terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A oeste ainda há Natal

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eu não tenho de ser politicamente correto. Gosto do Natal, do seu espírito, das tradições e da cultura inerente, das cores vibrantes, da música católica, dos espaços caracterizados pela época própria e, sobretudo, da esperança que a mensagem natalícia, ano após ano, transmite. Acho que é a súmula da cultura ocidental que, prezo, defendo e cultivo, me dá alento. Não gosto nada, agora, deste humilhado servilismo, por outras culturas e outras religiões, que não me deixam ver o que gosto de ver, nem falar o que gosto de dizer.
 

 
Cada um faz o seu caminho e aproveita, ou não, as oportunidades com a determinação e a capacidade de ir por aí. Uns desistem logo no início da corrida (tudo é competição); outros, pelo contrário, se deixam arrastar pelas piores razões e, outros ainda atingem o almejado. Há de tudo: gente feliz, mais os eternos descontentes. Dos fracos reza a história com letra pequena, e com garrafais recortes fica a memória por gerações de uns quantos outros. Tudo isto para dizer que vale a pena crer o querer. Quero continuar a fazer o que gosto: pintar. Pintar a mulher, que é a maravilha do olhar masculino, no encantamento e na magia da arte pictórica, sem o fundamentalismo castrador que hoje invade a Europa, com o beneplácito de muitos que deveriam saber conservar o que tanto custou a conquistar: a liberdade.
 
 
 
O Natal está a chegar. Aproveitem. Só há um em cada ano. E vale a pena comemorar, enquanto temos vida.
 
 
 
Recordo hoje as palavras de Anatole France, escritor francês nascido em 1844 e falecido em 1924, que um dia disse:
 
“É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.”
 
 
 


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Recomeçar hoje e sempre

 
 
 

 
 
 
"Uniqua"
 
Pintura em execução: 1º dia.
 
 
 
 

 

Depois da pausa, é preciso recomeçar. É mais do mesmo neste mundo, no entanto, as guerras não acabam, os conflitos pessoais são comuns e as dúvidas eternas. Só me resta pintar, mesmo sabendo que se repete o caminho, porque tudo é, afinal, um palco de desavenças, de lutas intestinas e de interrogações sobre os valores e o objetivo supremo do existir. Agora sem ilusões, nem expectativas sublimadas, os dias arrastam-se na procura e sempre na procura, do outro lado, onde não estão presentes, aparentemente, os males de sempre. E, por isso pinto e pinto, sem que haja outro interesse senão o saber gostar do gostar de pintar. E isso me basta no preenchimento do tempo e do modo.

 

 

 

Tanto cantar e vozes sublimes; tanta escrita e contos fantásticos; tanta cinematografia e tanto imaginar; tanto de tanto e a arte repetindo as inquietações e dúvidas, com armas novas ou com os meios parcos, onde cada um procura ser singular, mesmo repetindo no tempo e no espaço as questões angustiantes de sempre. Um Picasso é único; a voz da Callas inconfundível; o Pessoa um oceano de luz e muitíssimos outros nos esmagam com a verdade e o pulsar. É neste quadro de imensidão que o meu trabalho se desenvolve, querendo abarcar as grandes questões do eu, no silêncio e no solitário caminhar, em que o recomeçar é uma constante e uma obrigação.

 

 

 

 

E, vos deixo com as palavras do escritor francês Valéry Larbaud, nascido em 1881 e falecido em 1957, que um dia disse:

 

 

“A arte é ainda a única forma suportável da vida; é o maior prazer, e o que se esgota menos depressa.”


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Janela Indiscreta

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma exposição de pintura é sempre uma janela aberta, indiscreta, sem dúvida. Está lá tudo: não são precisas palavras, nem sons, e nada fica oculto pela imaginação do querer descobrir, o que o artista tem para dizer, através dos caminhos da arte.
 
Para memória futura fiz este vídeo que é uma associação de obras com uma temática própria, definidora de um tempo e de um modo de olhar e ver o mundo. Se a frieza e o distanciamento silenciosos parecem caracterizar o meu viver, a pintura, acho eu, pelo contrário, traduz a verdade sem as máscaras e os trejeitos sociais. E há tanto para contar sobre a beleza e o encantamento, que nunca o tempo basta para o muito que outros querem conviver, mas porque só se vive uma vez e o tempo tem as regras que tem, os prazeres possíveis traduzem-se maioritariamente no apego às artes, que são o meu refúgio e alimento, que é, afinal, a tradução da simplicidade do viver, com a sensação que há um testemunho que ficará para vindouros, sem os vícios e defeitos mil do presente, mas apenas com o registo do que fica, que é o amor pela arte e pelas pessoas singelas, neste viver de janelas indiscretas.
 
 
E, porque se recorda, agora, os oitenta anos do falecimento de Fernando Pessoa, vos deixo com um poema, do “Livro do Desassossego”:
 
“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.”
  
