sábado, 14 de setembro de 2013

Amores profundos

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro
 
Pintura sobre tela
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando as palavras não me chegam; quando o que me resta é uma sensação de vazio e desesperança; quando cada dia significa mais tristeza; quando tanto deixou de fazer sentido; quando falta o que não deveria faltar; quando a realidade não é o sonho fantasiado ou vivido mas apenas sofrido; quando o que ficou é o não desejado; quando nem os amores profundos se cultivam no silêncio; quando tudo é assim tão diferente, só quero que o tempo passe depressa para esquecer, o que nunca vou esquecer.

 

 

 

 

Dos amores que me acompanham, a pintura é uma razão forte para esta entrega que faz de mim um sonhador e, apenas, um sonhador.

 

 

 

 

 

 

E recordo as palavras de Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego":

 

 

 

“Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.”



sábado, 7 de setembro de 2013

Dependente








 


João Alfaro

“Rati”, 2013

Pintura em tela ( em construção) 80x80 cm

 

 

 

 

 

Sempre fui dependente e sempre serei. Dependo da família; dos amigos; dos desconhecidos; dos sonhos. Simplesmente sou um dependente. Todas as manhãs quando bebo o meu café me sinto feliz pelo momento, pela gustação, pelo ato em si. De quando em vez penso naqueles que lá longe, não sei onde, em condições que nem imagino, tudo fizeram para que o café fosse um dom divino no meu palato. Vi sempre o mundo multicolorido, multicultural, diferenciado. Tenho medo, confesso, da violência. Daqueles que em nome dos fundamentalismos tudo destroem, quando o que é preciso é construir mais e melhor. Eu bem sei que é tudo muito complicado. Uma coisa é falar com a barriga cheia, outra é quando o pão falta na mesa. Também sei, que não é só uma questão de ter ou não ter, é, sobretudo, estar consciência ou não. Eu umas vezes julgo estar, outras talvez sim.

 

 

 

“Rati” é mais um projeto pictórico neste meu deambular pelo mundo  e pelas dependências. Hoje, como sempre, vejo na mulher a beleza, o encanto e a magia que me conforta e me dá alento. Brevemente irei expor algumas das pinturas que, aqui, tenho mostrado. Esta obra, ainda no seu início, fará parte da amostra, deste meu sentido modo de viver os dias, pintando como se a salvação do mundo e dos meus medos  fosse uma questão cultural. Ou talvez seja.

 

 

 

 

E vos deixo com as palavras de Carlo Goldoni que disse um dia:

 

“Discutir gostos é tempo perdido; não é belo o que é belo, mas aquilo que agrada.”

 




 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



domingo, 1 de setembro de 2013

Depois do adeus

 
 
 
 


 
 
 
 
João Alfaro
“Medinas”, 2013
Pintura sobre tela de 80x80 cm
 
 
 
 
Na porta ao lado.
Na dor da ausência.
 Na perda do sorrir e dos amores.
No silêncio e nas lágrimas da tristeza.
 Na angústia do não saber como estar.
Na perdição dos sentidos.
Na tormenta do que resta viver.
O sofrimento veio para ficar, depois do adeus.
 
 
 
 
 
 
E vos deixo com “Verdes Anos” de Carlos Paredes, nesta recordação dos amores de  quem partiu.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


sábado, 24 de agosto de 2013

O futuro a Deus pertence






 
 
 
 
 
 
João Alfaro
"Medinas"
Estudo prévio, 2013
 
 
 
 



 
 
 
 
Porque a vida é frágil e breve.
Porque a alegria dos dias é apenas o fio da navalha.
Porque a vida tem tanto de belo quanto de atroz.
Porque do tudo se passa para o nada.
Porque a tragédia é perdição que nunca acaba.
Porque cada instante é uma eternidade de angústia e desespero quando o amor se vai.
Porque deixa de fazer sentido tanto do sonho e da esperança com a partida .
Porque tudo se transforma em tormenta quando alguém parte definitivamente.
Porque a tristeza preenche os raios de luz com a ausência .
Porque é preciso acreditar não acreditando.
Porque tudo se converte em vazio, só resta ser outro, sendo o mesmo.
 
