terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Mil palavras





 
Imagem retirada do Facebook
 
Mil palavras?
 
 
 

Percebo bem que os dias (os anos, a vida) mudam muito. Quando vi,“ A Ronda da Noite”, pela primeira vez, estava extasiado, encantado, deslumbrado, feliz. Afinal estava mesmo ali, a uns escassos centímetros de mim, uma obra-prima da cultura ocidental. Senti-me, naquele instante, único. Era mais um desejo realizado: ver in loco um pedaço da vida de Rembrandt. Mas agora, perante esta imagem que percorre o mundo, me interrogo.

 

Uma imagem vale mais que mil palavras. Mas será mesmo? Que esconde a verdade da figuração? Sei que tudo está diferente. Felizmente. Os dias trazem sempre outras coisas. Melhores…quase sempre. Esta imagem transmite a ideia de jovens comunicando através das novas tecnologias, sem olharem para uma obra-prima que tanto me fascinou. Quem sabe se estariam a consultar dados sobre o artista e a sua obra? Talvez, talvez ou talvez não. Talvez comunicando, ali mesmo, com o colega ao lado, porque é mais simples dizer ao outro, sem olhar nos olhos. Talvez fosse isso. Ou talvez não.

 

Mas aqui caminho sempre no mesmo trilho. Já não vou mudar nada. Sei que poderia viver encantos mil, mas não sei ao certo se, de tantos encantos, tudo se transformaria num pesadelo. Vivo nesta fantasia do pintar tradicional, porque é o que mais me encanta, sabendo, contudo, que os tempos são outros. Uns sabem viver no presente e outros nas memórias do futuro.

 

E vos deixo com as palavras do jornalista, escritor e prémio nobel da Literatura José Saramago que um dia disse:

 

 

“ Nunca esperei nada da vida. Por isso tenho tudo.”

 

 

 
 


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Novos Amigos

 
 
 
 
Durante muitos anos o meu mundo foi rodeado por colegas de um ofício. Agora são outras pessoas. De uma órbita diferente; de um ver e estar no mundo muito distante: ora na miragem, ora na fantasia, ora no saber estar. Nem melhores, nem piores. Diferentes. Mais comungantes comigo. Aparentemente. E gosto mais. Talvez porque a realidade é o que construímos dentro dos nossos desejos. O resto é mais do mesmo: os dias sucedem-se e com eles o esvaziar dos sonhos, e a construção de outros olhares e outros sentimentos.
 
 
 
Não sei controlar o tempo. As horas passam num ápice. Eu bem quero fazer mais e mais, mas falta-me a consistência e a capacidade para erguer novos mundos ao mundo. Eu bem gostaria, mas não chego lá. Os caminhos são íngremes, impróprios para o meu caminhar, todavia não sou de parar, nem de dizer basta, vou por aí, mesmo sabendo o que me espera. Sei que vou encontrar algures gente boa. E isso me basta.
 
 
 
 
E nas andanças vou achando entre o bom e o mau, momentos maravilhosos e visionamentos encantatórios. Hoje mostro quanto é belo um espaço de criação artística: o ateliê do escultor Francisco Simões.
 
 
 
Termino com as palavras do escritor e jornalista francês, do século XIX, Alphonse Karr que um dia escreveu:
 
 
"Cada homem tem três personalidades: a que exibe, a que tem e a que pensa que tem."


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O lado bom




 
 
 
 
Pintura a mostrar nos meses de Fevereiro e Março em Torres Novas, no Atrás das Artes
 
 
 
Eu sei bem que há de tudo. O lado bom também. Agora resta-me aproveitar o que posso alcançar. E é muito. Não alberga muito sonho- confesso-, apenas desejos contidos. Mais uma vez vou aparecer com o meu trabalho na mesma procura de sempre: chegar aos outros, tanto quanto possível. Deixa-me triste o vazio e o silêncio que cerca muito do que me envolve, mas o país real é como é. Ponto. Gosto tanto da pintura, das suas gentes, dos ambientes e das expectativas. Detesto, contudo, outras envolvências. O mundo nunca é o que queremos. E eu não sou diferente. Agora focado na pintura retratista da intimidade feminina, os meus dias passam pintando com a paixão costumeira. E o resto é um olhar sentido, no silêncio, obviamente.
 
 
 
Brevemente vou expor algumas obras, que a seu tempo, aqui, irei explanar, porque a arte é para ser vista e contemplada pelos seus seguidores, neste jogo onde o real se confunde com a imaginação, em que o artista é apenas um observador da condição humana.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego:
 
 
“Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.“


sábado, 9 de janeiro de 2016

Pintando

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pintar é uma luta pela procura da combinação das formas e cores num espaço pré-definido. Pinto sempre em pé, num enquadramento com muita luz e num contínuo andar de um lado para o outro. A música é a minha companhia por excelência. A solidão também. E, quanto aos considerandos estéticos e temáticos, a pintura fala por si. Não há segredos com as telas e os pincéis. Basta determinação e um desejo imenso de acreditar, porque é preciso, também, saber viver, saboreando os prazeres da imaginação e esquecendo o lado negro que cada um transporta na inquietação dos dias. Depois o maravilhoso da descoberta é a luz ao fundo do túnel, mesmo que tudo não seja mais que um sonhar. O artista é um sonhador, criando imaginários e ilusões, porque a vida é um jogo de encontros e procuras. E eu procuro tanto, que me perco no caminho.
 
