quarta-feira, 17 de março de 2010

Comportamentos



Acontecem-nos coisas incríveis. Umas são alvo de chacota, outras de divertimento, outras de profunda tristeza. O que nos deixa saudades é o que a memória nos faz alegrar. Dessas há muito por contar. E quase todos nós sabemos contar episódios mirabolantes. E destes é preciso sempre ter os pés assentes na terra. Cada um escolhe a sua conduta, que, a meu ver, tem de ter o fantástico e o maravilhoso, porque a vida passa depressa e é preciso viver momentos surreais. Para o nosso bem-estar. Podem crer.

Esta tela é uma representação do pouco lógico, segundo os comportamentos e as atitudes que devemos ter em certos contextos. Uma mesa não é o local indicado para dormir, todavia, pelos muitos episódios surrealistas pode acontecer que a mesa tenha outras funções mesmo pouco adequadas. A pintura serve também para imaginar ambientes e situações invulgares e completamente impossíveis. Aqui é sobretudo a liberdade que convive e se respira, onde o gato também tem lugar.

Numa pincelada rápida, procurei criar um jogo de cores e de sombras para realçar as personagens. Como sempre faço as cores vão nascendo pelas misturas e pelos jogos de procura, assim como certas formas, porque eu quando inicio um trabalho não faço ideia como ele vai acabar. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Confúcio:

“Aprende a viver como deves, e saberás morrer bem.”

terça-feira, 16 de março de 2010

Sala de espera



Detesto. Detesto esperar. Detesto que esperem por mim. O tempo é demasiado precioso para ser desperdiçado. Não podemos. Não devemos perder tempo com banalidades. Devemos sim saber tirar partido dos momentos mortos. E pensar. Pensar bem nisto e naquilo, para, na hora certa, fazer bem. Se forças houver. E sabedoria também.

Esta pintura em tela retrata um dos muitos momentos em que o tempo é gasto em coisa nenhuma. É o chamado tempo morto. Nada se faz de proveito, apenas se espera. Pelo tempo certo. Pelo momento desejado. Com muita paciência para vencer a espera, que é, tantas vezes, um sacrifício.

Enquadramento, perspectiva, cores complementares e formas múltiplas compõem este trabalho, que procura corresponder a modos de estar em circunstâncias próprias, aqui, num rápido registo formal. História da Minha Pintura.

Recordo as palavras de Carlo Goldoni:

“Quem vive esperando, morre penando.”

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ler e mais ler



A leitura, do que nos interessa ou não, faz parte do dia-a-dia. Gostamos ou detestamos este ou aquele artigo. Ficamos sensibilizados pelo conhecimento deste e doutro facto lido. Ignoramos este texto ou esta imagem que nada nos diz. É assim todos os dias quando se lida com muita informação. E escolhemos. Bem ou mal é connosco. Para o melhor e para o pior. Como tudo na vida.

Esta tela é um daqueles momentos em que a consulta a um manual é importante ou não, de acordo com os interesses individuais. Para uns faz todo o sentido ler e conhecer este e aquele registo. Para outros é uma perda de tempo. Cada um escolhe o seu destino que depende não dos livros, mas sobretudo da falta deles.

De acordo com as características das personagens gosto de retratar os meus modelos. Aqui a colocação da retratada, a sua pose e o caderno procuram definir quem pintei, e porque pintei. Cores cinzas e rosas num ambiente sóbrio formam esta tela quadrangular de 80x80 cm de 2003. História da Minha Pintura.

Recordo as palavras de Gilbert Cesbron:

“A personalidade assemelha-se a um perfume de qualidade: quem o usa é único que o não sente.”

domingo, 14 de março de 2010

Encanto feminino



Há rituais de todos os dias: uns são públicos, outros estritamente privados. E porque são privados a intimidade dos comportamentos só diz respeito ao próprio, no entanto, muito do que acontece é apenas um mero registo de modos de estar, sem qualquer relevância e interesse significativo. Mas há gestos que têm o lado estético e cultural que merecem, confesso, a minha admiração – são os gestos só possíveis no universo feminino, que transbordam de encanto, quando um homem olha com olhos de ver. E mais não digo.

