terça-feira, 23 de junho de 2015

Poliedro da vida

 
 

 
 


 
Esta semana não vou falar da minha pintura. Quero mostrar outro lado do poliedro do meu viver. Se faço da arte pictórica um modo de estar em paixão constante, confesso que também partilho outros amores, que são apenas expressões lúdicas exigentes e salutares para o meu bem-estar. O exercício físico – hoje na moda - tornou-se viciante em mim. Dá-me aconchego e fruição nos domínios do corpo e do espírito. É agora já uma rotina semanal, com o encontro entre amigos das corridas por montes e vales, no propósito único de saber aproveitar a natureza e tirar partido do bem que é, com parcos recursos, manter o corpo e a mente sã, tanto quanto possível.
 
 
 
E de tanto gostar resolvi participar numa prova. E aqui estou feliz por ter estado, afinal, apenas num evento insignificante no contexto desportivo, mas muito enriquecedor no ego, de quem vê a prática desportiva como um modo saudável de viver em harmonia com o meio e o próprio corpo.
 
 
 
E vos deixo com as palavras do escritor Jean Giraudoux que um dia disse:
 
“O desporto é o único meio de conservar no homem as qualidades do homem primitivo.”


terça-feira, 16 de junho de 2015

O outro lado

 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
A singularidade cria, em cada um, uma identificação que se expressa de diferentes modos. Na pintura, o mais difícil é ter um estilo próprio reconhecido pelos pares e demais. O que acontece muito é a semelhança e não a diferença, entre a produção estética, da esmagadora maioria de artistas, porque há as modas e é tão fácil estar na mesma onda…. Ter uma expressividade que contemple a modernidade com a estética do belo, numa linguagem de fácil reconhecimento, é o cerne da questão e é, sem dúvida, o calcanhar de Aquiles de muito boa gente. É preciso procurar muito e, só através do honesto trabalho persistente e do amor-próprio se pode chegar a algum lado. Quando se chega…
 
 O outro lado da arte é a identificação, divulgação e registo. Muitos são os processos que se usam para memória futura de todo o trabalho feito. Deixo aqui alguns dos procedimentos utilizados. Abandonei processos, porque, se o objetivo é mostrar ao maior número possível de pessoas o nosso trabalho, o melhor mesmo, nos dias de hoje, é fazer uso das novas tecnologias tão acessíveis e de alcance planetário. É, agora, o caminho que percorro, através, sobretudo, da blogosfera, o melhor meio, sem dúvida, de divulgação. E lá se foi o papel, os cadernos de apontamentos, as fotografias,  os catálogos e os CDs onde anotava tudo o que fazia, quando e como. Outros tempos...
 
 
 
E vos deixo com as palavras que Peter Ustinov disse um dia:
 
“ Comunicação é a arte de ser entendido.”

 


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Hino ao amor


 
 
 
João Alfaro
“Catarina: A Grande”, 2015
Pintura sobre tela de 100x100 cm
 
 
Hoje é dia de Portugal. Para uns é apenas um feriado, para outros ainda significa comemorar um projeto épico de séculos. Entre a indiferença ou o gostar de viver e sentir este território com as suas gentes e a sua história quase milenar, há um abismo. Mas o que conta, realmente, é saber estar defendendo o que a consciência dita, segundo padrões de conduta, consciencializados por um longínquo modo de olhar o mundo e, querer participar nele levando os valores julgados maiores.
 
E dos amores que é feita a vida dos homens, amar e respeitar a criança é um dever sublime. Enorme. Felizmente imenso. E porque assim é, a minha pintura procura descrever este espaço territorial onde estou inserido, sem sofismas, apenas e só, mostrando os encantos que a beleza humana transporta, e neles, o olhar de uma criança é, seguramente, um raio de luz que nos conduz para o futuro, com a esperança de dias melhores e a continuação da transmissão dos valores que tanto nos deveria orgulhar.
 
 
 
E vos deixo com a poesia de Fernando Pessoa:

 


 
“A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou.

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.”


