domingo, 18 de março de 2012

Olhar com olhos de ver



Basta olhar. Olhar é apenas ver imagens de um instante. Ver com olhos de ver é bem diferente. Olhamos tanto e apenas observamos o que nos interessa ou, melhor dizendo, aquilo que a nossa capacidade consegue discernir. Olhar com olhos de ver é alcançar mais longe. É distinguir o que é importante num contexto nesse momento. Infelizmente quase sempre se vê o mesmo, sem querer ver mais, muito mais. Somos assim. Quase todos.

Esta imagem “Momentos” é uma tela recente de 50x50 cm. Numa breve visualização mais não é que a representação de duas figuras abraçadas. Com um olhar atento muito mais há para descobrir, porque não basta olhar, é preciso ver com olhos de ver.

E vos deixo com as palavras de Antoine Saint- Exupéry que disse um dia:

“O essencial é invisível aos olhos.”

domingo, 11 de março de 2012

A vida é bela


A vida é bela. Depende do que queremos. Dela. Da vida. Uns vivem para ter bens materiais e invejam, até, os que pouco possuem. Depois há os outros. Os que sabem que o importante é saber viver com aquilo que se pode ter. E só aquilo que se pode ter. E mais nada. Com ambição mas não com inveja, nem soberba. Para estes a vida é bela. Para os outros, um inferno. Sempre.
Esta pintura "A vida é bela", tela de 2012, é mais um retrato de um momento, igual a tantos outros. É um momento. E os momentos, porque o tempo não volta, são sempre importantes. Porque tudo passa num ápice, e, de repente, percebemos com nostalgia e angústia que, tudo se foi, num piscar de olhos. O que ficou não foi a luta dos caprichos, dos desejos sem sentido, do orgulho, da vaidade, da avareza, da ira, porque, o que ficou, realmente, foi um conjunto de memórias, de episódios felizes que, passado o momento, é recordado. A vida é assim: bela. E por isso a pinto.
E vos deixo com as palavras de Victor Hugo que escreveu um dia:
“A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo.”

domingo, 4 de março de 2012

Imagens



“A imagem é uma coisa e um ser humano é outra…é muito complicado viver de acordo com uma imagem.”
Elvis Presley


Há imagens que nos perseguem; que nos afetam; que nos angustiam; que nos apaixonam. Pela proximidade, ou pela impossibilidade. Há coisas impossíveis de concretizar, no entanto, podemos sonhar, imaginando episódios de acordo com os desejos. Por isso lemos romances e incorporamos as personagens; gostamos de cinema porque integramos a ação; olhamos para fotografias dos outros, de outros tempos e, também, adoraríamos viver esses momentos idílicos como se fôssemos os fotografados. "Vivemos" dentro das imagens. "Somos" as imagens, ou não fosse o conceito de realidade muito amplo...

 “Laços de Ternura” é o nome da pintura em tela de 2012 que ilustra esta semana o meu blog. É mais uma imagem que criei dentro da temática, que agora desenvolvo, sobre afetos. A arte, como a vejo, é um campo de abordagens, onde a especulação de cada um é um contributo para que a obra seja pungente, direta e abrangente, em que muitos se incorporam e se identificam...com as imagens.


E vos deixo com a música de Elvis " Its now or never" que destruiu muitos corações pela… imagem




domingo, 26 de fevereiro de 2012

Nós

 
 
Toda a gente se queixa. Mesmo aqueles que possuem tudo. É a nossa natureza. Nunca estamos contentes. E quando a tragédia acontece é que percebemos a dimensão da perda e dos valores. Então sim entendemos o que é realmente importante nas nossas vidas. E, no entanto, perdemos tempo com episódios sem significado. Infinitamente.
Este retrato, em tela, de 2012 “Olhares Trocados”, é mais um momento que procuro captar, e que ilustra (tanto quanto possível) este nosso modo de estar e sentir num determinado momento. Gosto particularmente de olhar os outros e tentar traduzir, na pintura, certas atitudes deste viver com as alegrias e as angústias do costume. O que me move enquanto pintor é a ambição de conseguir ilustrar como somos e, porque somos o que somos. O que me interessa é ver não só o presente do Homem, mas como ele é hoje e sempre. Pretendo situar-me em todo o lado e em todas épocas, porque as emoções - base do meu trabalho- não têm fronteiras , nem se fecham no tempo.
 E vos deixo com as palavras de Hugo Hofmannnsthal, in “Livro dos Amigos”:
“De meros vazios se constrói o recheio da existência humana.”

Amores Felizes




João Alfaro, "Amores Felizes" pintura em tela de 2012





Nino Rota, "Romeu e Julieta" 1968


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Influências - (IV)


João Alfaro



Lucian Freud

 O pior que pode acontecer a uma pessoa é ficar só. É terrível. Uma voz, um toque, uma presença valem ouro quando a solidão é imensa. Retratar esse estado de alma é comum na arte. O desencanto; as maleitas; as desgraças; as misérias da vida fazem parte deste nosso modo de sofrimento e que tantos, em tantas épocas, ilustraram. A arte é a vida com a representação dos bons e dos maus momentos. E, por isso, gosto de pintar o que me faz sorrir e o que me deixa triste, porque tudo tem como finalidade compreender este caminho, que é o nosso, seja pelos trilhos certos, ou não...

Lucian Freud, que morreu recentemente, foi um dos que me influenciou, enquanto pintor. A temática do retrato com a expressividade da solidão que predomina na sua pintura e a qualidade dos trabalhos, muito elaborados, fizeram com que tivesse perante este grande artista um fascínio particular. A coerência e consistência pictórica numa época de tanta variedade e pretenso modernismo foram, para mim, uma fonte de inspiração e encanto.
E vos deixo com as palavras de Ortega y Gasset que escreveu in “A Desumanização da Arte”:

“O prazer estético deve ser um prazer inteligente.”


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Usos e costumes




Não me interessa falar da “vidinha”. Não quero dizer nada sobre acontecimentos recentes que jorram diariamente nos jornais, televisões e blogs. Não pretendo questionar factos chocantes e atitudes menos honestas. Não. O que quero mesmo é colocar outros interesses, outras preocupações na minha órbita de juízos críticos. Aqui. O que me interessa é olhar esta caminhada de séculos civilizacionais e, como artista, retratar os valores que julgo maiores, como a ilustração das emoções, que, afinal, nos move, nesta singularidade de cada um, com os seus mistérios, desejos, encantos e ambições.

Esta pequena tela “O Abraço” de 50x50 cm, obra de 2012 é uma imagem criada tendo presente o nosso tempo onde, entre tantos considerandos sociais, os usos e costumes, deste início de século, formam um tecido comportamental em que se expressam sentimentos de acordo com posturas comuns, em tanto lado, independente dos estratos sociais. Aqui, porque os adolescentes transportam consigo a liberdade e a aspiração da felicidade, a postura (neste retrato) é a exemplificação de um tempo e de um modo de estar.

E vos deixo com as palavras de Sebastien – Roch Chamfort que escreveu um dia:

“Neste mundo existem três espécies de amigos: aqueles que nos amam, aqueles que não se preocupam connosco, e os que nos odeiam.”