terça-feira, 28 de abril de 2015

Labiríntico procurar

 
 
 
 
 
 
 
Esta imagem revela um pedaço do meu paraíso, que é o meu novo espaço de trabalho, onde, na procura pictórica, os dias se tornam diferentes e aliciantes, graças à magia da pintura.
 
 
 
Todos. Mas mesmo todos procuramos a vida inteira, pelas certezas. É o que eu faço aqui, nesta caminhada pictórica, em que os dias são uma busca pela beleza estética que traduzam criatividade como alento, para que tudo tenha significado diferenciado, e não se reduza a um continuado viver dos dias sempre iguais. É na pintura que encontro um desejo ardente de transformar o marasmo dos dias, num épico querer de descoberta. O fascinante é continuar a procurar, mesmo sabendo quão difícil é vencer os obstáculos da hipocrisia e dos múltiplos interesses, que, apesar de distantes dos conceitos artísticos mandam com a altivez e a arrogância. No labiríntico procurar, vou produzindo, sempre, para encontrar o âmago do prazer pelo prazer. O resto pouco me interessa. O que quero mesmo é pintar.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Henry Miller que disse um dia:
 
“Um artista é, antes de mais nada, uma pessoa que tem fé em si mesma.”


segunda-feira, 20 de abril de 2015

A música é outra




 
 
 
 
João Alfaro
“Flora”, 2015
Pintura sobre tela de 80x120 cm (em construção)
 
 
 
 
Sou um apaixonado por certas melodias, porque fazem parte do preenchimento dos meus dias, na solitária vivência da produção pictórica. A grande música está sempre comigo, enquanto pinto, porque me deixo envolver pela harmonia dos sons, com que me identifico e me satisfazem pela magia e transcendência. É a minha música, com o acerto rítmico e as propriedades que encontro nas opções musicais que são só minhas. Detesto outras sonoridades, porque não consigo gostar do que não me envolve e, confesso, fora do meu espaço, raro é o momento onde oiço outros ouvindo a “minha” música. Mas do que gosto eu? Vagueio por uma infinidade de opções musicais onde sobressaem tantos e tantos: Dmitri Shostakovich, Gluck, Camile Saint-Saens, Chopin, Elgar e tantos outros, mais as vozes que me transportam para outros mundos como a Callas, a Amália, Rolando Villazon, Diego Florez e outras vozes também, como sejam as de José Afonso ou Chico Buarque.
 
É com a companhia sonora de tantos que os dias passam, sempre na procura da obra maior na pintura, num tempo que está tão distante do que gostaria de viver, mas eu sou apenas um grão de matéria, numa avalanche de referências onde uns são mais iguais que outros.





“Flora” é mais uma pintura que se inscreve na temática que agora desenvolvo e que, como tudo o que pinto, é o retrato de um tempo e de um modo de viver e descrever um olhar sobre a condição humana, com o lado intimista a prevalecer.
 


 
E vos deixo com as palavras de Campoamor y Campoosorio, poeta espanhol que disse um dia:

 

“A música é a voz do infinito.”


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 13 de abril de 2015

Histórias sem história

 
 
 



 
 

João Alfaro
“Medusa”, 2015
Pintura sobre tela de 120 x 80 cm
 
 
As histórias de vida são muitas e todas diferentes, no entanto, quase genericamente sem história, melhor dizendo: sem nada de relevante e distinto, que faça com que haja um interesse por um ou outro episódio, que marque e distinga da espuma dos dias, que é o normal nos repetitivos modos de viver e conviver. Mas acontecem tantas coisas que trazem consigo as angústias, os choros continuados e a tristeza pelos sonhos perdidos, entre os dias cheios de sol, com episódios que fazem gostar de gostar disto e daquilo. Todavia é o comum. Acontece a toda a gente, ou seja: vidas banais em que uns são mais felizes do que outros, sem nada que mereça um olhar diferenciado sobre isto ou sobre aquilo. Contudo cada momento é único, e, quando alguém olha pela janela, para o outro lado do seu aconchego, há um mundo diferente cheio de histórias por contar, que se perdem nas calendas, como quase tudo.
 
 
 
 
 
Recordo hoje as palavras de Alexis de Tocqueville, historiador e escritor francês do século XIX que um dia disse:
 
 
 
“A história é uma galeria de quadros onde há poucos originais e muitas cópias.”


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tudo gente do mesmo saco


 
 
 










 
 
 

João Alfaro

 

(Pintura a mostrar, talvez um dia, num espaço público digno e dignificador, se me deixarem...)
 
