segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quarenta anos é muito tempo




















João Alfaro
 
“Encontro”
Pintura sobre tela de 50X50 cm de 2013
 
Pintura a expor em Santarém no Fórum Ator Mário Viegas a partir de 3 de maio.
 
 
 
 
De jovem cheio de sonhos a grisalho com os pés assentes no chão, é o que me resta dos imaginários cenários de fantasia, onde a pintura – razão para um caminhar – não se traduziu no expectável. Entre dúvidas e certezas, destes quarenta anos de pintar, reconheço que, no balanço, das encruzilhadas do destino, a entrega e o desejo ardente fazem parte de mim, por muito solitário e anónimo percurso que seja o meu, nunca vou desistir de ir por aí, pois é na edificação da obra plástica que encontro a serenidade e preencho muito de mim, nesta busca de encantos que é o viver com ambições, mergulhado nas cores e nas formas que gosto tanto.
 
Na procura com encontros e desencontros o tempo passou. Conheci tanto mundo que a memória se desfez de nomes e narrativas. Agora, confiscado a um espaço de trabalho, procuro encontrar novos motivos que me façam continuar na senda que me trouxe até aqui, dado que há sempre uma descoberta para fazer e o desejo de querer mais e mais, porque o tempo tem um tempo e é preciso preencher esse tempo e, nada melhor, para mim, que me cercar do que gosto de fazer, mesmo que a minha passada seja diferente.
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Henry Thoreau:
 
"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor."


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Elixir dos Amores

   








  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
Pinturas sobre tela
 
 
 
 
 
“Elixir dos Amores” é uma exposição de pintura a mostrar brevemente. Faltam 15 dias. É já no dia 3 de Maio (sábado) que se inaugura em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas. Dezoito obras compõem o leque pictórico de trabalhos realizados entre 2011 e 2014.
 
 Centrada na figura humana e na caracterização de modos de ser e estar, procuro que as telas traduzam com as cores e as formas da minha paleta, a ilustração das envolvências dos que me cercam. Gosto particularmente de ir descobrindo a magia única que cada um de nós tem e que só consigo, na pintura, mostrar o meu sentir sobre os outros e com os outros.
 
Num tempo de imagens, onde a vulgarização e a abundância dos mesmos estereótipos são norma, o que me seduz é a pesquisa constante em busca da singularidade e da edificação de um imaginário formal, que seja consistente, tanto quanto possível, num trajeto com um propósito identificativo, onde os valores plásticos sejam sedutores numa mescla de referências.
 
 
 
 
E, porque de encantos se faz a pesquisa artística, vos deixo com as palavras de Gustave Flaubert que disse um dia:
 
 
 
 
 
 "A moral da arte reside na sua própria beleza."
 




sexta-feira, 11 de abril de 2014

Fases

 
 




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 João Alfaro

Pinturas sobre tela de 50X50cm, 2012

 

 

 

Pinturas a expor no mês de maio, em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas.

 

 

A pintura dá-me a serenidade, que perco quando as tintas e as telas andam longe. Dou por mim a não gostar de tanto: aborreço-me com as conversas sempre iguais; as análises sabidas por antecipação (mesmo com os amigos do costume); o previsível; a monotonia das ações, das frases feitas, do vazio e do conformismo. Quero mais. Quero descobrir e usufruir deste tempo que é só meu; quero sentir apenas o caminho da amizade, mesmo sabendo que é cada vez mais ingreme.  Falo, escrevo, faço, isto e aquilo, mas é na pintura que encontro o sossego e a forma de expressar o sentido da vida contada. É tão bom descobrir novos caminhos, e, é o que está a acontecer. A vida é bela quando a luz aparece ao fundo túnel e surge, quantas vezes, porque os olhos mudam de cor.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Dalai Lama que disse, segundo Tenzin Gyatso:

 

 

 

 "Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade."

 
 
 


sábado, 5 de abril de 2014

Amores Juvenis

 
 
 









 

João Alfaro

Pinturas sobre tela de 50X50cm

 

 

 

 

Pinturas a expor no mês de maio, em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas.

 

 

 

 

Nas muitas histórias que os dias trazem e levam, umas merecem ser relembradas. Quando observo, aqui e ali, gestos e comportamentos tão banais, mas ricos de memórias vividas ou sentidas, tenho em mim o desejo de as ilustrar, por querer representar picturalmente o tempo vivencial. Estas telas, que irei expor brevemente, com esta temática, surgiram para completar um ciclo de olhares, dos muitos que durante um tempo fizeram parte dos meus dias, e que hoje são apenas penumbras ou imagens desfocadas. Graças à pintura procurei mostrar, com as minhas cores e as minhas formas pictóricas, a beleza e o encanto da inocência na aprendizagem dos amores juvenis, que ficam eternamente na memória de cada um, com o sabor de um tempo de sonhos.

