terça-feira, 19 de maio de 2015

Local de trabalho

 
 
 
 
 
 

 
 
 
 

No cirandar da procura, hoje quero ir por um caminho, amanhã talvez… por outro. Sou assim. Sempre serei. Tenho tantos projetos pictóricos que ficam pela rama, encostados nos perdidos recantos, onde as telas se entrecruzam e revelam as muitas vias do querer contar plasticamente como é trabalhar, e nada mais importa, mesmo que o silêncio seja permanente.
 
 
 
O aconchego do espaço, com a música e o sublime vazio do estar fazem milagres, na conjugação do fazer mais hoje que ontem. É o costume, com a rotina da sucessão dos dias e dos sonhares, também, ou não fosse tudo uma esperança de dias melhores. Até na arte.

 
 Hoje recordo as palavras de um pintor por quem tenho um apreço enorme, tendo até (para ver as suas obras), feito duas viagens (uma de comboio e outra de avião), ou não fosse o acreditar na significância dos valores maiores da arte, razão, para este meu interesse e apego, levando-me a ir a exposições distantes, com os inconvenientes do costume... Edward Hooper, pintor americano do início do século XX que, contra a corrente temática dominante no seu tempo, fez uma obra deslumbrante sobre a inquietação do homem contemporâneo, disse um dia, estas palavras que tanto me comoveram:
 
“A pintura é uma gravação da emoção.”


terça-feira, 12 de maio de 2015

São pétalas senhora



 
 
 
João Alfaro
“Flora”, 2015
Pintura sobre tela de 80 x120 cm
 





Chegou ao fim mais um trabalho, que é, como tudo o que faço nas artes plásticas, carregado de emoção e transparência. Procuro que o prazer seja constante, porque a razão maior é sempre tirar partido do que se faz, e tanto melhor se o gostar seja alento. Nos caminhos entroncados e, quantas vezes, incompreendidos, o melhor mesmo é continuar na senda da crença e da determinação. O resto pouco importa, porque os dias ora são de sol ou de chuva.

 

E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa:

 

“Qualquer caminho leva a toda a parte.

 Qualquer ponto é o centro do infinito.”
 


domingo, 3 de maio de 2015

Mostrar


 

 





 
 
 
 

 
 
 
 
Exposição da Entroncartes, Associação de Artistas
 
 

 

É o tempo do aparecer. Do mostrar. Da verdade ou da hipocrisia. Do estar. De uns e de outros. Confesso que cada mais detesto aparecer, por muito frágil e apagada que seja a luz da ribalta, porque o meu viver é, agora, tão curto que cada instante só merece ter um fim justificável, que seja consentâneo com os interesses das artes plásticas, a razão maior para aparecer aqui ou ali.

 

O que move e desperta interesse, nos dias de hoje, por todo o lado,  é um ou outro evento mobilizador, bem distante daquilo que faço e que tanto me apaixona.  Confesso (aqui me confesso muitas vezes), a pintura é um grandiloquente percurso de estar e viver, tão afastado do que aproxima as multidões, todavia, pouco me importa, embora seja amargurante, depois de tanta entrega e de tanto trabalho, constatar que o resultado final é quase sempre o mesmo: um sentimento de vazio.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, in “Poemas” que um dia disse:

 

“Vale a Pena Sentir para ao Menos Deixar de Sentir”
 
 


terça-feira, 28 de abril de 2015

Labiríntico procurar

 
 
 
 
 
 
 
Esta imagem revela um pedaço do meu paraíso, que é o meu novo espaço de trabalho, onde, na procura pictórica, os dias se tornam diferentes e aliciantes, graças à magia da pintura.
 
 
 
Todos. Mas mesmo todos procuramos a vida inteira, pelas certezas. É o que eu faço aqui, nesta caminhada pictórica, em que os dias são uma busca pela beleza estética que traduzam criatividade como alento, para que tudo tenha significado diferenciado, e não se reduza a um continuado viver dos dias sempre iguais. É na pintura que encontro um desejo ardente de transformar o marasmo dos dias, num épico querer de descoberta. O fascinante é continuar a procurar, mesmo sabendo quão difícil é vencer os obstáculos da hipocrisia e dos múltiplos interesses, que, apesar de distantes dos conceitos artísticos mandam com a altivez e a arrogância. No labiríntico procurar, vou produzindo, sempre, para encontrar o âmago do prazer pelo prazer. O resto pouco me interessa. O que quero mesmo é pintar.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Henry Miller que disse um dia:
 
“Um artista é, antes de mais nada, uma pessoa que tem fé em si mesma.”


