domingo, 11 de julho de 2010

Trabalho



Poeminha sobre o Trabalho

Chego sempre à hora certa,
Contam comigo, não falho,
Pois adoro o meu emprego:
O que detesto é o trabalho.

Millôr Fernandes, inPif-Paf


É aqui que tudo acontece, ou quase tudo. Longe vão os tempos em que os artistas vinham para a rua pintar, como acontecia no século XIX e XX. Hoje, apenas para turista ver, nas principais praças das capitais da Europa (é o que eu conheço melhor), se observa a feitura, sobretudo, de desenhos caricaturais, de uns pretensos artistas, perdidos no sonho da arte pictórica. O trabalho é feito na solidão e no silêncio das quatro paredes, apenas quebrado pelo aparecimento dos modelos ou da música. É assim todos os dias. Deve ser assim todos os dias. Se assim não for não há obra por muita visualização mediática que se queira. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a música que me fascina e me acompanha na solidão do trabalho. Hoje lembrei-me de Bethoven e Fur Elise”.

sábado, 10 de julho de 2010

Espaço privado



Hoje, de novo, levanto o véu e vou mostrando pedaços de espaços privados. Hoje como nunca a privacidade é tão mundana. Hoje, uns cientes ou não do valor e do significado da vida privada, tudo fazem para a proteger ou, pelo contrário, a devassam. É neste limbo que procuro ir falando de mim e do meu trabalho. Para alguns é um caminho, como outro qualquer, de divulgação e promoção; para outros, ainda, é um olhar com julgamentos censórios. Afinal, nada é como dantes. A net mudou o mundo e, se nas aldeias todos sabem de todos, agora também na cidade todos conhecem todos, ou não vivêssemos na era da informação global. Para o melhor e para o pior.

Esta imagem procura, sobretudo, mostrar pintura, relacioná-la com o espaço e dar uma imagem das dimensões das peças. O impacto das obras pictóricas não depende somente do tamanho mas, sem dúvida, que ganha uma visualização e um alcance que o pequeno formato não consegue ter. Procuro, dentro das muitas limitações que o trabalho implica, pintar preferencialmente telas de grande formato. História da Minha Pintura.

E recordo hoje as palavras de Georges Braque:

“Na arte só uma coisa importa: aquilo que não se pode explicar.”

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Degrau a degrau



A vida é feita de etapas. Fáceis ou tortuosas. As (etapas) difíceis são conquistadas de degrau em degrau. É assim que saboreamos as nossas capacidades, e a determinação que impomos, no que fazemos. Depois é olhar e ver, com olhos de ver, o alcance dos desejos e das vitórias. Degrau a degrau.

Esta imagem pretende apenas contextualizar uma obra num espaço. Preferencialmente gosto mais de trabalhar em projectos de grandes dimensões, e, quando se trata de pintura, de longe, sou apologista das grandes telas. Aqui mostro um trabalho antigo que serve, agora, para exemplificar esta série, que é apenas uma viagem pelos meus espaços privados, ou seja, uma mostra do meu trabalho que é, naturalmente, uma parte significativa da minha vida, nos meus espaços familiares. História da Minha Pintura.

Hoje recordo as palavras de Henry Miller:

“A única disciplina que a vida impõe, se formos capazes de a assumir, é aceitar a vida sem a questionar.”

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Projecto de vida



Cada um concebe um desejo de vida. Sonhamos todos com o melhor que a imaginação alcança. Para uns é a liberdade; para outros a riqueza; outros ainda a felicidade; e muitos outros a saúde. Desejos e sonhos. Simplesmente uns plausíveis; outros nem tanto, e outros, ainda, pura fantasia. Projecto de vida é apenas um desejo com muitos sonhos e também muitas desilusões. Como tudo na vida.

Agora, neste momento, de tantas dúvidas (como sempre foi este andar por aqui) tenho um projecto de vida que é uma mistura de sonho, realidade e fantasia. O futuro começa sempre no dia seguinte. O dia seguinte poderá ser o expectável ou o cabo das tormentas. Pensando bem é o nosso dia-a-dia. Sempre previsível e, por vezes, bem diferente, ou não fosse este viver, um mar de dúvidas com encantos e desilusões. Todos os dias.

Esta fotografia retrata um projecto de vida em fim de ciclo. Agora é chegado o tempo do sonho, da fantasia e do desejo. Depois se verá. Por agora esperam por mim duzentas telas e cem aguarelas. Se forças houver e imaginação também, então nascerá qualquer coisa de mim, com sabor a liberdade e prazer sem fim. História da Minha Pintura.

Lembrei-me hoje das palavras de Jean Guéhenno, in “A Fé Difícil”:

“Vivemos uma vida, sonhamos com outra, mas a verdadeira é a que sonhamos.”

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Calor infernal



Agora é todos os dias o mesmo: calor infernal. De manhã pelo romper do dia se faz o que tem de ser feito. De tarde, os que podem fugir (do trabalho) procuram a sombra e o nada fazer, enquanto a temperatura não baixar. É assim por estas bandas. Como é bom o calor depois de tanta chuva e de uma invernia prolongada. É bom para quem pode saborear o que há para saborear com os excessos do tempo. O problema é sempre igual -os mesmos do costume, têm de fazer, quer queiram, quer não, esteja o tempo que estiver, mesmo com o calor infernal. Afinal, a igualdade é só para alguns. E as oportunidades também.

Estes trabalhos em aguarela fazem parte do meu modo de estar e ser. Dimensões pequeníssimas e grandes fazem o historial das minhas peças que têm sempre o mesmo objectivo: retratar um tempo e um modo de estar e sentir o mundo, independente dos julgamentos de valor, quer de uns, quer de outros e sobretudo indiferente aos tempos e às modas, porque a arte não deve nunca mover-se consoante os caprichos de quem manda. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Samuel Butler, in The Way of all Flesh”:

“Toda a obra de um homem, seja em literatura, música, pintura, arquitectura ou qualquer outra coisa, é sempre um auto-retrato; e quanto mais ele se tenta esconder, mais o seu carácter se revelará, contra a sua vontade.”

terça-feira, 6 de julho de 2010

Uma das minhas paixões






O calor aperta. A praia para os disponíveis chama como sempre. É o tempo dos banhos nas águas aqui frias, e, quentinhas do outro lado do mundo. Aqui, ao pé de casa, ficamos todos felizes, por estar fora de portas, saboreando a brisa, as cores e as novidades estivais. É assim todos os anos neste rectângulo peninsular. Ora bem.

Muitos artistas representam este período estival de acordo com o seu tempo e as suas gentes. Basta pensar em Almada, em Picasso para não falar noutros. Agora é o tempo dos passeios nocturnos saboreando a frescura esporádica do ar e a chegada dos calores que aquecem a alma e o corpo, tão propenso a aventuras e devaneios. Coisas da vida. Da boa vida.
Estas pinturas (já mostradas) fazem parte do meu percurso pictórico que é, naturalmente, um pouco de mim. Pintar é contar o que somos através de cores espalhadas numa superfície, em que formas compreensíveis ou não, indiciam aquilo que o artista sente. História da minha Pintura.

E vos deixo com a música de Beethoven, uma das minhas paixões.

http://www.youtube.com/watch?v=j_2sewSPKd8

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A parte invisível do visível




A Parte Invisível do Visível

A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.

Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"