terça-feira, 4 de agosto de 2015

Brevemente


 






Não sei se é da irreverência e do desassossego constante, que me persegue em busca de nova figuração, o que sei é que vou, mais uma vez, desenhar compulsivamente, porque me conheço e irei descobrir outros caminhos, que é o procuro, para que se mantenha a chama ardente da paixão artística, razão para tanta entrega, neste meu querer, pois é o melhor que tenho para alcançar, com as forças que me acompanham, apesar de tantos percalços e eternos desencontros, mas só sei que a solução está em continuar e acreditar até ao fim. E eu não sou de desistir. Nunca.

 

 

Quando era miúdo li as cartas do Van Gogh, do que ficou, registo a paixão pelo trabalho que ele ia fazendo e, sobretudo, a verdade enquanto homem. Foi um daqueles livros que me marcou e definiu a minha personalidade: entrega às paixões. Uma paixão é um momento doentio de exaltação, que é fundamental para o equilíbrio da monotonia quase permanente dos dias. De paixão em paixão se faz uma vida. A minha também. A pintura é uma delas (para mim), e é, onde posso mostrar o meu silêncio. O resto pouco importa. O mercado é o que é. Importante é ir fazendo e mostrando, agora aberto ao mundo, mesmo que só pela imagem virtual.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras que um dia Georg Hegel disse:

 

“Nada de grande se realizou no mundo sem paixão. “

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Depois da pausa






Pinturas a mostrar em Barcelona no espaço Caravela, em C de Manso 13, a partir de 25 de agosto
 
 

 
 
Pinturas a mostrar em Leiria no Teatro José Lúcio da Silva, em setembro e outubro
 



Depois da pausa e quase em simultâneo duas exposições de pintura: uma em Barcelona num espaço sui generis, e outra num teatro em Leiria. É uma aposta fora dos circuitos normais, com outros públicos e outros propósitos. Preciso de gente que olhe para o meu trabalho. É tempo de chegar perto de tantos outros, pelos acasos e vias enviesadas, numa busca por caminhos cheios de gente nova, em contraponto ao usual do vazio das galerias tradicionais, onde poucos – quase sempre os mesmos- olham o que tanto custou a criar, com a paixão de sempre e a entrega do costume, que é o meu timbre, apesar dos silêncios e do correr dos dias sem eira nem beira, na contemporaneidade artística.

 

 

 

Dois eventos que apenas ilustram um pedaço da minha história pictórica, que hoje é mais conhecida não pela observação direta, mas pela internet, que dá uma ideia aproximada mas que só em presença física frente a frente se descobrem outras características, que os segredos da arte transportam consigo. Não sei, também, confesso, lidar com o tempo, nem com os meandros inerentes aos circuitos comerciais, nem mesmo com o estar na multidão, donde expor é raro. E mais não digo. A pintura diz o resto.

 

 

 

E vos deixo com as palavras que um dia Pablo Picasso disse:

 

“A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade.”

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Cores de verão

 
 





















Tomar, 2015
Festa dos Tabuleiros
 
 
 
 
Festa é sinónimo de alegria, cor, música e gostar de estar. Os dias tristes e os pensamentos negros ficam para outros momentos. Quando um homem quer, procura o que há de mais cativante e encontra na expressão popular o genuíno do viver, comungando tradições e sentimentos caracterizadores de um povo, que é o que nos faz situar num espaço e num tempo que amamos, mesmo quando dizemos que não. Como tudo.
 
Gosto muito da cidade de Tomar. Tem uma história com gente dentro. Infelizmente, como em quase todo o lado as pessoas são cada vez menos, até nos centros históricos, mas nos dias de festa tudo muda e o pulsar deste povo aparece, transformando os espaços vazios e silenciosos em vividos e acalorados encontros de gente, com o melhor que há no conviver. Felizmente.
 
 
 
E vos deixo com as palavras que um dia escreveu António Lobo Antunes, em 2006 no Jornal de Letras:
 
 
 
 
“ Cada vez gosto mais de ser português e cada vez tenho mais orgulho no meu país. É-me insuportável ouvir dizer «somos um país pequeno e periférico». Para mim Portugal é central e muito grande. “


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Espuma, simplesmente espuma

 


 

 
 
João Alfaro
“Carmina”, 2015
Pintura sobre tela de 80 x120 cm
 
 
 
Entre o desejo e a realidade; entre a verdade e a imaginação; entre o sentir e a ausência, as etapas se fazem. Em todos elas fica o propósito. Pelas melhores razões ou pelos caminhos da serpente. Há o possível e o fantasiado. O resto é espuma, simplesmente espuma.
 
