segunda-feira, 31 de maio de 2010

Momentos únicos






Vivemos tanto. Uns mais que outros. Quer num caso, quer noutro há momentos únicos. Momentos que jamais esqueceremos. O tempo, sempre o tempo levará (da nossa memória) a maior parte das vivências e apenas restarão alguns momentos. Momentos únicos. Podem ser maravilhosos ou tenebrosos. Se forem memoráveis pelas razões maiores, valeu a pena tê-los vivido, embora, como acontece muito, o que é bom acaba depressa. Fica a recordação e o encanto que só os momentos únicos possuem. E estes ficam sempre no nosso coração. Sempre.

Estes desenhos retratam momentos únicos. Podem ter sido muitos. Em diferentes tempos e repetidos vezes sem conta, mas são momentos únicos. Momentos que não se repetem porque, quer queiramos, quer não, tudo tem o seu tempo e o seu contexto. Felizmente que sabemos inverter, por vezes, a ordem das coisas e encontramos vida quando pensamos que tudo morreu.

Estes desenhos são momentos de carinho realizados por observação directa e com ajuda de modelos. Linhas e mais linhas num cuidado rigor gráfico constituem este labirinto jogo de formas, luzes e sombras. História da Minha Pintura.

Hoje vos deixo com a música de Hoffenbach e “Barcarola”. Eu sei que a média de tempo a ler um blog é de dois minutos e que poucos ouvem a música que se coloca, apesar disso não resisto e ponho , de quando em vez, sons que fazem parte de mim, porque tão importante como pintar, conversar e conviver é ouvir sons que transmitem a serenidade e a tranquilidade que só a Grande Música alcança.


domingo, 30 de maio de 2010

O nosso pensamento












A Nossa Vontade e o Nosso Pensamento
Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,
A visão perturbada de que acima
De nós e compelindo-nos
Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem,
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem
E nós não desejamos.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa


Estes desenhos são apontamentos feitos em diferentes momentos e em diversos locais. A cada um corresponde um pensamento e uma vontade. Tudo o que faço é transmitir ideias e estados de alma, perceptíveis ou não. Aqui, nesta amálgama de formas gráficas, o importante é conseguir a essência das muitas ideias que nos assaltam, e que nos fazem levar a actos, posturas e atitudes que compõem este nosso modo de viver, e que procurei, deste modo, retratar com o meu olhar e a minha pena. História da Minha Pintura.

E vos deixo hoje com a música de Handel e a voz de Cecilia Bartoli em “Um Pensiero Nemico Di Pace”.

sábado, 29 de maio de 2010

O corpo






A natureza humana tem as suas regras. Regras do tempo, pois claro. A nossa cultura tem orientações estéticas, que se regem por conceitos temporais , mas de outra ordem. Baixo, magro, gordo, alto, feio ou bonito são juízos de valor. Apenas isso. E só isso. O que é feio hoje pode ser bonito depois e vice-versa. Até o corpo.

Estes desenhos são meros registos gráficos de posições simplificadas do corpo, que tem o encanto eterno, neste jogo de desejos que é a vida. Para uns é belo enquanto que é horrível para muitos outros. Modos de ver a mesma realidade com considerações tão díspares, é a nossa forma de entender este mosaico humano.

Desenho através de qualquer meio riscador, num indiferenciado suporte, quase todos os dias. É assim que eu trabalho, como atestam estes apontamentos hoje publicados, aqui tendo como suporte o papel, o meio riscador foi o lápis de cor e o processo formal consistiu em riscar, riscar e ... as imagens foram aparecendo.História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Noel Clarasó:
“O corpo, se for bem tratado, dura uma vida inteira.”

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Jogadores de cartas


Não se fala de outra coisa. É desporto e mais desporto. E o mundo, todos os dias, muda com notícias tristes. E nós olhamos para o lado, encantados com os pontapés na bola. Enfim...

Este conjunto de pequenas telas é uma combinação de enquadramentos sobre um jogo de cartas. Cores e formas simples formam este trabalho que, surgiu para ilustrar um determinado contexto, vivido em tempos, e que busca essencialmente captar um ambiente. O jogo é fértil em emoções e desafios e por isso tanto encanto. Pelas melhores e pelas piores razões.

Gosto sobretudo de pintar em telas de grandes dimensões, no entanto, não resisto a comprar pequenas telas que me servem para estudos. Este conjunto foi feito a pensar num projecto de outra envergadura, mas o tempo passou e o interesse pela temática também. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Jean de La Fontaine:
“Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.”

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Festas populares



O Verão está à porta. O calor já começa a chegar e o desejo das festanças também. Um pouco por todo o lado, o bom povo procura a brisa do mar ou os comes-e bebes acompanhado pela música do costume. De banda em banda se assiste ao cortejo e à simbologia da festa. E assim com sonoridade, calor e muitos aromas se faz a história das vidas por aqui. Em 2010. Nas festas populares.

Esta pintura em tela é mais uma representação do encanto que a se assiste quando a banda passa. É um ritual sempre chamativo, sempre cativante, sempre desejado. A simplicidade é a fórmula mágica que faz perpetuar modos e posturas. O que é genuíno tem esse dom. E foi esse modo de contemplar a banda a passar que este meu trabalho procurou vincar.

Ambiente com alguma fantasia e cores quentes fazem esta obra, onde o jogo de luzes e sombras ocupam um lugar relevante.História da Minha Pintura.

Hoje lembrei-me das palavras de Victor Hugo, in “Contemplações”:

“O homem é uma prisão em que a alma permanece livre.”

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Só penso



Já não Vivo, Só Penso

Já não vivo, só penso. E o pensamento
é uma teia confusa, complicada,
uma renda subtil feita de nada:
de nuvens, de crepúsculos, de vento.

Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,
e eu cada vez mais vaga, mais alheada.
Percorro o céu e a terra aqui sentada,
sem uma voz, um olhar, um movimento.

Terei morrido já sem o saber?
Seria bom mas não, não pode ser,
ainda me sinto presa por mil laços,

ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços.


Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"

Esta tela é um olhar pela cercania e pela postura dos momentos de meditação. Pensamos tanto e, no entanto, muito fica na incógnita dos desejos de cada um. É esse retrato do intimismo do espaço e do indivíduo que gosto de expor. Cada tempo tem as suas marcas e, esta pintura de 86, procura caracterizar o meio e modos de estar.

Para fazer este trabalho fui profundamente influenciado pela pintura americana dos anos setenta. A perspectiva, as cores e a pose definem esta obra feita num ápice.História da Minha Pintura.

E vos deixo com a música de Verdi, a voz de António Cortis e uma ária de "Rigoletto".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lugares mágicos



Há sítios com magia: encantam e deslumbram. Por muitas razões nos apaixonamos por lugares. Lugares que têm a beleza e a capacidade de nos emocionar. Pode ser só pela estética, ou pela História, ou pela conjugação de interesses. O importante mesmo é gostar de estar no sítio certo, porque o que conta é o prazer, e este, depende de cada um, de acordo com as circunstâncias, ou seja, a magia é feita dentro de nós, e não em lugar nenhum.

Esta tela é uma pintura que procura retratar um espaço que tem a magia das cores, das luzes, das sombras e da História (para mim). Porque gostei tanto de olhar com olhos de ver esta conjugação de elementos estéticos e narrativos, não resisti a criar esta paisagem, onde a mão do Homem se harmonizou com a Natureza. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Friedrich Nietzche, in “A Gaia Ciência”:

“As explicações místicas passam por profundas; a verdade é que nem sequer são superficiais.”