domingo, 7 de setembro de 2014

Há dias felizes

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

João Alfaro

 
Pinturas sobre tela em execução

 
 

 
 
 

Todos os dias aparecem as notícias que são já norma: desgraças e fatalidades com fartura. Entre os perigos reais e os imaginados os dias passam. Com a cabeça dentro da areia ou pensando nas questões caminhamos, ora sonhando com “libertárias” burkas, ora com apocalipses da natureza ou tormentas sem fim. Que venha o diabo, porque de santos ando eu farto. Sei é que nascem e morrem pessoas e sonhos. E há dias felizes. Também.

 

 

Porque não acredito nas preces nem nos santinhos e nas suas historietas de fantasiar, desta ou qualquer outra religião, me deixo levar por aquilo que há de mais sagrado em mim: o amor; porque é bom, maravilhosamente bom a esperança na vida; porque é encantador ver nascer e crescer quem nos conquista com ternura e afeto o coração; porque só com projetos acalentadores se consegue fazer mais e melhor, mesmo que outros digam que não; porque ainda não me deixei levar pelo desencanto, aguardo sempre ansioso, os novos raios de luz, ao quero conceber, quase diariamente, novos projetos. E amanhã é outro dia.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de José Luís Nunes Martins, in “Filosofias, 79 Reflexões”:

 

"Ninguém busca a felicidade, o que todos procuramos é uma razão para sermos felizes... por entre todas as que nos fazem sofrer."

 
 


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

A fantasia não morreu




 
“Banho II”: 1º dia.
Pintura sobre tela de 120x80 cm, em execução
 
 
 
“…Todo o tempo é composto de mudança….”
 
Luís de Camões.
 
 
 
 
Por muito que me custe aceitar o mundo muda, não de acordo com os meus valores, nem com a minha fantasia. Eu - confesso - deixo-me arrastar pela penúria do imaginário, onde o melhor possível acontece, sem as tragédias e os malfeitores do costume. É bom mergulhar nos caminhos do maravilhoso e do fantástico, contudo, muitas vezes, vejo um malfadado amanhã, porque sou sempre descrente e espero ruindade, mesmo quando estou bem. O melhor mesmo é, entre os pingos da chuva, ir andando e fantasiando com o meu ofício: a pintura.
 
 
 
 
 
Agora, mergulhado num novo projeto, ou seja: preparando uma exposição para 2015, composta, à partida, por dez telas de 120x80 cm, com a temática subordinada ao tema do nu feminino, procuro criar obras que sejam apelativas e que correspondam a um olhar sobre a condição da mulher, dentro das quatro paredes da solidão, onde a beleza e o encantamento falam mais alto, numa tentativa de captar os variados momentos das múltiplas interrogações e desejos que percorrem o pensamento feminino.
 
 
 
 

E vos deixo com as palavras de Anatole France:
 
 "Uma coisa sobretudo dá atração ao pensamento dos homens: a inquietação. Um espírito que não seja ansioso irrita-me ou aborrece-me."

 
 


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Paredes de vidro


 
 


 
 
 
 
João Alfaro
“Banho I”, 2014
Pintura sobre tela de 120x80 cm
 
 
São as figuras públicas e os outros também. Hoje, pelas redes sociais, tudo se sabe e transparece, com alguma verdade e mentiras sem destino. É fácil dizer tudo de todos, e, do mesmo modo, qualquer um se expõe dizendo de si e dos seus. No limite, o direito à privacidade não faz sentido, quando enquadrado em contextos apelativos quanto à intimidade de cada um. Venha o diabo e escolha. Está tudo ligado. Todos sabem de todos. E de quase tudo. É o século XXI.
 
O que ontem era escandaloso, hoje é aceite sem manifestações contestatárias. Aqui. Do outro lado do mundo é bem diferente, mas aqui, no nosso cantinho, as normas são o que são, e os costumes o nosso saber viver, com mais ou menos censura nas posturas sociais. Mas nada importa. Tudo passa tão depressa e tantas coisas acontecem, que a memória se vai na hecatombe dos eventos. Tudo é espuma. Menos a arte do desejo.
 
“Banho I” é a primeira pintura de uma série em que a temática se debruça sobre a intimidade, que é comum a todos, mas que, no entanto, quando exposta, em paredes de vidro, a crítica da moral e dos bons costumes tem o lápis azul como referente máximo, ou não fosse a hipocrisia um modo de estar, mesmo em tempo de modernidade.
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Laurence Sterne que escreveu um dia:
 
"A censura é o imposto da inveja sobre o mérito."
 


sábado, 16 de agosto de 2014

Um ano depois

 
 
 


 
 
 
 
 
 

“Ofélia”, 2004
Aguarela sobre papel Canson, 30x30 cm
 
 
Os dias correm uns após outros e, quase sempre, com as rotinas do costume. Tudo parece igual hoje, como ontem foi e amanhã será o mesmo. Talvez. Talvez, porque, de um instante para o outro, tudo pode mudar. Da melancólica observância do nascer ao poente dos dias, basta um breve e inesperado episódio para marcar a diferença. Definitivamente. Foi assim, faz agora um ano. Na porta ao lado, nunca mais haverá o brilho esplendoroso nos olhares dado pela luz da felicidade. Resta a eterna lembrança. Sofrida. E muito. Como é trágica a amplitude dos amores que partem.
 