Esta tela é um olhar por gestos tão comuns e tão femininos que transmitem sempre beleza e fascínio. É simples e belo o modo como se prepara o ritual decorativo do corpo de uma mulher. É o gesto fortuito que gosto de captar e retratar nas minhas obras pictóricas.
Aqui servi-me do modelo procurando representar um instante e com as cores quentes criar uma atmosfera serena e viva. Muito desenho das formas e estudos de cor até à conclusão desta tela descrevem o caminho percorrido. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Fernando Pessoa, in “Livro do Desassossego”:

“Todo o gesto é um acto revolucionário.”

E vos deixo com a minha última pintura e a música de Puccini, a voz de Yang Huang na ária Un Bel di vedremo” da ópera “Madame Butterfly”.


sábado, 13 de março de 2010

Magia dos espaços



Há locais mágicos. É a beleza natural ou construída que fazem com que o espaço tenha um encanto que nos leva a gostar de estar, vezes e vezes, nos mesmos sítios como se fosse a primeira vez. É sempre emocionante quando nos encontramos nos sítios que mexem connosco. Uns é apenas pela associação de ideias, outros pela história e pelas emoções que esses momentos passados nos provocam, outros ainda porque sabemos encontrar o que buscamos. E buscamos o silêncio, ou a agitação das multidões, ou a luz, ou a brisa do mar, ou isto e mais aquilo. Seja o que for, os locais mágicos são apenas locais que nos fazem gostar de estar. E ainda bem.


Esta tela é um passeio, como tantos outros, onde a comunhão com a brisa, a luz, a arquitectura, o silêncio e tantos outros motivos nos levam a andar por aí, pelos sítios do costume, em busca da magia dos espaços.

Cores previamente escolhidas e um desenho rigoroso na feitura da malha arquitectural fazem a história desta pintura que é resultante do meu desejo de retratar as terras por onde andei. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Victor Hugo:
“Tudo quanto é belo manifesta o verdadeiro.”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Amizades




Mal vamos nós quando não conquistamos a amizade de alguém. Não ter um aconchego nos momentos certos é uma desgraça e, então, nada está bem, tudo está errado. A amizade é ter sempre alguém que nos compreende e gosta da nossa companhia. Pontos comuns de interesse e conveniência fazem milagres neste andar por aí, solitário, no meio da multidão. É a sociedade do século XXI, sem dúvida nenhuma. Infelizmente.

Esta tela é uma representação da cordialidade de instantes do convívio, onde impera, talvez, a amizade e o interesse pela camaradagem, com o melhor e o menos mau, das relações humanas.
Muito tempo demorei a fazer esta tela que, paulatinamente, foi sendo edificada com as construções e destruições comuns a uma pintura, ou seja, formas que nascem e morrem, e cores que sobrevivem após muitas buscas. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de de um texto judaico extraído de “Moisés Maimônides”:

“O bem-estar na vida obtém-se com o aperfeiçoamento da convivência entre os homens.”

quinta-feira, 11 de março de 2010

O banho



É uma necessidade vital. É uma dependência. É uma obrigação. É um desejo. É um prazer. É tudo isto e muito mais o que obtemos e necessitamos do nosso banho diário. E assim ritualizamos um comportamento, e quando, por imperativos múltiplos, não conseguimos repetir os mesmos gestos, as mesmas práticas, as mesmas necessidades, tudo parece nada funcionar bem e, no entanto, é apenas a água que percorre o corpo. Água que tem o simbolismo e a riqueza que só a vida nos dá. Pobres os que não sabem, ou não podem, todos os dias, saborear um belo banho.

Esta tela é mais um contributo na História da Pintura para a ilustração do banho. Muitos foram os artistas como Rembrandt ou Degas que nos deixaram obras-primas sobre este tema. Aqui, num contexto minimalista e num enquadramento “boteriano”, procurei, nuns tons cinzas, mostrar a nudez num contexto onde o banho está insinuado. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Noel Clarasó:

“O corpo, se for bem tratado, dura uma vida inteira.”