sábado, 7 de junho de 2014

Olhos nos olhos

 
 
 





 

João Alfaro

“Olhos nos olhos”, 2014

Pintura sobre tela, 60x100cm

 

 

 

 

Dias há que nada sei dizer, porque me apetece apenas saborear o silêncio, que é muito de mim. Que posso acrescentar a uma pintura, onde o pensamento do outro se esconde atrás da muralha privada que habita em cada um de nós? Nada. Simplesmente nada. E, porque nada consigo dizer, tanto há para acrescentar do não dito. Acontece muito. Nada se diz dizendo tanto. De tanto silêncio a inquietude cresce, perante a dúvida do desconhecido, todavia, que interessa saber? O melhor mesmo, tantas vezes, é ignorar, embora o saber seja fundamental, para dar razão ao sentido da orientação. De vazio em vazio se fazem os dias, ora com mantos de esperança ou de certezas. Com os olhos bem abertos ou, pelo contrário, não querendo ver o óbvio, pela razão simples que a fantasia é parte real do saber viver. E lá vamos cantando e rindo. Pois claro.

 

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Alexandre Dumas que disse um dia:

 

"Quis Deus que a única coisa que não se possa disfarçar seja o olhar do homem."

 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A verdade nua e crua

 
 
 
 
 
 

João Alfaro
“Oneira”, 2014
Pintura sobre tela, 80x100cm
 
 
 
 
A arte é um espaço de verdade e mentira. De muito trabalho e preguiça sem fim. De genialidade e de oportunismo. De fama e de obscurantismo. De mundos opostos onde a verdade nua e crua só chega, quando chega, num tempo desfasado dos principais intervenientes; mas é bom sublinhar – sobretudo - que a Grande Arte é pertença de todos, e não apenas um produto de alguns, para os amigos do costume.
 
 
“Oneida” é a continuação da saga que me traz aqui, na procura dos caminhos da arte, que é, para mim, um modo encantador de saber estar, onde a pesquisa e a incerteza estão sempre presentes. Com esta narrativa plástica procuro, através da pintura, chegar mais longe aos outros, ilustrando o que gosto de comungar, para que faça algum sentido esta dedicação e esta entrega, apesar do silêncio e da ânsia constante que é a vida de um pintor.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Fernando Pessoa, in “Livro do Desassossego”:
 
 
"Todo o esforço é um crime, porque todo o gesto é um sonho morto."


sábado, 24 de maio de 2014

Objetivo




 
 
 

 

João Alfaro

 

“Beijo”, 2014

 

Pintura sobre tela, 80X80 cm

 

 

 

 

Quando pinto o que quero é ilustrar um tempo e um modo: o meu, obviamente. O modo como vejo o que me cerca, mas apenas e só, determinados valores no relacionamento com os outros. Procuro enfatizar o sublime dos momentos que encantam a intimidade de cada um. Não é meu propósito entrar pelo lado ideológico da vida e mostrar o desencanto social com as desigualdades de um mundo injusto, onde uns são o que são e todos os outros nada valem. Porque sempre vivi num espaço muito confiscado, embora seja viajado, gosto, sobretudo, da proximidade dos viveres, e não tenho em mim a sabedoria do fazer pelo melhor dos outros, embora esteja atento e pontualmente crítico, mas confessadamente desapontado. Porque entendo que a vida passa também pelo lado mais aconchegado, que encerra em si o prazenteiro dos sentidos, a minha pintura é um olhar dos que me envolvem e comigo comungam, longe portanto das dialéticas dos caminhos, apenas e só pela harmonia dos encantos estéticos.


 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Lao-Tsé, que disse um dia:

 

 

 

"Se estiveres no caminho certo, avança; se estiveres no errado, recua."

 

domingo, 18 de maio de 2014

Novo Ciclo

 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
“Bilhete”, 2014
Pintura sobre tela, 80X70 cm
 
 
 
 
 
 
Os dias não param. Fogem. E de tanto se sucederem, uns após outros, desejos e ambições mudam. O realismo prevalece, inevitavelmente, sobre a fantasia dos desejos, com a mutação dos sentidos. Novos rumos são uma constante; ora deixam de fazer sentido antigas memórias e projetos antigos; ora o conformismo vence o destino que outrora foi delineado e rumos novos nascem. Caminhadas. Ciclos de vida, pois claro.
 
 
 
A cada novo ciclo há a consciência que muito fica diferente, pois não se pode ir contra a natureza do horário biológico. Resta acreditar que cada etapa tem os encantos possíveis, na procura do crer e da determinação de fazer mais, porque o mistério da descoberta é um encantamento que persegue quem quer ir por aí buscando novas, ou não fosse a arte dos prazeres (que engloba tudo) a razão maior para tanto edificar. Entre dúvidas e certezas, aprendi que o melhor mesmo é nunca desistir, porque cada novo ciclo, neste meu percurso pictórico, traz sempre a esperança de ir mais além.
 