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Arthur Schopenhauer, in “Aforismos sobre a Sabedoria da Vida”:

 

"Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve."



sábado, 29 de março de 2014

Silêncio

 
 
 
 
 
João Alfaro
“Posturas Privadas”, 2012
Pintura sobre tela de 100X100cm
 
 
 
 
João Alfaro
“Tão perto e tão longe”, 2012
Pintura sobre tela de 100X100cm
 
 
 
Pinturas a expor no mês de maio, em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas.
 
 
 
 
 
 
Tenho em mim o desejo de dizer o que me vai na alma, no entanto, sei que, por muito que fale, ficará ainda mais por dizer, e, tudo, porque não sou capaz de ilustrar verbalmente o meu sentir. Faltam-me sempre as palavras; as frases certas; o raciocínio lógico. Tudo em mim é confusão enorme quando me faço ouvir. A sequência do encadeamento assertivo dá lugar a um mesclado de frases soltas, de um embaralhado de referências e caminhos, e, por isso, me basto. Quanto menos falo, mais me satisfaço e melhor me sinto. Prefiro o silêncio, mesmo sabendo que gostaria de gritar bem alto; todavia, nada digo, para não me repetir. De silêncios faço os meus dias. Por isso pinto tanto… no silêncio.
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de François La Rochefoucauld que disse:
 
 
"A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes."

 
 


domingo, 23 de março de 2014

Fora de casa

 
 
 
    
 
João Alfaro
“Espelho de água”, 2011
Pintura sobre tela de 80X100cm






 
 
 

João Alfaro

“Um dia no campo”, 2011

Pintura sobre tela de 80 X100 cm


 

Pinturas a expor no mês de maio, em Santarém, no Fórum Ator Mário Viegas.

 
 

No labiríntico circular entre as quatro paredes e o exterior delas, se resume o mapa geográfico de cada um. Sempre com os mesmos percursos ou aleatoriamente percorrendo o mundo, cada um faz o seu caminho entre o estar numa caixa ou fora dela. Tudo é um conjunto imaginário de caixas onde vivemos, a que chamamos casas, apartamentos, vivendas, escritórios, oficinas e, tantos outros nomes. São tantas, tantas as caixas, umas maiores que outras, naturalmente. Algumas são enormes, porque nelas cabem muitos sonhos; outras, apenas servem para nos aprisionar e sufocar, não dando espaço nem para o pensamento esclarecido. E de caixas em caixas se faz a vida de cada um.

 

 

Momentos há que uma brisa, um olhar distante, um imaginar fugidio faz toda a diferença. Ir à rua, sair por momentos, saborear o exterior da caixa é um alívio, um escape, sobretudo, quando muito do tempo é circunscrito às quatro paredes. E hoje vou sair da caixa. Vou por aí, ao Deus dará.
 
 
 
 

 

 

Sejam felizes.

 

E vos deixo com as palavras de Blaise Pascal que disse um dia:

 

“O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo.”




sábado, 15 de março de 2014

Diálogos sem fim

 
 



João Alfaro



Pinturas em tela a expor no Centro Cultural Mário Viegas em Santarém no mês de Maio

 

 

Nas noites longas há muita conversa, riso com fartura, música, cantares desafinados e os sabores gastronómicos da ocasião são a norma, nos pontos de encontro. De tanto dizer, entre os convivas, o que importa sempre não é o conteúdo do que se descreve nas palavras perdidas, porque o que conta, em momentos especiais, é apenas a companhia e a razão do encontro. À volta da mesa se acham os predicados todos para os diálogos sem fim, que se esquecem com facilidade, muitas vezes, mas que deixam a ilustração do momento e o seu significado. Como é bom partilhar ocasiões simbólicas que valem tanto, tanto, que muito do dorido se esvai, enquanto dura a festa dos instantes.

 

 

 

Nos diálogos privados a conversa adquire outro estatuto, quando o interesse é a proximidade dos afetos, porque cada palavra é carregada de intenção e, todos os pormenores posturais adquirem conotações, que definem o caminho ou o seu termo. Com muita gente ou na sombra tudo roda no mesmo sentido, pois é apenas a companhia de alguém que se deseja, no diálogo enriquecido com muito palavreado ou, apenas, a sugestão gestual.

 

 

Porque a pintura é um retrato de um sentir e a expressão do olhar envolvente, o que faço é registar os que me são próximos, como na temática destas duas telas, onde procuro sugerir os muitos diálogos do relacionamento social.

 

 

 

 

E termino recordando as palavras de Jean Jacques Rousseau que disse um dia:

 

"Os homens a quem se fala não são aqueles com quem se conversa."