 
Dos amores que a vida traz e leva fica sempre tanto do vivido, acreditado ou não. E tudo se consome, entre a espuma dos dias.
 
 
Do nada surge a hecatombe, porque o muito se disfarça nos silêncios e olhares longínquos, que me levam a tentar retratar uns e outros, neste meu modo de olhar o mundo e constatar quanto é doce e belo um gesto simples, umas palavras breves, uns olhares furtuitos, pequenos episódios dos nossos. O resto é espuma, simplesmente espuma.
 
 
 
E vos deixo com as palavras que um dia o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez disse:
 
 
“A vida de uma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda.”


terça-feira, 23 de junho de 2015

Poliedro da vida

 
 

 
 


 
Esta semana não vou falar da minha pintura. Quero mostrar outro lado do poliedro do meu viver. Se faço da arte pictórica um modo de estar em paixão constante, confesso que também partilho outros amores, que são apenas expressões lúdicas exigentes e salutares para o meu bem-estar. O exercício físico – hoje na moda - tornou-se viciante em mim. Dá-me aconchego e fruição nos domínios do corpo e do espírito. É agora já uma rotina semanal, com o encontro entre amigos das corridas por montes e vales, no propósito único de saber aproveitar a natureza e tirar partido do bem que é, com parcos recursos, manter o corpo e a mente sã, tanto quanto possível.
 
 
 
E de tanto gostar resolvi participar numa prova. E aqui estou feliz por ter estado, afinal, apenas num evento insignificante no contexto desportivo, mas muito enriquecedor no ego, de quem vê a prática desportiva como um modo saudável de viver em harmonia com o meio e o próprio corpo.
 
 
 
E vos deixo com as palavras do escritor Jean Giraudoux que um dia disse:
 
“O desporto é o único meio de conservar no homem as qualidades do homem primitivo.”


terça-feira, 16 de junho de 2015

O outro lado

 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
A singularidade cria, em cada um, uma identificação que se expressa de diferentes modos. Na pintura, o mais difícil é ter um estilo próprio reconhecido pelos pares e demais. O que acontece muito é a semelhança e não a diferença, entre a produção estética, da esmagadora maioria de artistas, porque há as modas e é tão fácil estar na mesma onda…. Ter uma expressividade que contemple a modernidade com a estética do belo, numa linguagem de fácil reconhecimento, é o cerne da questão e é, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles de muito boa gente. É preciso procurar muito e, só através do honesto trabalho persistente e do amor-próprio se pode chegar a algum lado. Quando se chega…
 
 O outro lado da arte é a identificação, divulgação e registo. Muitos são os processos que se usam para memória futura de todo o trabalho feito. Deixo aqui alguns dos procedimentos utilizados. Abandonei processos, porque, se o objetivo é mostrar ao maior número possível de pessoas o nosso trabalho, o melhor mesmo, nos dias de hoje, é fazer uso das novas tecnologias tão acessíveis e de alcance planetário. É, agora, o caminho que percorro, através, sobretudo, da blogosfera, o melhor meio, sem dúvida, de divulgação. E lá se foi o papel, os cadernos de apontamentos, as fotografias,  os catálogos e os CDs onde anotava tudo o que fazia, quando e como. Outros tempos...
 
 
 
E vos deixo com as palavras que Peter Ustinov disse um dia:
 
“ Comunicação é a arte de ser entendido.”

 


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Hino ao amor


 
 
 
João Alfaro
“Catarina: A Grande”, 2015
Pintura sobre tela de 100x100 cm
 
 
Hoje é dia de Portugal. Para uns é apenas um feriado, para outros ainda significa comemorar um projeto épico de séculos. Entre a indiferença ou o gostar de viver e sentir este território com as suas gentes e a sua história quase milenar, há um abismo. Mas o que conta, realmente, é saber estar defendendo o que a consciência dita, segundo padrões de conduta, consciencializados por um longínquo modo de olhar o mundo e, querer participar nele levando os valores julgados maiores.
 
E dos amores que é feita a vida dos homens, amar e respeitar a criança é um dever sublime. Enorme. Felizmente imenso. E porque assim é, a minha pintura procura descrever este espaço territorial onde estou inserido, sem sofismas, apenas e só, mostrando os encantos que a beleza humana transporta, e neles, o olhar de uma criança é, seguramente, um raio de luz que nos conduz para o futuro, com a esperança de dias melhores e a continuação da transmissão dos valores que tanto nos deveria orgulhar.
 
 
 
E vos deixo com a poesia de Fernando Pessoa:

 


 
“A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou.

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.”