segunda-feira, 20 de abril de 2015

A música é outra




 
 
 
 
João Alfaro
“Flora”, 2015
Pintura sobre tela de 80x120 cm (em construção)
 
 
 
 
Sou um apaixonado por certas melodias, porque fazem parte do preenchimento dos meus dias, na solitária vivência da produção pictórica. A grande música está sempre comigo, enquanto pinto, porque me deixo envolver pela harmonia dos sons, com que me identifico e me satisfazem pela magia e transcendência. É a minha música, com o acerto rítmico e as propriedades que encontro nas opções musicais que são só minhas. Detesto outras sonoridades, porque não consigo gostar do que não me envolve e, confesso, fora do meu espaço, raro é o momento onde oiço outros ouvindo a “minha” música. Mas do que gosto eu? Vagueio por uma infinidade de opções musicais onde sobressaem tantos e tantos: Dmitri Shostakovich, Gluck, Camile Saint-Saens, Chopin, Elgar e tantos outros, mais as vozes que me transportam para outros mundos como a Callas, a Amália, Rolando Villazon, Diego Florez e outras vozes também, como sejam as de José Afonso ou Chico Buarque.
 
É com a companhia sonora de tantos que os dias passam, sempre na procura da obra maior na pintura, num tempo que está tão distante do que gostaria de viver, mas eu sou apenas um grão de matéria, numa avalanche de referências onde uns são mais iguais que outros.





“Flora” é mais uma pintura que se inscreve na temática que agora desenvolvo e que, como tudo o que pinto, é o retrato de um tempo e de um modo de viver e descrever um olhar sobre a condição humana, com o lado intimista a prevalecer.
 


 
E vos deixo com as palavras de Campoamor y Campoosorio, poeta espanhol que disse um dia:

 

“A música é a voz do infinito.”


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Histórias sem história

 
 
 



 
 

João Alfaro
“Medusa”, 2015
Pintura sobre tela de 120 x 80 cm
 
 
As histórias de vida são muitas e todas diferentes, no entanto, quase genericamente sem história, melhor dizendo: sem nada de relevante e distinto, que faça com que haja um interesse por um ou outro episódio, que marque e distinga da espuma dos dias, que é o normal nos repetitivos modos de viver e conviver. Mas acontecem tantas coisas que trazem consigo as angústias, os choros continuados e a tristeza pelos sonhos perdidos, entre os dias cheios de sol, com episódios que fazem gostar de gostar disto e daquilo. Todavia é o comum. Acontece a toda a gente, ou seja: vidas banais em que uns são mais felizes do que outros, sem nada que mereça um olhar diferenciado sobre isto ou sobre aquilo. Contudo cada momento é único, e, quando alguém olha pela janela, para o outro lado do seu aconchego, há um mundo diferente cheio de histórias por contar, que se perdem nas calendas, como quase tudo.
 
 
 
 
 
Recordo hoje as palavras de Alexis de Tocqueville, historiador e escritor francês do século XIX que um dia disse:
 
 
 
“A história é uma galeria de quadros onde há poucos originais e muitas cópias.”


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tudo gente do mesmo saco


 
 
 










 
 
 

João Alfaro

 

(Pintura a mostrar, talvez um dia, num espaço público digno e dignificador, se me deixarem...)
 
 
 
 
 Nada é como queremos. Nem nunca será. Reconheço. Os nossos propósitos são os interesses que desejamos e não o que outros querem. Depois disto só basta dizer que ando farto. É tudo gente do mesmo saco. Que se pode esperar? Mesmo perante as evidências, há quem negue a realidade, inventando artifícios e misturando tudo e toda a gente, para não se chegar a lado nenhum e ficar tudo na mesma. Triste sina. Estou cansado de chegar a tanto lado e encontrar os mesmos do costume: os do saco. Tudo gira segundo os preceitos que determinam. Nada sabem dos meandros culturais, mas decidem com a argumentação que lhes é peculiar: primeiro eles, depois os amigos, pois claro. E está tudo dito e decidido. Invertem as questões; desconhecem em absoluto os valores maiores da dimensão estética e contemporânea da criatividade; censuram e mandam com a altivez que os torna gente do Olimpo. Resta-me somente saber esperar e continuar, acreditando (ingenuamente) que um dia o saco ficará só com gente que sabe o que faz. Tudo isto porque, mais uma vez, ouvi um não, e foi outra porta que se fechou.

 

 
 

E vos deixo com as palavras de Giordano Bruno , filósofo italiano do século XVI que um dia disse:

 

“Ignorância e arrogância são duas irmãs inseparáveis, com um só corpo e alma.”