quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Quando eu gosto

 
 
 
 

 
 
 
 
Este blog começou por ser diário, como todos devem ser para cativar e mostrar consistentemente, mas, por razões temporais e logísticas, de diário passou a semanal e publicado inicialmente ao sábado, depois ao domingo e agora às segundas-feiras, exceto quando por razões excecionais ( como é o caso de hoje) é outro o dia para expor este meu olhar sobre, essencialmente, a minha pintura e um pouco de mim, confesso.
 
Para breve uma exposição onde o desenho é dominante, porque, querendo eu sempre, em cada mostra pictórica tornar específico o evento, e dando um cunho temático referencial, surgiu, por questões temporais, a necessidade de conceber um conjunto de trabalhos homenageando algumas das pessoas que me serviram de modelos e, considerando as características específicas do espaço e do público da galeria, pareceu-me adequado juntar pintura em tela e desenho em papel, para completar um olhar sobre o meu modo de trabalhar.
 
Na procura constante em estar envolvido em projetos vários, como modo de completar um sentido vivencial e um projeto de vida, a arte é dominante neste meu modo de estar aqui e agora. Gosto de gente e quando eu gosto, retrato muito, talvez por isso, agora, o meu interesse não seja a ilustração de objetos, nem de espaços citadinos, nem de paisagens, mas de gente de carne e osso que fazem ou fizeram parte do meu viver, porque, a arte só tem sentido e significância quando é um espelho de nós na sua globalidade, e, não um vazio cognitivo.
 
 
 
E, vos deixo com as palavras do escritor, poeta, dramaturgo e ensaísta Oscar Wilde que um dia disse:
 
“Todos nós, sem exceção, passamos a vida à procura do segredo da vida. Pois bem: o segredo da vida reside na arte. “


terça-feira, 29 de setembro de 2015

A vida de uma pessoa

 
 
 
 
 
 Barcelona, Caravela Gourmet, em Carrer de Manso 13
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Leiria, Teatro José Lúcio da Silva
 
 

Este é um blog sobre o meu trabalho: um olhar pelo percurso pictórico, onde a expressividade temática revela um modo de estar e sentir, que é apenas o vislumbre do verdadeiro eu, tão comum ao sentir dos mortais. Longe vão os tempos dos blogs: todos tinham algo a dizer, aqui, na net. Como acontece sempre, a vontade se esvai e, depressa o esgotamento dos dizeres e do querer continuar finaliza tanto contar, de coisa nenhuma. Mas eu não sou de desistir. Vou ficando. Comigo e com as minhas memórias.

 

Neste meu desconjuntado escrever, confesso que gosto de mostrar o que faço: pintura. As telas, os desenhos e quase tudo o que envolve o meu labor, por razões logísticas e comerciais não são vistas, in loco, pelo grande público (nas artes plásticas entende-se público como meras dezenas de pessoas), logo o melhor meio de chegar a tantos, pelas razões variadas é aqui. Nada mais simples que clicar para mostrar e dar a conhecer tanto empenho, mesmo que tudo seja um irrelevante egocentrismo, ou não fosse a arte um universo do eu.

 

Agora até com duas exposições em simultâneo, uma em Barcelona numa pequena amostra composta com 8 telas; e outra em Leiria numa retrospetiva dos últimos quinze anos com 44 pinturas. Os projetos inovadores e catalisadores são o meu viver, mas o que acontece é sempre mais do mesmo: o tempo não me chega para a fantasia nem para o sonho. Eu bem queria ser diferente, mais próximo, mais justo com os outros até, mas vivo neste limbo, que é razão para tanta entrega, que um dia – sei bem - tudo ficará reduzido a pó, ou não fosse a natureza humana um simples grão.

 

E vos deixo com as palavras de Gabriel Garcia Márquez, escritor e jornalista colombiano que um dia disse:

 

“ A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda…”

 

 

 
 


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Retrospetiva 2000-2015

 
 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
João Alfaro
Pintura
“Retrospetiva 2000-2015”
 
 
Agora, neste aproveitar o possível, com a mesma fantasia e a determinação de sempre, um novo projeto, que é apenas mais do mesmo, no circuito que me circunscreve. O pior é desistir, e isso não. Há quem tenha engenho e arte, mais o saber da utilização das leis mercantilistas, pelos caminhos certos do ir longe... mas eu não!
 
