quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bruxaria



“A palavra Bruxaria, segundo o uso corrente da língua portuguesa, designa as faculdades sobrenaturais de uma pessoa, que geralmente se utiliza de ritos mágicos, com intenção maligna - a magia negra - ou com intenção benigna - a magia branca. É também utilizada como sinônimo de curandeirismo e prática oracular, bem como de feitiçaria.”

In Wikipédia


Este é (na minha casa) um dos cantinhos onde, naturalmente, aparece o meu trabalho, aqui misturado com a simbólica bruxa checa. Não sou crente de coisa nenhuma. Acredito na ciência e, quando esta ainda não consegue explicar, é tudo uma questão de tempo. É mais saber que explica os mistérios da vida. As dúvidas, as incógnitas, os intrincados fenómenos não passam de ignorância; de incapacidade para descobrir cientificamente a verdade das coisas. De todas as coisas. O resto é puro oportunismo. O tempo, sempre o tempo - que é um acumular de mais saber -, traz a explicação científica do feitiço, da magia, ou do rito mágico. Traz Sempre. Sempre.

Estas duas pinturas foram feitas após uma viagem que fiz a Itália e que me fascinou. Recordo as cores ocres, os castanhos, a arquitectura e os espaços que, aqui, nestas pinturas acabaram por aparecer, pela influência que tudo me provoca, quando olho com olhos de ver e de pintor. História da Minha Pintura.


Recordo hoje Leonardo da Vinci:

“Quem pensa pouco, erra muito.”

terça-feira, 13 de julho de 2010

Amores de estudante



Canção do Amor-Perfeito
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'



Esta imagem procura mostrar (como tenho feito ultimamente) o espaço privado e a inserção da pintura no contexto do lar. Este meu trabalho, de formato quadrangular, faz parte da série representando contextos juvenis. Aqui pode perceber-se a importância da escala e da relevância que as peças têm mercê das suas dimensões, porque independentemente da valia ou não, ninguém fica indiferente ao tamanho das peças, donde procuro criar obras que se destaquem, daí a minha preferência pelo grande formato. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a Tuna Universitária do Porto e “Amores de Estudante”.


segunda-feira, 12 de julho de 2010

O teu riso



O teu riso

"Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso..."


Pablo Neruda


Felizmente. Acabou o Mundial de Futebol. Não se falou de outra coisa, nesta quinzena. Hoje lembrei-me de Pablo Neruda. Faria anos se fosse vivo. Ficou a poesia que revejo, de vez em quando, porque vejo passar amores, desejos e paixões. Como todos.

Enquanto pinto faço muitas paragens procurando ver de longe e com serenidade o que as cores e as formas geram. Aqui sentado, observo e penso. Penso muito. Como todos os que olham esta passagem chamada vida. Vejo na junção das cores harmonia ou não; vejo nas formas combinações correctas ou deploráveis. Em suma: vejo e não vejo. Como toda a gente.

Esta imagem mostra mais um trabalho que, como todos os outros, é uma visão deste nosso tempo, onde habita tudo num conflito de interesses e de jogos virtuais. Cores fortes, sombras e luzes numa representação espacial de diferentes planos constituem esta amálgama pictórica. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a voz maravilhosa de Plácido Domingo

domingo, 11 de julho de 2010

Trabalho



Poeminha sobre o Trabalho

Chego sempre à hora certa,
Contam comigo, não falho,
Pois adoro o meu emprego:
O que detesto é o trabalho.

