sábado, 7 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Gostar de ler
João Alfaro
Pinturas em tela de
100x60 cm
Confesso que me faz imensa
impressão ver quase toda a gente à espera- sabendo que estarão, ali, tempos
infindos, sem nada para fazer, nem conversar – e com tanto livro para ler. Por razões
que não quero intimizar, aproveito os tempos mortos que passo, nesses espaços
pré-definidos de espera, para ler. Confesso, também, que muito do que leio
resulta desse tempo em que sou obrigado a estar. E de tanto estar vou lendo.
Hoje, dia 30 de novembro de 2013, tudo estava programado para ser, para mim, um
dia diferente. Muito diferente: com encontros familiares; uns muito comuns,
outros nem tanto, e, contudo, pelas moléstias que o tempo comporta, o desfecho
foi outro. De convivas expetáveis restou-me o silêncio da espera e a voragem da
leitura. Do previsível cenário dos rostos uns mais familiares que outros, e das
comezainas excessivas das gastronomias dos eventos, fiquei com a descoberta da
escrita, de quem, nesta caso, um escritor brasileiro – Machado de Assis - me
fez viajar pelo tempo ( século XIX ) e pela vivência dos costumes, hoje
deslocados e despropositados. Adorei ler. E agora ansioso por concluir o “Dom Casmurro”. Confesso.
E, porque ler é descobrir,
fantasiar, e, sabiamente, ver correr os dias, não posso como ilustrador de um
tempo, não pintar a magia da leitura, numa homenagem aos que escrevem e aos (
não muitos) que se prazenteiam com as letras...dos outros.
E vos deixo com as palavras de Arthur
Schopenhauer:
“Ler quer dizer pensar com uma cabeça alheia, em lugar da própria.”
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Primeira imagem
Há sempre uma primeira imagem de
um lugar, de um acontecimento, de um instante, de alguém que nos marca. Desse
primeiro olhar há, logo, um julgamento subjetivo, que vale o que vale, na
precipitação da caracterização do momento. Depois, numa análise mais serena e
com o acumular de informação, a primeira impressão pode ser enganadora ou não. Mas
o primeiro momento tem a carga emotiva quando se espera, quando se anseia por
esse instante. Com o tempo essa primeira impressão fica mais duvidosa, com a
nebulosidade da memória, mas não deixa de ser encantatório recordar, tantos e
tantos primeiros instantes.
Numa resenha histórica tenho
tanto para contar aos meus pensamentos. Da infância guardo alguns, da adolescência
outros tantos, da vida adulta alguns mais e, chegados aqui, a réstia de
esperança continua, com a crença que há sempre um amanhã que nos demonstre
valer a pena acreditar. Questiono muito o sentido dos dias, que significa apenas dizer para
onde vamos. E o porquê. Em adolescente lembro-me do título de uma pintura de
Gauguin: “ Donde viemos? Quem somos? Para onde vamos?”. É uma afirmação que me
persegue, porque resume todo o significado da razão da existência. Como pintor –
que é aquilo que eu sou e mais nada – procuro ilustrar um tempo, mas sobretudo
um modo e as muitas dúvidas, mesmo depois da primeira imagem.
E vos deixo com as palavras de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando
Pessoa:
“Sempre que Penso uma Coisa, Traio-a.”
sábado, 23 de novembro de 2013
Os dias são outros
ArtSpace João Carvalho
Vila Moreira- Gouxaria (Alcanena)
O tempo está a mudar. O calor já
lá vai. O verão de S. Martinho acabou e os raios de sol iluminando os dias são
já passado. Chegou o frio e as primeiras chuvas. Os dias tornaram-se cinzentos.
Agora é o tempo em que sabe bem o aconchego dos espaços caseiros e o uso das
roupas quentes. O inverno está à porta e o Natal também. O final do ano está
próximo. Como tudo passa depressa!
Num relance sobre o melhor e o
pior de um ano de esperanças e enganos, tudo acaba bem quando as tragédias não
acontecem, ou quando o realismo está presente sem as angústias, nem as falsas
ilusões. Mas como se passa de um estado de felicidade para o atroz sofrimento,
quando os ditames da volatilidade da vida nos surpreendem, tudo ganha outra
dimensão, quando um homem se põe a pensar. Entre o bom e o mau, o sorrir ou o
chorar, na tristeza dos dias, ou na alegria dos momentos únicos, os anos
passam. Correm. Desaparecem. Tudo é breve.
E, chegados aqui, ando, como
sempre, num frenesim, querendo abraçar este mundo e o outro com tarefas e
projetos. Umas vezes as coisas correm bem, outras nem tanto, mas mesmo assim -
olhando, escutando e não esquecendo o vivido - aprendi a saber saborear cada
evento, sempre com a vontade de chegar
mais longe, procurando os encantos e a felicidade possível, na arte do saber
estar, embora, agora, se façam ouvir, aqui e ali, sons de revolta, que me
inquietam. Muito.