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Marcel Proust:
 
 
 
"A viagem da descoberta consiste não em achar novas paisagens, mas em ver com novos olhos."


terça-feira, 13 de maio de 2014

É já ali.

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Caminhar é preciso. Para onde não sei. É por aí, e é já ali, mesmo que seja muito longe, no tempo e no espaço, nesta ou numa outra dimensão, mas é já ali. Ali, ao virar da esquina do sonho. Ponto.

 

 

 

De convicções se faz este meu andar na procura da afirmação pictórica, que tem regras e caminhos que se desencontram tantas vezes. Entre verdades e enganos acontece o que acontece, que vale o que vale. E o caminho não tem fim. Felizmente. Ou não fosse o querer a força maior do caminhar, entre as luzes e as muitas noites de escuridão.

 

 

 

Até ao próximo sábado, nas rotas do destino, em Santarém “Elixir dos Amores”, no Centro Cultural Regional.

 

 

E vos deixo com as palavras de Khalil Gibran que disse um dia:

 





 

"Não se pode chegar à alvorada a não ser pelo caminho da noite."


 





 

 
 

sábado, 3 de maio de 2014

Exposição "Elixir dos Amores"

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

De 3 a 17 de maio, em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas, junto ao Largo Padre Francisco Nunes da Silva, de segunda a sexta-feira das 16 às 18:30 horas e sábados das 10:00 às 12:30 horas

 
 
 
 
 
 
 

“Elixir dos Amores” é uma exposição de pintura que, como todas as que faço, procura ser um olhar sobre a sensibilidade de cada um dos retratados, no estar com os outros. Ilustrar um tempo sem tempo, onde os modos de ser e estar são sempre iguais, por muitas voltas que o mundo dê, é o meu propósito. Porque há um espaço interior dentro de cada um que continua sempre igual, mesmo que tudo mude no edificado; porque a natureza humana tem os seus desejos íntimos, que são o que são, eternamente constantes hoje e amanhã; porque assim é, pinto como pinto e o que pinto. E mais quero pintar.

 
 
 

Desta feita, em Santarém, este conjunto de obras realizadas entre 2011 e 2014 prossegue na senda dos que me são próximos, ou que conviveram comigo e que se disponibilizaram para se incorporarem no meu processo criativo. Gosto particularmente de fazer retratos, sobretudo, pela singularidade formal de cada um, que, por si só, é aliciante traduzir com os meios pictóricos uma representação que ultrapassa o lado visual e, se incorpora nos meandros da especulação dos juízos de valor e dos modos de estar.

 
 
 

A pintura só faz sentido quando é comungada, e, é para isso que servem as exposições, embora hoje graças às novas tecnologias se possa partilhar muito do que se faz e chegar a tantos, de tão longe. A presença física perante as obras tem sempre um impacto diferente e dá a real dimensão estética e emblemática que elas encerram em si. Apareçam.

 

 

E vos deixo com as palavras de Émile Zola, in “Os Meus Ódios”:

 

"Uma obra de arte é um canto da criação visto através de um temperamento."



 


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quarenta anos é muito tempo




















João Alfaro
 
“Encontro”
Pintura sobre tela de 50X50 cm de 2013
 
Pintura a expor em Santarém no Fórum Ator Mário Viegas a partir de 3 de maio.
 
 
 
 
De jovem cheio de sonhos a grisalho com os pés assentes no chão, é o que me resta dos imaginários cenários de fantasia, onde a pintura – razão para um caminhar – não se traduziu no expectável. Entre dúvidas e certezas, destes quarenta anos de pintar, reconheço que, no balanço, das encruzilhadas do destino, a entrega e o desejo ardente fazem parte de mim, por muito solitário e anónimo percurso que seja o meu, nunca vou desistir de ir por aí, pois é na edificação da obra plástica que encontro a serenidade e preencho muito de mim, nesta busca de encantos que é o viver com ambições, mergulhado nas cores e nas formas que gosto tanto.
 
Na procura com encontros e desencontros o tempo passou. Conheci tanto mundo que a memória se desfez de nomes e narrativas. Agora, confiscado a um espaço de trabalho, procuro encontrar novos motivos que me façam continuar na senda que me trouxe até aqui, dado que há sempre uma descoberta para fazer e o desejo de querer mais e mais, porque o tempo tem um tempo e é preciso preencher esse tempo e, nada melhor, para mim, que me cercar do que gosto de fazer, mesmo que a minha passada seja diferente.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Henry Thoreau:
 
"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor."