segunda-feira, 4 de abril de 2016

5/12










João Alfaro

Pinturas sobre tela ( primeiros esboços)




Agora tenho em mãos um novo projecto que é, como todos os outros no domínio pictórico, um desafio que se traduz em pintar, para um espaço belíssimo, doze telas em que a temática é a natureza, para que faça sentido a relação entre a arte e o enquadramento envolvente. Por breves instantes tive de interromper a temática que agora predomina na minha pintura e que surgiu também de um desafio que me foi apresentado então. Do que gosto mesmo é de ir desbravando caminhos numa eterna procura, para que faça sentido e seja aliciante o esforço e a dedicação, porque, tal como na vida, a monotonia é o que nos destrói e nada melhor que procurar e procurar sempre novos desafios, mesmo sabendo que tudo deixa um rasto, e na pintura uns temas conduzem a outros, como acontece no dia a dia.


Quando me é proposto um trabalho procuro sempre, até chegar ao objecto final, fazer muitos estudos e provas extras, porque só assim se consegue aperfeiçoar o pretendido. Fica, no entanto, sempre em mim um sentimento de inquietude e de não ter atingido o desejado. Sou assim. Entre as dúvidas, os medos e a certeza o que fica é o momento e o sonho.




E vos deixo com as palavras da poetisa Florbela Espanca, que um dia escreveu:



“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!”

segunda-feira, 14 de março de 2016

Continuar é o caminho











Mais uma exposição da minha pintura que chega ao fim. Num espaço polivalente, onde a expressividade plástica tem obviamente lugar, no intuito único de captar novos públicos, a minha aposta atual é mostrar como a pintura se enquadra em ambientes diferenciados, daí a razão para ter escolhido o Atrás das Artes, onde em simultâneo se realizaram dois eventos musicais, num salutar convívio entre as artes e os fruidores.

Para breve duas outras exposições estão já marcadas para o próximo verão e outono em cidades diferentes, com outras obras (algumas ainda por acabar) e que, como é temática recorrente agora, procuram descrever o meu olhar pela beleza feminina.

Recebi muito recentemente uma proposta para uma exposição em Lisboa, que irei pintar de acordo com o tema solicitado: o banho. É o desafio constante que me move e me faz caminhar e continuar sempre, mesmo sabendo quanta ingrata é tanta apatia e indiferença, mas só se chega mais longe com trabalho, muita persistência e crença. Eu adoro pintar e isso me aconchega. Muito.


E vos deixo com as palavras do escritor francês Valéry Larbaud, que um dia disse:


“A arte é ainda a única forma suportável da vida; é o maior prazer, e o que se esgota menos depressa.“



segunda-feira, 7 de março de 2016

Enquanto dura
















Sempre que faço uma exposição a inquietude domina o meu espírito. O contínuo desejo de usufruir da contemplação das obras ordenadas num ambiente novo e, alvo da observação de outros, mais os juízos de valor díspares sobre o meu trabalho, fazem-me sair do meu casulo, da toca que é o meu abrigo protetor. A arte só faz sentido se for abrangente e  visualizada por muitos mais. Eu bem tento chegar a tantos, mas os caminhos são íngremes e dependentes de outros interesses, contudo, confesso: basta-me o que me basta. Tenho dito.



Até 16 de março, em Torres Novas, no Atrás das Artes.



E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa  in, “Carta a Miguel Torga, 1930”:



“ Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.”





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O tempo está a acabar

 
 
 

 
 
 
João Alfaro
“À descoberta do nu”
Atrás das Artes
Rua Trás dos Muros
Torres Novas
 
 
Todos os dias acontecem dramas. Tragédias. Desgraças alheias. A vida continua, contudo, com as angústias e os desafios de cada um. Desfechos felizes ou eternas tristezas. Tudo é, afinal, a roda dos muitos caminhos de todos. Ora no sítio certo, ou, talvez, não…
 
É neste quadro de vivências que o tempo passa numa encruzilhada de procuras, que levam a bom porto ou a sítio nenhum. De tantos olhares ficam sempre presentes os que traduzem esperança e paixão. O resto pouco importa.
 