 
 
E vos deixo com "Hino ao amor", aqui, orquestrada por Andre Rieu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


domingo, 10 de agosto de 2014

Um homem não é de ferro



 
 
 
 
 

Um homem não é de ferro. Há mais mundo para descobrir. E conviver também. Por muito que goste, agora o calor muda os comportamentos, e a pintura fica para depois. Todos os dias o que mais quero é criar novas propostas pictóricas, como se fosse o único modo de dizer que ando por aqui. Mas tenho os amigos do costume e os prazeres de sempre. Quer uns, quer outros me afastam da obsessão de mais pintar. E o tempo passa. Outra obsessão: o tempo; que tenho, que me resta e o que já lá vai. Por isso procuro aproveitar ao máximo cada instante, como se fosse o último, com os prazeres possíveis.

 

 

Fiquem bem, nestes dias de sol que chegou finalmente para aquecer a alma e acalentar outros projetos e outros sonhos, porque a vida é breve.

 

 

 

E vos deixo com a música que faz parte dos meus deleites. Hoje, depois de mais um treino matinal, por matas e vales, como semanalmente, e esperando a hora para o convívio com outros amigos, para outro evento, lembrei-me da genialidade de EriK Satie e “Gymnopédie Nº 1".

 
 

 


domingo, 27 de julho de 2014

Pausa

  



João Alfaro
“Pausa”, 2014
Pintura sobre tela de 120 x 80 cm
 
 
 
É tempo de pausa. De verão… se o sol deixar. Agora. Entre a incerteza dos dias que aquecem ou deixam infelizes quem não encontra os prazeres do solstício, há os momentos de acalmia, longe das tragédias do costume e dos episódios gananciosos que enchem as notícias semanais. Estendidos na praia, nos privados aconchegos ou senhores do seu destino, uns e outros procuram o mesmo: tranquilidade.
 
 
 
Retratar a vida de momentos comuns, mas especiais ou momentaneamente saborosos, é o meu propósito, como forma de ilustrar a verdade vivida e sentida, apesar de rotineira, porque, por muitas voltas que o mundo dê; por muitas diferenças que haja; por muito que nos separe, o melhor mesmo é saber estar. E, porque não sei resolver as tragédias do mundo, nem as injustiças dos homens, resta-me olhar para dentro de mim: pintando.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Lucius Seneca:
 
"Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje."


domingo, 20 de julho de 2014

Magia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
 
 
Pintura em construção, 2014
 
 
 
 
 
 
 
Há coisas que gostamos de fazer. E muito. Tarefas mil, contudo, obrigam-nos a conceber rotinas cansativas, pouco ou nada interessantes; por isso, gostamos, momentaneamente, de “fugir” para momentos de criação e lazer, para que os dias tenham algum sentido construtivo.

 Quando se assiste, por exemplo, à realização de uma pintura – porque a sua finalização é sempre aleatória e subjetiva -, dado que pintar não é propriamente um uso vulgarizado, e, porque encerra em si -  como todas as artes - o melhor que há na fruição dos sentidos, suscitando curiosidade em saber como vai evoluir a obra e como acaba, há sempre uma onda expectante, nos mirones, de ocasião, se os houver...Ver as diferentes fases e hipoteticamente os segredos ou métodos que cada um dos criadores utiliza, transporta consigo a magia da descoberta. Há, assim, um misto de fascínio, inveja e desencanto. É admirável observar como, com recursos limitados, se constrói um imaginário plástico que nos leva para outras paragens, para outros destinos, para outras vidas; é de invejar quando se percebe que uns são mais capazes que outros, mercê da entrega e das oportunidades geradas, chegando muito longe. É, pelo contrário, um desencanto, quando se vê que apesar de tanto sacrifício não se consegue fazer um trabalho válido e sustentável, reconhecidamente .  Enfim, com artes mágicas ou sem elas os dias passam e as obras nascem para que outros julguem, com sonoridade ou eternamente esquecidas num qualquer canto. Como acontece muito. Aqui e em todo o lado. Sempre.
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Albert Einstein, in " Como Vejo o Mundo":
 
 
 
 
"O que há de mais belo na nossa vida é o sentimento do mistério. É este o sentimento fundamental que se detém junto ao berço da verdadeira arte e da ciência."