domingo, 27 de julho de 2014

Pausa

  



João Alfaro
“Pausa”, 2014
Pintura sobre tela de 120 x 80 cm
 
 
 
É tempo de pausa. De verão… se o sol deixar. Agora. Entre a incerteza dos dias que aquecem ou deixam infelizes quem não encontra os prazeres do solstício, há os momentos de acalmia, longe das tragédias do costume e dos episódios gananciosos que enchem as notícias semanais. Estendidos na praia, nos privados aconchegos ou senhores do seu destino, uns e outros procuram o mesmo: tranquilidade.
 
 
 
Retratar a vida de momentos comuns, mas especiais ou momentaneamente saborosos, é o meu propósito, como forma de ilustrar a verdade vivida e sentida, apesar de rotineira, porque, por muitas voltas que o mundo dê; por muitas diferenças que haja; por muito que nos separe, o melhor mesmo é saber estar. E, porque não sei resolver as tragédias do mundo, nem as injustiças dos homens, resta-me olhar para dentro de mim: pintando.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Lucius Seneca:
 
"Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje."


domingo, 20 de julho de 2014

Magia

 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
 
 
Pintura em construção, 2014
 
 
 
 
 
 
 
Há coisas que gostamos de fazer. E muito. Tarefas mil, contudo, obrigam-nos a conceber rotinas cansativas, pouco ou nada interessantes; por isso, gostamos, momentaneamente, de “fugir” para momentos de criação e lazer, para que os dias tenham algum sentido construtivo.

 Quando se assiste, por exemplo, à realização de uma pintura – porque a sua finalização é sempre aleatória e subjetiva -, dado que pintar não é propriamente um uso vulgarizado, e, porque encerra em si -  como todas as artes - o melhor que há na fruição dos sentidos, suscitando curiosidade em saber como vai evoluir a obra e como acaba, há sempre uma onda expectante, nos mirones, de ocasião, se os houver...Ver as diferentes fases e hipoteticamente os segredos ou métodos que cada um dos criadores utiliza, transporta consigo a magia da descoberta. Há, assim, um misto de fascínio, inveja e desencanto. É admirável observar como, com recursos limitados, se constrói um imaginário plástico que nos leva para outras paragens, para outros destinos, para outras vidas; é de invejar quando se percebe que uns são mais capazes que outros, mercê da entrega e das oportunidades geradas, chegando muito longe. É, pelo contrário, um desencanto, quando se vê que apesar de tanto sacrifício não se consegue fazer um trabalho válido e sustentável, reconhecidamente .  Enfim, com artes mágicas ou sem elas os dias passam e as obras nascem para que outros julguem, com sonoridade ou eternamente esquecidas num qualquer canto. Como acontece muito. Aqui e em todo o lado. Sempre.
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Albert Einstein, in " Como Vejo o Mundo":
 
 
 
 
"O que há de mais belo na nossa vida é o sentimento do mistério. É este o sentimento fundamental que se detém junto ao berço da verdadeira arte e da ciência."
 


domingo, 13 de julho de 2014

Identificação

 
 





João Alfaro

 
“Ebelina”, 2014

 
Pintura sobre tela, 80x80cm

 

 

 

 
Cada país tem uma árvore genealógica dos seus e, estes mudam os nomes próprios, com as modas do tempo. Agora é chegado o momento das Soraias, Cátias, Carolinas, Bárbaras, Brunas e muitos outros nomes que ultrapassaram o oceano e de terras de Santa Cruz, por influência das telenovelas e do multiculturalismo, dos dias de hoje, fazem esquecer as Diamantinas, Irenes, Miquelinas, e Ambrósias que eram tão vulgares no início do século XX.

