domingo, 13 de julho de 2014

Identificação

 
 





João Alfaro

 
“Ebelina”, 2014

 
Pintura sobre tela, 80x80cm

 

 

 

 
Cada país tem uma árvore genealógica dos seus e, estes mudam os nomes próprios, com as modas do tempo. Agora é chegado o momento das Soraias, Cátias, Carolinas, Bárbaras, Brunas e muitos outros nomes que ultrapassaram o oceano e de terras de Santa Cruz, por influência das telenovelas e do multiculturalismo, dos dias de hoje, fazem esquecer as Diamantinas, Irenes, Miquelinas, e Ambrósias que eram tão vulgares no início do século XX.

 

 

Cada tela tem um título. Para fugir ao usual, dos dias de hoje, e porque a Grécia é para mim um fascínio cultural, gosto de ir buscar ao passado helénico nomes para as minhas pinturas. Depois, por  um processo -digamos-  de aculturação, a identificação as minhas obras, fica longe das Joanas, Linas, Danielas, Márcias, Paulas, Tânias, Anas, Flávios os verdadeiros nomes de alguns dos meus modelos.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de John Lennon que disse um dia:

 

 

"Não precisas que ninguém te diga quem tu és ou o que és. Tu és aquilo que és!"

sábado, 5 de julho de 2014

Metamorfose

  
 





 
 
João Alfaro
 
"Jéssica II", 2014
 
Pintura sobre tela de 80x80 cm







Tudo muda. Hoje o céu está lindo, o dia parece propício ao contemplar das belezas da natureza. Amanhã pode chover, e, de sorridentes devaneios solarengos, nada mais resta que suportar a intempérie quando acontece. Com as nossas vidas é o mesmo: nada fica igual para sempre. A metamorfose é uma constante, neste olhar o circundante e os seus desfechos. Hoje uma cara linda, um corpo belo, e depois o que a natureza reserva ao envelhecimento. De mudança em mudança se fazem os dias, umas vezes sabendo viver o que há de mais belo para admirar, outras não querendo realçar o óbvio. Tanta contrariedade, tanta angústia nas coisas simples. Tanto fantasiar em inconveniências sem significado. Olhar com olhos de ver é preciso, porque tudo muda, até o sonhar.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Mohandas Gandhi que disse um dia:

 

 

"Temos de nos tornar na mudança que queremos ver."

 
 
 
 
 

Andar ao colo

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro

 “Ao colo”, 2014

 Pintura sobre tela, 100 x 60 cm
 
 
 
 
 
 
 
Agora é só futebol. Mas eu não morro de amores. Dos pontapés na bola, claro. Do que gosto é da companhia que o futebol me dá. Do convívio. Das saudáveis loucuras. Do tempo consumido na cavaqueira do falar barato. Apenas e só. Dos amores maiores tenho dois ou três. Um deles, sem dúvida, é a pintura. Vivo querendo esgotar-me pintando. Não sei explicar esta entrega. É apenas uma mistura de paixão latente que os anos não consomem, e, um caminhar sem outro destino. Enfim, entrega por um ocaso. Apenas isso e mais nada. Das limitações que a realidade me vislumbra, permanece este querer contínuo de dar significado aos dias, como se a ilustração fosse um modo de andar ao colo com um desígnio, que, só eu sou signatário, ou não fosse o sonho uma aventura de muitas luas e poucos vislumbres.
 
 
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de John Lennon:
 
 
 
 
"Não interessa quem tu amas, onde é que amas, porque é que amas, quando é que amas ou como é que amas, o que interessa é que amas."
 



domingo, 29 de junho de 2014

Fogo-fátuo II

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por onde passamos ficam registos, mesmo que aparentemente sejam insignificantes (aos outros) e se percam num tempo breve, podem, no entanto, perdurar nas nossas memórias ao longo de uma vida.
 
