisto quebra a monotonia. Quanto mais tempo pinto, mais tempo preciso de pintar e só paro quando uma voz me chama. Uma voz celeste que o tempo não esquece. Nunca.



E vos deixo com as palavras de Steve Jobs:




“Se estás a trabalhar em algo excitante e do qual tu gostas mesmo muito, não precisas de ser pressionado para ter mais resultados. A tua própria visão puxa-te para a frente.”