 
 
 
 Nada é como queremos. Nem nunca será. Reconheço. Os nossos propósitos são os interesses que desejamos e não o que outros querem. Depois disto só basta dizer que ando farto. É tudo gente do mesmo saco. Que se pode esperar? Mesmo perante as evidências, há quem negue a realidade, inventando artifícios e misturando tudo e toda a gente, para não se chegar a lado nenhum e ficar tudo na mesma. Triste sina. Estou cansado de chegar a tanto lado e encontrar os mesmos do costume: os do saco. Tudo gira segundo os preceitos que determinam. Nada sabem dos meandros culturais, mas decidem com a argumentação que lhes é peculiar: primeiro eles, depois os amigos, pois claro. E está tudo dito e decidido. Invertem as questões; desconhecem em absoluto os valores maiores da dimensão estética e contemporânea da criatividade; censuram e mandam com a altivez que os torna gente do Olimpo. Resta-me somente saber esperar e continuar, acreditando (ingenuamente) que um dia o saco ficará só com gente que sabe o que faz. Tudo isto porque, mais uma vez, ouvi um não, e foi outra porta que se fechou.

 

 
 

E vos deixo com as palavras de Giordano Bruno , filósofo italiano do século XVI que um dia disse:

 

“Ignorância e arrogância são duas irmãs inseparáveis, com um só corpo e alma.”

 

 
 


segunda-feira, 30 de março de 2015

Caminhos escolhidos

 
 
 
 









 
 
 
João Alfaro
Pintura de 2014 e 2015
 
 
 
Não sei fazer outras coisas que me sejam tão apelativas, quanto o estar envolvido com a minha pintura, mesmo que o tempo passe e quase tudo fique na mesma, quanto ao residual alcance fruidor, que é obrigatoriamente, um propósito basilar na criação artística. Não se concebe só pelo ato em si, mas pelo desejo de expressar uma ideia, que é apenas um relato daquilo que se quer mostrar, num determinado momento. Quero tanto fazer que me descuido, com todos os outros meios necessários, para que o meu trabalho tenha outro alcance, mas, confesso, também, que agora, mais do que nunca, tenho uma ideia daquilo que é realmente importante, ou seja: pintar apenas e conviver. O resto virá um dia, se vier.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Paul Valéry que escreveu, in “ Pensamentos Maus e Outros”:
 
 
“O eu é odioso...mas trata-se do eu dos demais. “


segunda-feira, 23 de março de 2015

O mundo é pequeno

 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Catharina”, 2015
Pintura sobre tela de 100x100 cm
 

Agora que a informação é imediata e atravessa o planeta permitindo que, em todo o lado, se saiba no instante seguinte o que vai acontecendo, é tão fácil conhecer outras realidades e outras gentes. A possibilidade de trocar interesses comuns é hoje banal e as distâncias são medidas não em quilómetros, mas em tempo. Comunicar é fácil, juntando, assim, pessoas tão díspares, mas que a tecnologia aproxima pela maravilha do diálogo, que vence as fronteiras por mais longínquas que elas sejam. É o nosso tempo. O lado bom da ciência e do aproveitamento global de um conhecimento científico que junta pelas melhores razões, e que, no entanto, traz consigo inevitavelmente o lado negro das tragédias.
 
Nunca como agora conheci tantos artistas e tanta diversidade cultural, graças à simplicidade de chegar às fontes de informação e simultaneamente dialogar com elas. E foi por esta via que muitos hoje fazem parte do meu trabalho e que são a razão para muito do que faço. “Catharina” surgiu por um acaso, fruto, sobretudo, desta amalgama de contactos que aparecem surgidos do nada e que podem tanto mudar no nosso estar. Felizmente que os dias são, quantas vezes, agradáveis surpresas. Obrigado Catharina e Aline.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Robert Green Ingersoll que disse um dia:
 
“Não há nada no mundo, nem recompensa, nem castigo, o que há são consequências.”  


segunda-feira, 16 de março de 2015

Retratar II

 
 
 
 
 

 

 
 
 
João Alfaro
Aguarelas, 2004
 
 
 
Fascina-me a captação pela imagem criada plasticamente, de episódios que a memória leva, mas que o registo artístico mantem no tempo e na lembrança. Há momentos mais singulares que outros, recordáveis, e, por isso mesmo, contemplativos, que originaram trabalhos diferenciados, na minha obra. Hoje recordo, ao ver aguarelas pintadas no passado, gente que um dia fez parte dos caminhos por onde andei. E tanto mudou. Na vida deles e na minha. Apenas as aguarelas pintadas desses momentos estão iguais, para memória futura. Por isso gosto tanto de retratar, porque com a constante mudança que é a vida de cada um, olhar um instante e transformá-lo numa análise introspetiva é a continuação do eterno jogo do passado ligado ao presente e, com elos ao futuro, que é o propósito basilar da arte. De hoje e de sempre.
 
 
 
 
 
Termino recordando, hoje, as palavras de Oscar Wilde, que um dia disse:
 
 
“Todos nós, sem exceção, passamos a vida à procura do segredo da vida. Pois bem: o segredo da vida reside na arte.“