 
 
 


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia da criança

 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Catarina: A Grande”
Pintura sobre tela de 100x100 cm ( em construção)
 
 
 
Do melhor que este mundo tem, certamente, o encanto fascinante da adoração por uma criança é, por si só, o maior de todos. Elas são a razão para que a vida tenha algum significado, e o futuro seja um olhar para depois de nós. Só assim faz sentido gostar tanto de amar os filhos. É um elo para todo o sempre, com as variáveis que o destino comporta, nas lembranças felizes e nas inevitáveis tragédias. Nem tudo é fácil, mas a inocência, a descoberta e o olhar de um pedaço de nós que quisemos criar, é a expressão máxima de que a vida é bela, quando os nossos olhos se cruzam e neles depositamos todos os nossos sonhos.
 
 
“Catarina: A Grande” é um retrato de uma criança que merece o melhor dos mundos, se os adultos souberem construir o futuro.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Louis Pasteur, biólogo francês do século XIX, que disse um dia:
 
“Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser.“
 
 
 

terça-feira, 26 de maio de 2015

O futuro já foi ontem

 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Catarina, A Grande”, 2015 (em construção)
Pintura sobre tela de 100x100 cm
 
 
No interminável procurar, o caminho se faz, umas vezes com as certezas do costume e, quase sempre, com dúvidas constantes. Com avanços (quando os há) e intermináveis desencontros vou percorrendo a via que me dá alento, encanto e vontade férrea de prosseguir na fantasia de criar obras, que sejam apelativas e contribuam para os valores maiores, essência desde caldo cultural europeu, onde tenho prazer em viver. Felizmente. Gosto do modo de vida, onde há de tudo e liberdade quanto baste. Tenho orgulho no passado deste povo e espero que o amanhã seja o continuar na senda certa, longe das utopias devastadoras e da amálgama demagógica de uns quantos, que querem comparar o que não é comparável, nem igualar o que é bem diferente. O futuro, esse, já foi ontem.
 
“Catarina, A Grande” é um simples retrato de uma criança que, como todas as crianças se espera, na idade adulta, grandiosidade nas atitudes para a valorização continuada da civilização que nos trouxe até aqui.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Sigmund Freud que disse um dia:
 
 
 
“ A renúncia progressiva dos instintos parece ser um dos fundamentos do desenvolvimento da civilização humana. “


terça-feira, 19 de maio de 2015

Local de trabalho

 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

No cirandar da procura, hoje quero ir por um caminho, amanhã talvez… por outro. Sou assim. Sempre serei. Tenho tantos projetos pictóricos que ficam pela rama, encostados nos perdidos recantos, onde as telas se entrecruzam e revelam as muitas vias do querer contar plasticamente como é trabalhar, e nada mais importa, mesmo que o silêncio seja permanente.
 
 
 
O aconchego do espaço, com a música e o sublime vazio do estar fazem milagres, na conjugação do fazer mais hoje que ontem. É o costume, com a rotina da sucessão dos dias e dos sonhares, também, ou não fosse tudo uma esperança de dias melhores. Até na arte.

 
 Hoje recordo as palavras de um pintor por quem tenho um apreço enorme, tendo até (para ver as suas obras), feito duas viagens (uma de comboio e outra de avião), ou não fosse o acreditar na significância dos valores maiores da arte, razão, para este meu interesse e apego, levando-me a ir a exposições distantes, com os inconvenientes do costume... Edward Hooper, pintor americano do início do século XX que, contra a corrente temática dominante no seu tempo, fez uma obra deslumbrante sobre a inquietação do homem contemporâneo, disse um dia, estas palavras que tanto me comoveram:
 
“A pintura é uma gravação da emoção.”


terça-feira, 12 de maio de 2015

São pétalas senhora



 
 
 
João Alfaro
“Flora”, 2015
Pintura sobre tela de 80 x120 cm
 





Chegou ao fim mais um trabalho, que é, como tudo o que faço nas artes plásticas, carregado de emoção e transparência. Procuro que o prazer seja constante, porque a razão maior é sempre tirar partido do que se faz, e tanto melhor se o gostar seja alento. Nos caminhos entroncados e, quantas vezes, incompreendidos, o melhor mesmo é continuar na senda da crença e da determinação. O resto pouco importa, porque os dias ora são de sol ou de chuva.

 

E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa:

 

“Qualquer caminho leva a toda a parte.

 Qualquer ponto é o centro do infinito.”