 
 
E, porque  o futuro a Deus pertence, vos deixo com a música de Schubert e “Avé Maria” na voz inconfundível de  Maria Callas, numa homenagem a quem  partiu.
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 


sábado, 17 de agosto de 2013

Ilusões ópticas

   
 
 
 
 
 
 
 
 
João Alfaro 
"Lucrécia", 2013
 Pintura sobre tela de 80x100 cm
 
 
 
 
 
 
 
Agora é o tempo dos prazeres mundanos. Tudo muda com o calor e com o espaço. O verão é assim. O significado das atitudes e dos comportamentos adquire outro estatuto. Toda a gente procura, ao sair para outras paragens, ter outra postura, estar de um outro modo, ser diferente até. Depois voltará tudo ao normal com as rotinas dos horários e a repetição do que não se gosta de fazer, que é preciso cumprir, no entanto. Enquanto este tempo de afastamento dura, à que  aproveitar, nem que seja para ilusoriamente acreditar, que ainda há tanto de bom para viver. E lá vamos cantando e rindo. Uns olhando as belezas da natureza; outros os expostos corpos belos; outros ainda aspirando a projetos galácticos. De pequenas vivências se faz a vida nos nossos dias. E, se hoje sei alguma coisa, é sobre o maravilhoso dos instantes e das suas fantasias. Amanhã não sei como será, porque o tempo não volta. Nem muitos dos belos sonhos. Apenas as ilusões ópticas.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de François Rochefoucauld que disse um dia:
 
 
“Quando não encontramos o repouso em nós próprios, é inútil ir procurá-lo noutro lado.”


sábado, 10 de agosto de 2013

Espuma dos dias




 
 
 
 
 
 


João Alfaro
“ Duplo olhar”, 2013
Pintura sobre tela
 
 
 
 
Tudo é espuma. O que parece importante, agora, perde o seu significado no instante seguinte. É tudo um engano. O que verdadeiramente conta é o prazer: do momento; da vida. Basta pensar nos noticiários. Quase nada fica na memória, porque tudo é espuma. Ou quase tudo. O que fica é aquilo que nos envolve e nos apaixona. O resto não interessa para nada. É tudo fantasia. Palavras ocas. Gente que diz e faz balelas e mais nada. Insignificâncias é o que acontece diariamente. E o mundo roda. E tudo muda. E poucos olham mais longe, porque o que conta, o que nos atrai é o abismo da insignificância. Da espuma dos dias.
 
 
 
 
 
E vos deixo com as palavras de Aulo Pérsio, in “Sátiras”:
 
“Do nada, nada vem; e ao nada, nada pode reverter.”


sábado, 3 de agosto de 2013

Prazeres de verão









João Alfaro
"Prazeres de verão"
Pintura sobre tela, 2013
 
 
 
 
 
 
Agora é o tempo de muitos rumarem a outras paragens; a outros prazeres; a outras descobertas. Também há os que ficam. Os que não podem, não querem, não sabem ir por aí. Quer uns, quer outros o destino é o mesmo: viver um dia de cada vez. Não há que enganar. A vida decorre instante a instante: agora bem, depois logo se vê.
 
Quando o calor aperta a vontade das vivências é diferente. Em casa, na rua ou na praia, a postura e a alegria solar fazem a diferença. Dos fechados viveres se saboreia a vida ao ar livre, com passeatas  envergando as vestes apropriadas dos tórridos dias. Quanto é bom olhar, ver  e sentir que a vida é bela, mesmo que falte tanto.
 
Entre o possível e o imaginário os dias passam, como se tudo fosse breve e insignificante, porque, verdade seja dita, a valorização das atitudes e do bens é apenas uma questão cultural. Nascem e morrem ideias, projetos e realidades pela vontade dos desígnios do momento, e, como todos os momentos, o que ontem era certo, hoje talvez não seja assim. O que eu sei mesmo é que está calor. Quando as temperaturas sobem resta-me (por enquanto) umas amizades para confraternizar. E lá vou eu ao encontro dos amigos do costume, depois da fobia pictórica que é o âmago deste meu viver, entre a fantasia e a realidade.
 
Bom verão.
 
 
 
 E vos deixo com as palavras de Virgílio, in Éclogas:
 
“Cada um é arrastado pelo seu prazer.”