sábado, 7 de dezembro de 2013

Homenagem

 
 
 
 
 
 
Professor Bazenga
 
 


 
 

João Alfaro
Autorretrato
1ª pintura a óleo

 
 
 

Há pessoas que nos marcam, porque nos ajudaram a definir a nossa personalidade ou a encontrar o caminho certo. Enquanto o mundo chora a morte de um homem reconhecido internacionalmente pelos seus valores de humildade, generosidade e, sobretudo, pelo sentido da comunhão e do afeto, ao contrário dos seus pares, todos mais preocupados com a ganância e desrespeito pela diferença, Mandela soube ser ímpar num continente devastado por tantos males. As homenagens sucedem-se. Merecidamente. É um símbolo da Humanidade. E a sua memória não será esquecida, porque foi um dos grandes do nosso tempo. Partiu e deixou uma eterna saudade.

 

 

 

 

 E há os nossos que ao partirem deixam, naturalmente, saudade, muita dor pela ausência, e um vazio que nem o tempo consegue preencher. Eles são sobretudo os nossos familiares queridos e os amigos próximos. Mas há também os que se cruzaram um dia no nosso destino e nos mudaram a vida. Partiu, no mesmo dia do Mandela, um homem por quem sempre tive uma enorme admiração. Fez-me descobrir o meu caminho e por isso me tornei pintor. Num contexto, longe das metrópoles artísticas, soube incutir-me o desejo ardente de acreditar sempre que se deve ir atrás do sonho. E eu fui. Obrigado professor Gil França Bazenga.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Guimarães Rosa:
 
“Saudade é ser, depois de ter.”
 
 

Homenagem

sábado, 30 de novembro de 2013

Gostar de ler




 
 
 





João Alfaro

Pinturas em tela de 100x60 cm

 

 

Confesso que me faz imensa impressão ver quase toda a gente à espera- sabendo que estarão, ali, tempos infindos, sem nada para fazer, nem conversar – e com tanto livro para ler. Por razões que não quero intimizar, aproveito os tempos mortos que passo, nesses espaços pré-definidos de espera, para ler. Confesso, também, que muito do que leio resulta desse tempo em que sou obrigado a estar. E de tanto estar vou lendo. Hoje, dia 30 de novembro de 2013, tudo estava programado para ser, para mim, um dia diferente. Muito diferente: com encontros familiares; uns muito comuns, outros nem tanto, e, contudo, pelas moléstias que o tempo comporta, o desfecho foi outro. De convivas expetáveis restou-me o silêncio da espera e a voragem da leitura. Do previsível cenário dos rostos uns mais familiares que outros, e das comezainas excessivas das gastronomias dos eventos, fiquei com a descoberta da escrita, de quem, nesta caso, um escritor brasileiro – Machado de Assis - me fez viajar pelo tempo ( século XIX ) e pela vivência dos costumes, hoje deslocados e despropositados. Adorei ler. E agora ansioso por concluir o “Dom Casmurro”. Confesso.

 

E, porque ler é descobrir, fantasiar, e, sabiamente, ver correr os dias, não posso como ilustrador de um tempo, não pintar a magia da leitura, numa homenagem aos que escrevem e aos ( não muitos) que se prazenteiam com as letras...dos outros.

 

E vos deixo com as palavras de Arthur Schopenhauer:

 

“Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria.”

 
 
 


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Primeira imagem








Há sempre uma primeira imagem de um lugar, de um acontecimento, de um instante, de alguém que nos marca. Desse primeiro olhar há, logo, um julgamento subjetivo, que vale o que vale, na precipitação da caracterização do momento. Depois, numa análise mais serena e com o acumular de informação, a primeira impressão pode ser enganadora ou não. Mas o primeiro momento tem a carga emotiva quando se espera, quando se anseia por esse instante. Com o tempo essa primeira impressão fica mais duvidosa, com a nebulosidade da memória, mas não deixa de ser encantatório recordar, tantos e tantos primeiros instantes.



 

Numa resenha histórica tenho tanto para contar aos meus pensamentos. Da infância guardo alguns, da adolescência outros tantos, da vida adulta alguns mais e, chegados aqui, a réstia de esperança continua, com a crença que há sempre um amanhã que nos demonstre valer a pena acreditar. Questiono muito o sentido dos dias, que significa apenas dizer para onde vamos. E o porquê. Em adolescente lembro-me do título de uma pintura de Gauguin: “ Donde viemos? Quem somos? Para onde vamos?”. É uma afirmação que me persegue, porque resume todo o significado da razão da existência. Como pintor – que é aquilo que eu sou e mais nada – procuro ilustrar um tempo, mas sobretudo um modo e as muitas dúvidas, mesmo depois da primeira imagem.

