quarta-feira, 10 de março de 2010

A banda



É um inferno. É insuportável. Já ninguém é indiferente. É a desgraça do costume: impostos e mais impostos, mentiras e golpadas, desemprego e instabilidade social, miséria e desencanto. Tudo isto é o nosso dia-a-dia. Felizmente que há o outro lado: o lado cultural. O lado das tradições. Faz parte. É na aldeia; é na cidade; é em todo o lado que a banda aparece, levando música pelas ruas e ruelas, para encanto de todos. Crianças, mulheres e homens tocam as melodias de sempre. E sempre são bem recebidos e admirados pela magia que a arte dos sons transporta consigo. Viva a música e esqueçamos, por momentos, o dilúvio.

Esta tela, de grandes dimensões, feita nos anos 90, retrata um grupo de tocadores que um dia vi. Não resisti a homenagear quem tem o dom de levar aos outros a beleza e o fascínio dos acordes musicais. Infelizmente, nem sempre consigo concretizar os meus projectos. Aqui, apesar do empenho outros compromissos foram adiando, adiando e adiando a conclusão desta obra que, de tanto esperar, acabou por ser concluída... sem ser concluída. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Aristóteles:

“A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição.”

E vos deixo com música filarmónica e a Banda da Guarda Nacional Republicana.


terça-feira, 9 de março de 2010

Olhar para o lado



Há os que não se interessam. Há os que vivem sem nada saberem. Há os que tudo lhes passa ao lado. E há os outros. Os que olham e só vêem corrupção, desgraças e um futuro negro. E é neste caminhar que convivemos entre a preocupação e o “deixa andar”. Somos assim. Ponto final.

A tela retrata um momento onde a pose descontraída atesta o modo de viver, longe dos preconceitos e perto da alegria do estar. Este trabalho, de pequenas dimensões, é um dos muitos estudos prévios que faço quando, a priori, ando em busca de ideias para novas telas. Pincelada rápida e cores simples estão na substância pictórica desta obra. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Christian Hebbel, in “Diários”:

“Quanto mais se vive, menos se sabe por que se vive.”

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dormir



Umas vezes de um modo, outras surpreendentemente tão nos antípodas. Somos assim. Convencionais de acordo com o protocolo e libertinos quando nos deixam. As máscaras são muitas e os medos ainda maiores dominam o nosso viver. É preciso respeitar condutas e chefias mesmo que sejam a negação do que pensamos. É o preço a pagar por um bocado de pão. O resto é conversa…

Esta pintura em tela é um daqueles retratos que nos mostra um momento intimista longe das normas e condutas fundamentalistas. Cada instante é único e dele devemos saber tirar partido, contrariando uns e outros se o nosso querer apontar outro caminho. As cores suaves numa posição do dormir defeituoso acentuam a curvatura da composição que é mais um olhar pela natureza humana, aqui numa acalmia sem as tormentas e as desgraças de todos os dias. História da Minha Pintura.


E vos deixo com a música de Paganini e o “Capricho nº24”.

domingo, 7 de março de 2010

Poema à preguiça



Poeminha de Homenagem à Preguiça Universal

“Que nada é impossível
Não é verdade;
Todo o mundo faz nada
Com facilidade”

Millôr Fernandes, in “Pif-Pif”

Esta tela é um olhar pelo encanto da preguiça. Momentos há que gostamos, que gostamos muito, de saborear o nada fazer e relaxar o corpo e o espírito. E pensamos. Pensamos muito: nas coisas boas e nas outras; pensamos nas certezas e nas muitas dúvidas de todos os dias; de todos os momentos. É sempre assim quando a preguiça dá lugar ao pensamento.

Uma pose intimista numa paleta de tons rosa compõem o cromatismo dominante, onde o olhar da preocupação está patente porque, pensar na verdade das coisas, é sempre uma dor de cabeça…História da Minha Pintura.

E vos deixo com Mozart que me serve sempre de repouso, quando preciso de colocar as ideias em ordem. Aqui uma sinfonia concertante com os violinistas Vengerov e Power.


sábado, 6 de março de 2010

Poses



A vivência social implica modos de estar, atitudes e comportamentos julgados correctos de acordo com os contextos e os momentos. Depois há o outro lado da vida: a intimidade. No nosso cantinho relaxamos e damos azo ao prazer da liberdade de estar connosco e, com os nossos, como queremos. É assim mesmo. Ainda bem.

Esta pintura em tela é um retrato da descontracção e do desejo de saborear os prazeres da pose livre, longe dos escárnios de maldizer, onde a preguiça assumida tem o seu lugar. Utilizei um modelo para representar este momento tão comum no dia-a-dia. Cores fortes e uma linha oblíqua que atravessa a composição, como reforço da imagem, fazem a história desta pintura que se insere na temática dos gestos. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de François La Rochefoucauld:

“Temos mais preguiça no espírito do que no corpo.”

sexta-feira, 5 de março de 2010

Teatro da vida



Andamos todos apreensivos: é a Mãe Natureza e é a economia. Tudo funciona mal. A Terra treme e o desemprego alastra, sendo o futuro, uma enorme incerteza. Estas questões fazem-nos pensar no valor da vida e do que é verdadeiramente importante e supérfluo. Uns vivem comediando, outros perdidos. É o teatro da vida.

Esta aguarela é um olhar pela fantasia que acontece em todo o lado. O teatro serve de palco para a representação dos modos de olhar e sentir o pulsar dos sentimentos e desejos. Este trabalho feito para ilustrar um conto, é uma mescla de cores e formas simples, direccionados para a mensagem dos afectos em cenários talvez paradisíacos. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de William Shakespeare:
“Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são.”

quinta-feira, 4 de março de 2010

A morte



Tudo acaba. Tudo um dia termina de vez. Até o que é belo tem o seu fim. E a morte de alguém próximo é sempre um drama e uma tragédia. A vida, essa, continua igual com as horas e as rotinas para todos os outros, menos para os que cá ficam. A morte, infelizmente, deixa sempre imagens que o tempo nunca consegue fazer esquecer. Somos apenas matéria quando nos deitam numa qualquer mesa da morgue. O resto é conversa. E passado.

Esta pintura em tela, de grandes dimensões, é um retrato feito a partir de um modelo que me fez lembrar um episódio vivido. Andamos sempre a aprender, até as dores mais profundas. É assim a vida. De todos.

Aqui, numa pincelada rápida e com o desejo minimalista do espaço, procurei que a representação da figura, quer pelas cores, quer pelo enquadramento, quer pela pose fosse contundente. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Michel Montaigne:

“A morte é de facto o fim, no entanto, não é a finalidade da vida.”