sábado, 16 de agosto de 2014

Um ano depois

 
 
 


 
 
 
 
 
 

“Ofélia”, 2004
Aguarela sobre papel Canson, 30x30 cm
 
 
Os dias correm uns após outros e, quase sempre, com as rotinas do costume. Tudo parece igual hoje, como ontem foi e amanhã será o mesmo. Talvez. Talvez, porque, de um instante para o outro, tudo pode mudar. Da melancólica observância do nascer ao poente dos dias, basta um breve e inesperado episódio para marcar a diferença. Definitivamente. Foi assim, faz agora um ano. Na porta ao lado, nunca mais haverá o brilho esplendoroso nos olhares dado pela luz da felicidade. Resta a eterna lembrança. Sofrida. E muito. Como é trágica a amplitude dos amores que partem.
 
 
 
E vos deixo com "Hino ao amor", aqui, orquestrada por Andre Rieu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


domingo, 10 de agosto de 2014

Um homem não é de ferro



 
 
 
 
 

Um homem não é de ferro. Há mais mundo para descobrir. E conviver também. Por muito que goste, agora o calor muda os comportamentos, e a pintura fica para depois. Todos os dias o que mais quero é criar novas propostas pictóricas, como se fosse o único modo de dizer que ando por aqui. Mas tenho os amigos do costume e os prazeres de sempre. Quer uns, quer outros me afastam da obsessão de mais pintar. E o tempo passa. Outra obsessão: o tempo; que tenho, que me resta e o que já lá vai. Por isso procuro aproveitar ao máximo cada instante, como se fosse o último, com os prazeres possíveis.

 

 

Fiquem bem, nestes dias de sol que chegou finalmente para aquecer a alma e acalentar outros projetos e outros sonhos, porque a vida é breve.

 

 

 

E vos deixo com a música que faz parte dos meus deleites. Hoje, depois de mais um treino matinal, por matas e vales, como semanalmente, e esperando a hora para o convívio com outros amigos, para outro evento, lembrei-me da genialidade de EriK Satie e “Gymnopédie Nº 1".

 
 

 


domingo, 27 de julho de 2014

Pausa

  



João Alfaro
“Pausa”, 2014
Pintura sobre tela de 120 x 80 cm
 
 
 
É tempo de pausa. De verão… se o sol deixar. Agora. Entre a incerteza dos dias que aquecem ou deixam infelizes quem não encontra os prazeres do solstício, há os momentos de acalmia, longe das tragédias do costume e dos episódios gananciosos que enchem as notícias semanais. Estendidos na praia, nos privados aconchegos ou senhores do seu destino, uns e outros procuram o mesmo: tranquilidade.
 
 
 
Retratar a vida de momentos comuns, mas especiais ou momentaneamente saborosos, é o meu propósito, como forma de ilustrar a verdade vivida e sentida, apesar de rotineira, porque, por muitas voltas que o mundo dê; por muitas diferenças que haja; por muito que nos separe, o melhor mesmo é saber estar. E, porque não sei resolver as tragédias do mundo, nem as injustiças dos homens, resta-me olhar para dentro de mim: pintando.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Lucius Seneca:
 
"Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje."


domingo, 20 de julho de 2014

Magia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
 
 
Pintura em construção, 2014
 
 
 
 
 
 
 
Há coisas que gostamos de fazer. E muito. Tarefas mil, contudo, obrigam-nos a conceber rotinas cansativas, pouco ou nada interessantes; por isso, gostamos, momentaneamente, de “fugir” para momentos de criação e lazer, para que os dias tenham algum sentido construtivo.

 Quando se assiste, por exemplo, à realização de uma pintura – porque a sua finalização é sempre aleatória e subjetiva -, dado que pintar não é propriamente um uso vulgarizado, e, porque encerra em si -  como todas as artes - o melhor que há na fruição dos sentidos, suscitando curiosidade em saber como vai evoluir a obra e como acaba, há sempre uma onda expectante, nos mirones, de ocasião, se os houver...Ver as diferentes fases e hipoteticamente os segredos ou métodos que cada um dos criadores utiliza, transporta consigo a magia da descoberta. Há, assim, um misto de fascínio, inveja e desencanto. É admirável observar como, com recursos limitados, se constrói um imaginário plástico que nos leva para outras paragens, para outros destinos, para outras vidas; é de invejar quando se percebe que uns são mais capazes que outros, mercê da entrega e das oportunidades geradas, chegando muito longe. É, pelo contrário, um desencanto, quando se vê que apesar de tanto sacrifício não se consegue fazer um trabalho válido e sustentável, reconhecidamente .  Enfim, com artes mágicas ou sem elas os dias passam e as obras nascem para que outros julguem, com sonoridade ou eternamente esquecidas num qualquer canto. Como acontece muito. Aqui e em todo o lado. Sempre.
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Albert Einstein, in " Como Vejo o Mundo":
 