 
Assim como as pegadas deixadas na praia se vão com o vento ou se diluem na imensidão dos caminhantes que as transformam, quase tudo tem o mesmo destino, pois é breve e esquecida a significância do que fazemos, dado que há um tempo próprio para a valorização dos nossos atos, que é quase sempre o momento vivido, pois o resto é nada. Simplesmente nada. Ou quase.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de William Shakespeare:
 
"A brevidade é a alma do engenho."


sábado, 7 de junho de 2014

Olhos nos olhos

 
 
 





 

João Alfaro

“Olhos nos olhos”, 2014

Pintura sobre tela, 60x100cm

 

 

 

 

Dias há que nada sei dizer, porque me apetece apenas saborear o silêncio, que é muito de mim. Que posso acrescentar a uma pintura, onde o pensamento do outro se esconde atrás da muralha privada que habita em cada um de nós? Nada. Simplesmente nada. E, porque nada consigo dizer, tanto há para acrescentar do não dito. Acontece muito. Nada se diz dizendo tanto. De tanto silêncio a inquietude cresce, perante a dúvida do desconhecido, todavia, que interessa saber? O melhor mesmo, tantas vezes, é ignorar, embora o saber seja fundamental, para dar razão ao sentido da orientação. De vazio em vazio se fazem os dias, ora com mantos de esperança ou de certezas. Com os olhos bem abertos ou, pelo contrário, não querendo ver o óbvio, pela razão simples que a fantasia é parte real do saber viver. E lá vamos cantando e rindo. Pois claro.

 

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Alexandre Dumas que disse um dia:

 

"Quis Deus que a única coisa que não se possa disfarçar seja o olhar do homem."

 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A verdade nua e crua

 
 
 
 
 
 

João Alfaro
“Oneira”, 2014
Pintura sobre tela, 80x100cm
 
 
 
 
A arte é um espaço de verdade e mentira. De muito trabalho e preguiça sem fim. De genialidade e de oportunismo. De fama e de obscurantismo. De mundos opostos onde a verdade nua e crua só chega, quando chega, num tempo desfasado dos principais intervenientes; mas é bom sublinhar – sobretudo - que a Grande Arte é pertença de todos, e não apenas um produto de alguns, para os amigos do costume.
 
 
“Oneida” é a continuação da saga que me traz aqui, na procura dos caminhos da arte, que é, para mim, um modo encantador de saber estar, onde a pesquisa e a incerteza estão sempre presentes. Com esta narrativa plástica procuro, através da pintura, chegar mais longe aos outros, ilustrando o que gosto de comungar, para que faça algum sentido esta dedicação e esta entrega, apesar do silêncio e da ânsia constante que é a vida de um pintor.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa, in “Livro do Desassossego”:
 
 
"Todo o esforço é um crime, porque todo o gesto é um sonho morto."


sábado, 24 de maio de 2014

Objetivo




 
 
 

 

João Alfaro

 

“Beijo”, 2014

 

Pintura sobre tela, 80X80 cm

 

 

 

 

Quando pinto o que quero é ilustrar um tempo e um modo: o meu, obviamente. O modo como vejo o que me cerca, mas apenas e só, determinados valores no relacionamento com os outros. Procuro enfatizar o sublime dos momentos que encantam a intimidade de cada um. Não é meu propósito entrar pelo lado ideológico da vida e mostrar o desencanto social com as desigualdades de um mundo injusto, onde uns são o que são e todos os outros nada valem. Porque sempre vivi num espaço muito confiscado, embora seja viajado, gosto, sobretudo, da proximidade dos viveres, e não tenho em mim a sabedoria do fazer pelo melhor dos outros, embora esteja atento e pontualmente crítico, mas confessadamente desapontado. Porque entendo que a vida passa também pelo lado mais aconchegado, que encerra em si o prazenteiro dos sentidos, a minha pintura é um olhar dos que me envolvem e comigo comungam, longe portanto das dialéticas dos caminhos, apenas e só pela harmonia dos encantos estéticos.


 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Lao-Tsé, que disse um dia:

 

 

 

"Se estiveres no caminho certo, avança; se estiveres no errado, recua."