 
 

E vos deixo com as palavras de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa:

 

“Sempre que Penso uma Coisa, Traio-a.”

sábado, 23 de novembro de 2013

Os dias são outros

 
 
 
 
 
 
 
ArtSpace João Carvalho
Vila Moreira- Gouxaria (Alcanena)
 
 
 
 
 
O tempo está a mudar. O calor já lá vai. O verão de S. Martinho acabou e os raios de sol iluminando os dias são já passado. Chegou o frio e as primeiras chuvas. Os dias tornaram-se cinzentos. Agora é o tempo em que sabe bem o aconchego dos espaços caseiros e o uso das roupas quentes. O inverno está à porta e o Natal também. O final do ano está próximo. Como tudo passa depressa!
 
 
Num relance sobre o melhor e o pior de um ano de esperanças e enganos, tudo acaba bem quando as tragédias não acontecem, ou quando o realismo está presente sem as angústias, nem as falsas ilusões. Mas como se passa de um estado de felicidade para o atroz sofrimento, quando os ditames da volatilidade da vida nos surpreendem, tudo ganha outra dimensão, quando um homem se põe a pensar. Entre o bom e o mau, o sorrir ou o chorar, na tristeza dos dias, ou na alegria dos momentos únicos, os anos passam. Correm. Desaparecem. Tudo é breve.
 
 
E, chegados aqui, ando, como sempre, num frenesim, querendo abraçar este mundo e o outro com tarefas e projetos. Umas vezes as coisas correm bem, outras nem tanto, mas mesmo assim - olhando, escutando e não esquecendo o vivido - aprendi a saber saborear cada evento,  sempre com a vontade de chegar mais longe, procurando os encantos e a felicidade possível, na arte do saber estar, embora, agora, se façam ouvir, aqui e ali, sons de revolta, que me inquietam. Muito.
 
 
E, enquanto a ArtSapce João Carvalho me ocupar os fins de semana, fico feliz por continuar a acreditar que alguns sonhos, também, se podem realizar.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Steve Jobs:
 
 
 
“Pensa diferente.”
 
 


sábado, 16 de novembro de 2013

1º dia.








  


 
 
 
 





 
"O Universo é o Sonho de um Sonhador Infinito."
 
 
                                                 Fernando Pessoa







 
 
 
 
 
Nasceu a ArtSpace João Carvalho. As portas abriram-se e o primeiro evento aconteceu. Muitos outros se seguirão ( se forças houver) e, se os caminhos da arte se encontrarem, com os desígnios do desejo, da criatividade e da oportunidade.
 
Neste andarilho que é a incerteza dos destinos, há sempre alguém que quer ir mais longe, percorrer outros caminhos, saborear outros paladares, porque não só de pão e água vive o Homem. Nas emoções que é o dia de cada um, a arte, com os enigmáticos mistérios de descodificar a Vida, é o ponto de encontro dos que procuram o belo, edificado na obra dos artistas.
 
A cada três meses uma nova exposição, um novo olhar, um novo modo de questionar os porquês da existência e da beleza. Pelo meio, haverá muitos outros eventos, para que a conjugação das variáveis artísticas seja um apelo à nobreza dos encantos, num ritual expositivo, fazendo da ArtSapce João Carvalho um espaço a visitar e a comungar.
 
E, vos deixo com um vídeo sobre os propósitos da ArtSpace João Carvalho, e o que foi o primeiro dia do sonho, tornado realidade.










 
 
 
 


sábado, 9 de novembro de 2013

Inauguração ArtSpace João Carvalho

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

É, aqui, na Gouxaria – Alcanena, que começa, hoje, o projeto cultural que tem na ArtSpace João Carvalho a sua génese. Essencialmente é uma aposta na criação de eventos culturais, dentro do espírito da arte contemporânea, com o intuito de promover diversificadas atividades, recriando um espaço polivalente e gerador de intercâmbios entre os artistas, críticos e fruidores.

 

O primeiro evento é uma exposição com trabalhos escultóricos feitos em pele da autoria de João Carvalho e pintura em tela feita por mim. As portas vão abrir-se para mostrar o magnífico espaço, as suas condições expositivas e o que é a magia da arte. Neste percurso de muitas voltas que é o caminhar com as dúvidas e as certezas desfeitas, a esperança em chegar mais longe e acalentar novos ideais e novas iniciativas é o objetivo maior, para que faça sentido este caminhar, porque foi, por acreditar que há sempre uma luz ao fundo do túnel, que nasceu a ArtSpace João Carvalho.

 

 

E termino com as palavras de Héracles:

 

“O homem superior é o que permanece sempre fiel à esperança; não perseverar é de poltrões.”