 
 
 
"O que há de mais belo na nossa vida é o sentimento do mistério. É este o sentimento fundamental que se detém junto ao berço da verdadeira arte e da ciência."
 


domingo, 13 de julho de 2014

Identificação

 
 





João Alfaro

 
“Ebelina”, 2014

 
Pintura sobre tela, 80x80cm

 

 

 

 
Cada país tem uma árvore genealógica dos seus e, estes mudam os nomes próprios, com as modas do tempo. Agora é chegado o momento das Soraias, Cátias, Carolinas, Bárbaras, Brunas e muitos outros nomes que ultrapassaram o oceano e de terras de Santa Cruz, por influência das telenovelas e do multiculturalismo, dos dias de hoje, fazem esquecer as Diamantinas, Irenes, Miquelinas, e Ambrósias que eram tão vulgares no início do século XX.

 

 

Cada tela tem um título. Para fugir ao usual, dos dias de hoje, e porque a Grécia é para mim um fascínio cultural, gosto de ir buscar ao passado helénico nomes para as minhas pinturas. Depois, por  um processo -digamos-  de aculturação, a identificação as minhas obras, fica longe das Joanas, Linas, Danielas, Márcias, Paulas, Tânias, Anas, Flávios os verdadeiros nomes de alguns dos meus modelos.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de John Lennon que disse um dia:

 

 

"Não precisas que ninguém te diga quem tu és ou o que és. Tu és aquilo que és!"

sábado, 5 de julho de 2014

Metamorfose

  
 





 
 
João Alfaro
 
"Jéssica II", 2014
 
Pintura sobre tela de 80x80 cm







Tudo muda. Hoje o céu está lindo, o dia parece propício ao contemplar das belezas da natureza. Amanhã pode chover, e, de sorridentes devaneios solarengos, nada mais resta que suportar a intempérie quando acontece. Com as nossas vidas é o mesmo: nada fica igual para sempre. A metamorfose é uma constante, neste olhar o circundante e os seus desfechos. Hoje uma cara linda, um corpo belo, e depois o que a natureza reserva ao envelhecimento. De mudança em mudança se fazem os dias, umas vezes sabendo viver o que há de mais belo para admirar, outras não querendo realçar o óbvio. Tanta contrariedade, tanta angústia nas coisas simples. Tanto fantasiar em inconveniências sem significado. Olhar com olhos de ver é preciso, porque tudo muda, até o sonhar.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Mohandas Gandhi que disse um dia:

 

 

"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver."

 
 
 
 
 

Andar ao colo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro

 “Ao colo”, 2014

 Pintura sobre tela, 100 x 60 cm
 
 
 
 
 
 
 
Agora é só futebol. Mas eu não morro de amores. Dos pontapés na bola, claro. Do que gosto é da companhia que o futebol me dá. Do convívio. Das saudáveis loucuras. Do tempo consumido na cavaqueira do falar barato. Apenas e só. Dos amores maiores tenho dois ou três. Um deles, sem dúvida, é a pintura. Vivo querendo esgotar-me pintando. Não sei explicar esta entrega. É apenas uma mistura de paixão latente que os anos não consomem, e, um caminhar sem outro destino. Enfim, entrega por um ocaso. Apenas isso e mais nada. Das limitações que a realidade me vislumbra, permanece este querer contínuo de dar significado aos dias, como se a ilustração fosse um modo de andar ao colo com um desígnio, que, só eu sou signatário, ou não fosse o sonho uma aventura de muitas luas e poucos vislumbres.
 
 
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de John Lennon:
 
 
 
 
"Não interessa quem tu amas, onde é que amas, porque é que amas, quando é que amas ou como é que amas, o que interessa é que amas."