E, enquanto a ArtSapce João
Carvalho me ocupar os fins de semana, fico feliz por continuar a acreditar que
alguns sonhos, também, se podem realizar.
E vos deixo com as palavras de Steve
Jobs:
“Pensa diferente.”
sábado, 16 de novembro de 2013
1º dia.
"O Universo é o Sonho de um Sonhador Infinito."
Fernando Pessoa
Nasceu a ArtSpace João Carvalho. As portas abriram-se e o primeiro evento
aconteceu. Muitos outros se seguirão ( se forças houver) e, se os caminhos da
arte se encontrarem, com os desígnios do desejo, da criatividade e da
oportunidade.
Neste andarilho que é a incerteza
dos destinos, há sempre alguém que quer ir mais longe, percorrer outros
caminhos, saborear outros paladares, porque não só de pão e água vive o Homem.
Nas emoções que é o dia de cada um, a arte, com os enigmáticos mistérios de descodificar
a Vida, é o ponto de encontro dos que procuram o belo, edificado na obra dos
artistas.
A cada três meses uma nova
exposição, um novo olhar, um novo modo de questionar os porquês da existência e
da beleza. Pelo meio, haverá muitos outros eventos, para que a conjugação das
variáveis artísticas seja um apelo à nobreza dos encantos, num ritual expositivo,
fazendo da ArtSapce João Carvalho um
espaço a visitar e a comungar.
E, vos deixo com um vídeo sobre
os propósitos da ArtSpace João Carvalho, e o que foi o primeiro dia do sonho, tornado realidade.
sábado, 9 de novembro de 2013
Inauguração ArtSpace João Carvalho
É, aqui, na Gouxaria – Alcanena,
que começa, hoje, o projeto cultural que tem na ArtSpace João Carvalho a
sua génese. Essencialmente é uma aposta na criação de eventos culturais, dentro do
espírito da arte contemporânea, com o intuito de promover diversificadas atividades,
recriando um espaço polivalente e gerador de intercâmbios entre os artistas,
críticos e fruidores.
O primeiro evento é uma exposição
com trabalhos escultóricos feitos em pele da autoria de João Carvalho e pintura
em tela feita por mim. As portas vão abrir-se para mostrar o magnífico espaço,
as suas condições expositivas e o que é a magia da arte. Neste percurso de
muitas voltas que é o caminhar com as dúvidas e as certezas desfeitas, a
esperança em chegar mais longe e acalentar novos ideais e novas iniciativas é o
objetivo maior, para que faça sentido este caminhar, porque foi, por acreditar
que há sempre uma luz ao fundo do túnel, que nasceu a ArtSpace João Carvalho.
E termino com as palavras de Héracles:
“O homem superior é o que permanece sempre fiel à esperança; não
perseverar é de poltrões.”
sábado, 2 de novembro de 2013
Amostra
João Alfaro
Pinturas em tela
A uma semana de inaugurar uma
exposição, culminando um longo processo construtivo, é chegado o
momento de mostrar, num espaço condigno e com a apresentação desejada, aquilo
que faz parte da minha identidade, enquanto apreciador e construtor de
pintura contemporânea.
Como acontece com todos os
artistas, apenas uma pequena parte das obras são mostradas, porque muito do que
é feito nunca é exposto; ou porque são apenas estudos prévios e trabalhos
menores; ou porque os espaços expositivos são sempre pequenos para as muitas
peças concebidas; ou porque a temática subjacente, em cada evento, inviabiliza
todas as obras que não se enquadrem no tema de referência da amostra. A 9 de novembro
na ArtSpace, na exposição conjunta com o escultor João Carvalho, o elo temático entre a pintura e a escultura
tem, essencialmente, o nu como referente.
E, porque é preciso acreditar que
os caminhos chegam ao desejado lugar,
para acalentar a ambição de manter acesa a chama inspiradora, neste contexto
das muitas dúvidas que é o percurso artístico de cada um, vou apresentar,
agora, as últimas obras. Entre o sonho, a fantasia e o mundo real, o que faço é
seguir em frente, sabendo que é o presente vivido que conta e, esse é sempre
o mais encantador, neste gostar de fazer, numa contínua paixão de criar, porque a
minha luta tem por lema nunca desistir, para alguém ver, talvez, um dia. E
gostar. Porque não?.
E vos deixo com as palavras de
António Vieira:
“Sendo tão natural ao homem o
desejo de ver, o apetite de ser visto é muito maior.”
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