 


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Fim da linha

 
 
 
 
 
 
 
 

João Alfaro, 2015
Prendas de Natal
 
 
 
O Natal está a chegar. Todos os anos esta quadra é um mar de esperança: uns convictos, outros nem tanto. Há que acreditar e continuar naquilo que nos move, mesmo que, aparentemente, tudo indique que o sonho acabou. De sonhares se fazem os dias e se constroem os desejos. Realizáveis ou não a vida passa. As memórias ficam. E do que me lembro é esta persistência em continuar, mesmo que por caminhos solitários e em túneis sem luz, mas eu sou assim: vou por aí, continuamente.
 
 
 
Mais uma exposição a acabar. O trabalho foi imenso. A entrega quase absoluta. O resultado: o costume. Não espero nada de novo. Em lado nenhum. Surpreso fico quando no marasmo chega a esperança e a luz dos meus olhos. Depois tudo fica igual ao mesmo de sempre. Amanhã é outro dia. Com mais memórias, alegrias e lembranças que o tempo não esquece. Por aquilo que não fui capaz me penitencio, mas a realidade é a possível e não a sonhada. Haverá, provavelmente, outras exposições, todavia o expectável é o habitual. Nada vai mudar, porque deixei de me mudar. É o fim da linha. Da minha, claro.
 
 
 
E, vos deixo com as palavras do escritor, autor, ensaísta, poeta e naturalista americano do século XIX Henry David Thoreau, que um dia disse:
 
 
 
“Se os homens se detivessem a observar apenas as realidades, e não se permitissem ser enganados, a vida, comparada com as coisas que conhecemos, seria como um conto de fadas ou as histórias das Mil e Uma Noites.”


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

EXPOSIÇÃO PINTURA - MODELOS - JOÃO ALFARO





 
Os dias são negros, e outros mais se esperam. A próxima hecatombe é apenas um espaço de tempo. É dramático viver nesta angústia, neste desconfiar, neste medo. É o momento presente. A vida, contudo, continua entre os pingos da chuva. Amanhã logo se vê. E no meio da dor há o caminhar. Neste limbo que é só meu, me entrego num refúgio. Nada mais sei fazer. Talvez por isso mesmo prefiro cingir-me ao círculo ínfimo, e, esperar que nada de mau aconteça. Fantasias.
 
 
E é neste panorama de tristeza e inquietação que a rota dos eventos tem a sua marcha. Mais uma exposição agora em Alcanena, enquanto preparo uma outra para o próximo ano, mas até ao final do mês de novembro “Modelos” a quem quiser ver os meus mais recentes trabalhos.
 
E vos deixo com as palavras do escritor francês do século XX Antoine de Saint- Exupéry, que um dia disse:
 
“Sei que só há uma liberdade: a do pensamento.“

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mais uma exposição

 
 
 



 

 
 
“Modelos” exposição de pintura e desenho
Até 29 de novembro
Galeria Municipal Maria Lucília Moita, Alcanena
 
 
De novo mostro trabalhos recentes. É mais uma exposição onde procuro, como sempre, dar a conhecer momentos do meu percurso pictórico. Agora foi uma homenagem às pessoas que me acompanham, no feminino, realçando a beleza da mulher, como é tradição na cultura ocidental, que muito prezo e defendo.
 
As exposições são um ponto de encontro, também, de amigos e conhecidos, em que a arte é o mote e razão para mostrar quem é quem. Num momento de grande inquietação social, o que procuro criar é uma obra que realce o melhor que há em cada um na privacidade dos gestos simples e rotineiros dos dias, sem o outro lado do sofrimento, nem das dores que as teias envolventes cobrem uns e outros.
 
Com os muitos silêncios e olhares as minhas obras querem ser registos e interrogações de posturas, modos de ser e estar, num enquadramento onde o importante é a singularidade de cada um. Mas cabe a cada observador analisar de acordo com os propósitos que são pessoais. A mim, só me resta agradecer a todos os que se cruzam no meu caminho artístico e dizer: obrigado.
 
 
 
E vos deixo com as palavras ditas pelo padre António Vieira no século XVII:
 
O uso de ver tem fim com a vida, o apetite de ser visto não acaba com a morte.”
 


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Modelos

 
 
 

 
 
 
 


 
 
 
 
 

Mais uma exposição para dar continuidade ao desejo de mostrar, aos que me seguem, as últimas obras. Como sempre procuro singularizar cada evento, porque o espaço, o tempo e o propósito variam, donde, é fundamental, para mim, mostrar as múltiplas vertentes do meu trabalho.

 
 

 As circunstâncias do momento, o conhecimento do meio artístico, os  diferentes interesses que rodeiam os meandros da arte não deixam margem de dúvida, sobre o oportunismo de uns e de outros. O nosso tempo é bem definidor das conveniências e das motivações apelativas. As artes plásticas não são, por norma, galvanizadoras de eventos mundanos, exceto em circunstâncias especiais, que envolvem sempre gente de outras órbitas. Eu faço o meu caminho. E isso me basta.
 
 
 A partir de sábado um conjunto abrangente de retratos que, mais uma vez, é uma homenagem no feminino a algumas das pessoas que carinhosamente me serviram de modelos. A todas elas o meu muito obrigado.
 
 

 

 

E vos deixo com as palavras do poeta e diplomata francês  do século XX Saint-Jonh Perse que um dia disse:

 

“Os nossos caminhos são inumeráveis, mas incertas são as nossas estadias. “