 

 

Cada tela tem um título. Para fugir ao usual, dos dias de hoje, e porque a Grécia é para mim um fascínio cultural, gosto de ir buscar ao passado helénico nomes para as minhas pinturas. Depois, por  um processo -digamos-  de aculturação, a identificação as minhas obras, fica longe das Joanas, Linas, Danielas, Márcias, Paulas, Tânias, Anas, Flávios os verdadeiros nomes de alguns dos meus modelos.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de John Lennon que disse um dia:

 

 

"Não precisas que ninguém te diga quem tu és ou o que és. Tu és aquilo que és!"

sábado, 5 de julho de 2014

Metamorfose

  
 





 
 
João Alfaro
 
"Jéssica II", 2014
 
Pintura sobre tela de 80x80 cm







Tudo muda. Hoje o céu está lindo, o dia parece propício ao contemplar das belezas da natureza. Amanhã pode chover, e, de sorridentes devaneios solarengos, nada mais resta que suportar a intempérie quando acontece. Com as nossas vidas é o mesmo: nada fica igual para sempre. A metamorfose é uma constante, neste olhar o circundante e os seus desfechos. Hoje uma cara linda, um corpo belo, e depois o que a natureza reserva ao envelhecimento. De mudança em mudança se fazem os dias, umas vezes sabendo viver o que há de mais belo para admirar, outras não querendo realçar o óbvio. Tanta contrariedade, tanta angústia nas coisas simples. Tanto fantasiar em inconveniências sem significado. Olhar com olhos de ver é preciso, porque tudo muda, até o sonhar.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Mohandas Gandhi que disse um dia:

 

 

"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver."

 
 
 
 
 

Andar ao colo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro

 “Ao colo”, 2014

 Pintura sobre tela, 100 x 60 cm
 
 
 
 
 
 
 
Agora é só futebol. Mas eu não morro de amores. Dos pontapés na bola, claro. Do que gosto é da companhia que o futebol me dá. Do convívio. Das saudáveis loucuras. Do tempo consumido na cavaqueira do falar barato. Apenas e só. Dos amores maiores tenho dois ou três. Um deles, sem dúvida, é a pintura. Vivo querendo esgotar-me pintando. Não sei explicar esta entrega. É apenas uma mistura de paixão latente que os anos não consomem, e, um caminhar sem outro destino. Enfim, entrega por um ocaso. Apenas isso e mais nada. Das limitações que a realidade me vislumbra, permanece este querer contínuo de dar significado aos dias, como se a ilustração fosse um modo de andar ao colo com um desígnio, que, só eu sou signatário, ou não fosse o sonho uma aventura de muitas luas e poucos vislumbres.
 
 
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de John Lennon:
 
 
 
 
"Não interessa quem tu amas, onde é que amas, porque é que amas, quando é que amas ou como é que amas, o que interessa é que amas."
 



domingo, 29 de junho de 2014

Fogo-fátuo II

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por onde passamos ficam registos, mesmo que aparentemente sejam insignificantes (aos outros) e se percam num tempo breve, podem, no entanto, perdurar nas nossas memórias ao longo de uma vida.
 
 
Assim como as pegadas deixadas na praia se vão com o vento ou se diluem na imensidão dos caminhantes que as transformam, quase tudo tem o mesmo destino, pois é breve e esquecida a significância do que fazemos, dado que há um tempo próprio para a valorização dos nossos atos, que é quase sempre o momento vivido, pois o resto é nada. Simplesmente nada. Ou quase.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de William Shakespeare:
 
"A brevidade é a alma do engenho."


sábado, 7 de junho de 2014

Olhos nos olhos

 
 
 





 

João Alfaro

“Olhos nos olhos”, 2014

Pintura sobre tela, 60x100cm

 

 

 

 

Dias há que nada sei dizer, porque me apetece apenas saborear o silêncio, que é muito de mim. Que posso acrescentar a uma pintura, onde o pensamento do outro se esconde atrás da muralha privada que habita em cada um de nós? Nada. Simplesmente nada. E, porque nada consigo dizer, tanto há para acrescentar do não dito. Acontece muito. Nada se diz dizendo tanto. De tanto silêncio a inquietude cresce, perante a dúvida do desconhecido, todavia, que interessa saber? O melhor mesmo, tantas vezes, é ignorar, embora o saber seja fundamental, para dar razão ao sentido da orientação. De vazio em vazio se fazem os dias, ora com mantos de esperança ou de certezas. Com os olhos bem abertos ou, pelo contrário, não querendo ver o óbvio, pela razão simples que a fantasia é parte real do saber viver. E lá vamos cantando e rindo. Pois claro.

 

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Alexandre Dumas que disse um dia:

 

"Quis Deus que a única coisa que não se possa disfarçar seja o olhar do homem."