Millôr Fernandes, inPif-Paf


É aqui que tudo acontece, ou quase tudo. Longe vão os tempos em que os artistas vinham para a rua pintar, como acontecia no século XIX e XX. Hoje, apenas para turista ver, nas principais praças das capitais da Europa (é o que eu conheço melhor), se observa a feitura, sobretudo, de desenhos caricaturais, de uns pretensos artistas, perdidos no sonho da arte pictórica. O trabalho é feito na solidão e no silêncio das quatro paredes, apenas quebrado pelo aparecimento dos modelos ou da música. É assim todos os dias. Deve ser assim todos os dias. Se assim não for não há obra por muita visualização mediática que se queira. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a música que me fascina e me acompanha na solidão do trabalho. Hoje lembrei-me de Bethoven e Fur Elise”.

sábado, 10 de julho de 2010

Espaço privado



Hoje, de novo, levanto o véu e vou mostrando pedaços de espaços privados. Hoje como nunca a privacidade é tão mundana. Hoje, uns cientes ou não do valor e do significado da vida privada, tudo fazem para a proteger ou, pelo contrário, a devassam. É neste limbo que procuro ir falando de mim e do meu trabalho. Para alguns é um caminho, como outro qualquer, de divulgação e promoção; para outros, ainda, é um olhar com julgamentos censórios. Afinal, nada é como dantes. A net mudou o mundo e, se nas aldeias todos sabem de todos, agora também na cidade todos conhecem todos, ou não vivêssemos na era da informação global. Para o melhor e para o pior.

Esta imagem procura, sobretudo, mostrar pintura, relacioná-la com o espaço e dar uma imagem das dimensões das peças. O impacto das obras pictóricas não depende somente do tamanho mas, sem dúvida, que ganha uma visualização e um alcance que o pequeno formato não consegue ter. Procuro, dentro das muitas limitações que o trabalho implica, pintar preferencialmente telas de grande formato. História da Minha Pintura.

E recordo hoje as palavras de Georges Braque:

“Na arte só uma coisa importa: aquilo que não se pode explicar.”

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Degrau a degrau



A vida é feita de etapas. Fáceis ou tortuosas. As (etapas) difíceis são conquistadas de degrau em degrau. É assim que saboreamos as nossas capacidades, e a determinação que impomos, no que fazemos. Depois é olhar e ver, com olhos de ver, o alcance dos desejos e das vitórias. Degrau a degrau.

Esta imagem pretende apenas contextualizar uma obra num espaço. Preferencialmente gosto mais de trabalhar em projectos de grandes dimensões, e, quando se trata de pintura, de longe, sou apologista das grandes telas. Aqui mostro um trabalho antigo que serve, agora, para exemplificar esta série, que é apenas uma viagem pelos meus espaços privados, ou seja, uma mostra do meu trabalho que é, naturalmente, uma parte significativa da minha vida, nos meus espaços familiares. História da Minha Pintura.

Hoje recordo as palavras de Henry Miller:

“A única disciplina que a vida impõe, se formos capazes de a assumir, é aceitar a vida sem a questionar.”

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Projecto de vida



Cada um concebe um desejo de vida. Sonhamos todos com o melhor que a imaginação alcança. Para uns é a liberdade; para outros a riqueza; outros ainda a felicidade; e muitos outros a saúde. Desejos e sonhos. Simplesmente uns plausíveis; outros nem tanto, e outros, ainda, pura fantasia. Projecto de vida é apenas um desejo com muitos sonhos e também muitas desilusões. Como tudo na vida.

Agora, neste momento, de tantas dúvidas (como sempre foi este andar por aqui) tenho um projecto de vida que é uma mistura de sonho, realidade e fantasia. O futuro começa sempre no dia seguinte. O dia seguinte poderá ser o expectável ou o cabo das tormentas. Pensando bem é o nosso dia-a-dia. Sempre previsível e, por vezes, bem diferente, ou não fosse este viver, um mar de dúvidas com encantos e desilusões. Todos os dias.

Esta fotografia retrata um projecto de vida em fim de ciclo. Agora é chegado o tempo do sonho, da fantasia e do desejo. Depois se verá. Por agora esperam por mim duzentas telas e cem aguarelas. Se forças houver e imaginação também, então nascerá qualquer coisa de mim, com sabor a liberdade e prazer sem fim. História da Minha Pintura.

Lembrei-me hoje das palavras de Jean Guéhenno, in “A Fé Difícil”:

“Vivemos uma vida, sonhamos com outra, mas a verdadeira é a que sonhamos.”