 
 


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Recomeçar





A voz deveria ser do Elvis Presley mas os direitos de autor não deixam...




Todos os dias leio os meus blogs de eleição. Os jornais marcaram um tempo. Passado. Hoje os meus interesses são outros e não passam pela imprensa diária de novidades rebuscadas. Gosto de escrever mas não consigo manter a chama ardente deste meu blog, como era obrigatório, para quem abre aos outros um pedaço da intimidade e dos pensares. O meu tempo se escoa e me deixo levar pelo vazio e pela ausência. Reconheço hoje, mais do que nunca, quanto sou de silêncios. Foge-me tudo. Até a vontade. Passamos um tempo a encher um espaço: a nossa casa. Depois um outro tempo onde o importante é apenas o aconchego e o vazio também, com as memórias, obviamente. E o resto pouco relevo tem. Para mim. Agora mais do que nunca.


 
 
Todos os dias quero chegar mais longe. Fazer o que ainda me falta realizar. Mas nunca chegarei lá. Está no meu sangue este disforme modo da cordialidade. Resta-me a culpa, com a pintura por dentro. Para este ano, sempre na mesma onda, por aqui quero continuar a fazer o que tanto gosto, se me deixar a deusa Hígia, porque a persistência é o meu lema, quando os caminhos se estreitam e nada mais resta senão saborear os prazeres do gostar. Enquanto forças houver.
 


 
E vos deixo com as palavras do escritor e filósofo romano Lucius Séneca que um dia disse:
 

 
“Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje.”


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Feliz 2016

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este é um pequeno vídeo dos primeiros trabalhos aqui mostrados
 
 
 
Foi a 31 de dezembro de 2009 que começou este blog. O seu espírito é o mesmo: mostrar a minha pintura. Umas vezes me perco em considerandos de outras órbitas mas, fundamentalmente, é a exposição artística a razão maior para aqui continuar. Entre a palavra e a imagem, quase só conta a ilustração e, muito pouco, o pensamento expresso em palavras breves. A regularidade deveria ser um ponto de honra, mas questões pessoais me impedem de escrever. É sempre uma luta aparecer e mostrar algo de novo. A minha pintura hoje é muito demorada na sua execução. Os ditames políticos, sociais e até alguns artísticos pouco me aproximam, donde, quase que só quero mostrar como é o meu caminhar na arte das cores.
 
Para 2016 tenho programadas três exposições em Portugal e em 2017 três outras em bienais fora de portas. A ver vamos.
 
 
 
Neste fim de ano, para os resistentes que, aqui, espreitam este blog os meus votos de um novo ano cheio de oportunidades e de realizações plenas, na arte do belo viver, com a serenidade e o encontro com a paz e a harmonia. Feliz 2016.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras do escritor moçambicano Mia Couto que um dia disse in “Terra Sonâmbula”:
 
“A festa é a tristeza fazendo o pino. Nela a gente se comemora num futuro sonhado.”


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A oeste ainda há Natal

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eu não tenho de ser politicamente correto. Gosto do Natal, do seu espírito, das tradições e da cultura inerente, das cores vibrantes, da música católica, dos espaços caracterizados pela época própria e, sobretudo, da esperança que a mensagem natalícia, ano após ano, transmite. Acho que é a súmula da cultura ocidental que, prezo, defendo e cultivo, me dá alento. Não gosto nada, agora, deste humilhado servilismo, por outras culturas e outras religiões, que não me deixam ver o que gosto de ver, nem falar o que gosto de dizer.
 

 
Cada um faz o seu caminho e aproveita, ou não, as oportunidades com a determinação e a capacidade de ir por aí. Uns desistem logo no início da corrida (tudo é competição); outros, pelo contrário, se deixam arrastar pelas piores razões e, outros ainda atingem o almejado. Há de tudo: gente feliz, mais os eternos descontentes. Dos fracos reza a história com letra pequena, e com garrafais recortes fica a memória por gerações de uns quantos outros. Tudo isto para dizer que vale a pena crer o querer. Quero continuar a fazer o que gosto: pintar. Pintar a mulher, que é a maravilha do olhar masculino, no encantamento e na magia da arte pictórica, sem o fundamentalismo castrador que hoje invade a Europa, com o beneplácito de muitos que deveriam saber conservar o que tanto custou a conquistar: a liberdade.
 
 
 
O Natal está a chegar. Aproveitem. Só há um em cada ano. E vale a pena comemorar, enquanto temos vida.
 
 
 
Recordo hoje as palavras de Anatole France, escritor francês nascido em 1844 e falecido em 1924, que um dia disse:
 
“É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.”