O círculo vicioso em que me envolvi é apenas aparência, porque nada acaba por ser o ambicionado. O sonhado ficou pela imaginação luzidia dos eventos artísticos. O tempo é cada vez menos e é preciso aproveitar o possível expondo, porque é necessário mostrar o trabalho pictórico, para que faça sentido tanta entrega e tanto amor. O que ontem era belo, hoje é ruindade, porque antes significava o paraíso encontrado, agora é a mágoa da perda, ou do engano. Dei tanto de mim, com prejuízo dos meus, pela busca pictórica que acabei nesta roda de caminho nenhum.
 
 
 
Agora em Torres Novas, num espaço magnífico, como sempre no vazio das almas a minha pintura está presente para os que a querem contemplar, nesta despedida expositiva, porque o tempo está a acabar.
 
 
E vos deixo hoje com as palavras de Virgílio Ferreira in “Vive o dia de hoje".
 
"...Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde..."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Fragmentos






 
 
 
 

Agora que os tempos são outros graças às novas tecnologias que mudaram comportamentos e atitudes, a realidade sentida passou a ser diferente. Ler um livro, saborear o cheiro das folhas, sentir a textura do papel e ter entre mãos um objeto, quantas vezes colecionável, é de um outro mundo: o passado. Podem muitos saudosistas lamentarem a queda vertiginosa da leitura tradicional, mas tudo muda. Também o processo de conhecer as palavras dos outros. Os poemas e os romances nos nossos dias têm um caminho diferente de chegar ao leitor. Melhor ou pior? Não sei. Sei que hoje leio quem nunca teria oportunidade de ser lido nos circuitos até então normais. E com a pintura acontece o mesmo.

 

Como pintor vivo igualmente de acordo com aquilo que tenho ao meu alcance. Fazia viagens longas e duradouras para ver a obra plástica de artistas que queria conhecer. Não me bastavam as informações dadas pelos livros, com as cores quantas vezes distorcidas, queria mais. Queria ver, in loco, as obras, e só assim me sentia pleno no observar, no contemplar. Mas hoje não. Vejo na internet este mundo e o outro. Vou a muita exposição virtual; faço passeios pelos museus que nunca irei conhecer no terreno; descubro gente fantástica que nem imaginava que existissem. Deixei-me levar pela comodidade da realidade atual dada pelas novas tecnologias, onde o tempo se mede em fragmentos.

 

Aproveito o que tenho para mostrar a muitos outros o que penso, faço e desejo ser. Nem sempre sou justo na avaliação; nem sempre digo o que devia dizer; nem sempre faço o possível. Mas aqui estou a desvendar algo de mim. Fragmentos do gostar.

 

Agora patente em Torres Novas mais uma exposição de pintura, onde o tema é o nu. Pretendo com esta temática, secular na cultura ocidental, mostrar a beleza feminina e o meu olhar. Aos que moram perto basta um saltinho e, num espaço acolhedor, belo, único, se pode observar toda a minúcia contida numa pincelada. Para os outros tenho procurado mostrar, tanto quanto possível, o que é “À descoberta do nu”. Até 16 de Março no Atrás das Artes.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Sófocles, poeta grego que viveu de 496 a 406 A. C. e que um dia disse:

 

“Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo.”

 

 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Para memória futura

 
 
 
 
 
 
Exposição "À descoberta do nu" patente na Galeria Atrás das Artes, em Torres Novas
 

 
 
 
 
 
 
Quando as palavras não chegam, resta-me o silêncio.
 
Das histórias para contar ficam as memórias do que apraz repartir. Apenas momentos que o tempo apaga mas saborosamente vividos em instantes. Há outros contares que a pintura revela e que um dia talvez sejam traduzidos nas palavras certas. Por agora remeto-me à paixão da pintura, mesmo sabendo quão longe estou dos desejos que um dia acreditei alcançar.
 
 
 
 
E recordo hoje as palavras do escritor, poeta, dramaturgo e ensaísta Oscar Wilde, que um dia escreveu:
 
“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.”