Há tanta gente que cria convictamente tanto de tanto e, no entanto, pouco impacto conseguem alcançar, neste leque de ofertas mil. Eu sou apenas um criador, que faz do momento criativo o melhor dos prazeres mundanos, num ilusório modo da significância do existir, como afirmação de valores que apenas se enquadram nos sentimentos do afeto.
 
Faço do meu trabalho uma ilustração do observado, do sentido e do vivido. Todas as obras pictóricas são retratos de gente real, uns próximos, outros resultantes de encontros esporádicos ou apenas de vislumbres momentâneos, ou não fosse a arte uma expressão da vida, em que alguns apenas são memórias ocultas, outros não.
 
Apaixonadamente os dias sucedem-se numa procura constante por linhas condutoras de novas ideias e descobertas salutares. Esta retrospetiva, que engloba parcelarmente obras dos últimos 15 anos, é um olhar temático sobre o melhor que há: o outro. Até 30 de outubro no Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, com entrada livre das 18 às 22 horas.
 
 
E vos deixo com as palavras de Jorge Santayana, filósofo, poeta e ensaísta espanhol, que um dia disse:
 
“Um artista é um sonhador que consente em sonhar o mundo real.”


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Gente boa







 
 
João Alfaro
Desenhos, 2015
 
 
 
Há tanta gente boa. Uns perdidos e desencontrados, outros fantasiando, lutando e ainda crentes. Todos percorrem os dias numa encruzilhada de encontros e de despedidas. É, nesse olhar, que o meu caminhar me leva a querer retratar a dimensão humana, agora, sobretudo, o lado mais intimista, na serenidade e no recato, de uma vida em que tudo se resume a um sopro de ilusões e de algumas certezas.
 
A arte é o reflexo de um tempo que usa os meios e processos contemporâneos para se afirmar. A internet permite a globalização e o rápido comunicar de ideias, métodos e intenções, razão para tanto mostrar, passo a passo, o meu trabalho, aqui. Cabe ao artista dar ênfase ao idealizado e eu, neste ver martirizado da inquietação que cada um transporta consigo, quero mostrar que não há só tristeza, nem memórias nefastas, mas um outro lado dos silêncios que cada um tem e, que é um gostar da alma gémea, esteja ela onde estiver. É esse lado mais secreto que as poses e o olhar me atraem sempre que retrato alguém, porque é o desejo expresso de deslindar a singularidade de cada um.
 
 
 
E vos deixo com as palavras que um dia Gustave Flaubert, escritor francês do século XIX, disse:
 
“A arte é, de todas as mentiras, a que engana menos.”


terça-feira, 25 de agosto de 2015

E já passaram vinte anos

 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Daniela e Caty”, 2015
Desenho: pastel de óleo sobre papel Canson
 
 
 
 
Em 95 fui a Londres. Não resisti e entrei naquela loja. Em vez de adquirir as eternas peças turísticas que fazem parte das viagens, para mais tarde recordar, eu fiz o que é muito meu: sempre que vejo materiais de pintura não resisto. Compro e compro. Só não consigo consumir ao ritmo das aquisições. E tudo se vai acumulando: telas, pincéis sem fim, papéis, cartolinas, paletas, fitas, tudo, tudo. Agora, passados vinte anos, por artes mágicas encontrei a caixa de pastéis de óleo adquirida nessa viagem. Foi um outro modo de recordar um tempo e, de imediato, comecei a fazer uso da quase intacta caixinha das cores. Mais uma nova fase surgirá agora com a utilização deste específico meio riscador. E, transformado numa criança acabada de receber uma prenda, só me resta desenfreadamente trabalhar com as armas que tanto me fascinam. Eu sou assim.
 
 
 
Convidado para expor, brevemente, num espaço relativamente pequeno e, porque gosto que cada evento meu seja, sempre que possível, composto por pintura nunca antes mostrada publicamente, estou agora numa saudável azáfama para corresponder aos que em mim acreditam. Surge, por esta razão, uma exposição que será composta pelo retrato de algumas das pessoas que comigo colaboraram como modelos e que agora me cabe prestar uma homenagem, porque faço da minha pintura uma ilustração dos que me rodeiam. A mostrar em novembro.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Carlo Goldoni que um dia disse:
“Discutir gostos é tempo perdido; não é belo o que é belo, mas aquilo que agrada. “