domingo, 28 de fevereiro de 2010

Melanie





Querer é, quantas vezes, uma questão de vontade, de determinação e de desejo. Quando queremos, quando queremos mesmo, fazemos tudo. Tudo. Depois pensamos nas consequências. E no destino. E porque não?

Esta tela é a última pintura que fiz. É mais um retrato onde a pose procura transmitir tranquilidade e serenidade. Aqui, um olhar é um modo de prolongar a acção para lá dos limites da tela e criar interrogações sobre o cenário envolvente. O que quero nas minhas obras é que sejam ricas em considerações estéticas com leituras díspares. Para este trabalho recorri a um modelo: Melanie que, vestida com roupas do mundo islâmico, fez a diferença pelas cores fortes da indumentária. A luz e a riqueza cromática são a essência plástica desta tela que marca definitivamente o meu regresso à pintura. Todas as obras são assinadas e nelas coloco o título e a data da sua conclusão, como aqui . História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Marcus Cícero:
“Não há nada que não se consiga com a força de vontade, a bondade e, principalmente, com o amor.”

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A Natureza



Viajar por aí é descobrir a natureza e a obra dos homens através dos tempos. É fundamental conhecer as diferenças para, em consciência, dizer de sua justiça. Este mundo tão desigual é a prova provada, que os caminhos são tantos, que nem sempre podemos comparar o que não é comparável. Viajemos pois.

Esta tela de grande formato é uma parte de um biombo onde a natureza e a vida das pessoas se conta com a simplicidade da importância dos gestos, das atitudes e do meio circundante. Esta obra faz parte do período em que fiz trabalhos de grandes dimensões para responder a solicitações de fruidores. Estudos prévios, em muitas folhas de desenho, com as formas e as cores marcaram o início. Depois a luta pela procura das cores “certas” fazem o historial desta obra feita com pincéis especiais e tintas. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Jean Jacques Rousseau:
“A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos.”

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Em busca da beleza




Em Busca da Beleza
Soam vãos, dolorido epicurista,
Os versos teus, que a minha dor despreza;
Já tive a alma sem descrença presa
Desse teu sonho, que perturba a vista…


Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”


Este trabalho é uma aguarela que procura retratar um modo de estar, de um tempo que é uma passagem, como tudo na vida. Captar a postura e com ela a sensibilidade é o que me atrai nos retratos. A beleza das formas e dos rostos, que o tempo irá modificar, deixando sempre um rasto do passado, é o que me fascina quando faço retratos. Aqui e agora tenho apresentado gente jovem mas, brevemente, irei mostrar o outro da vida, onde a beleza dá lugar à fealdade. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Bernard Fontenelle:
“A beleza do espírito, causa admiração; a da alma, estima; e a do corpo, amor.”
E vos deixo com a música de Bellini, a ópera "Norma", a ária "Casta Diva" e a voz de Anna Netrebko.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Novos retratos



Os poetas dizem o que procuro traduzir em formas e cores. Hoje trago de novo o meu poeta de eleição.


Teus Olhos Entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.
Digo o que já, de triste, Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste De tão tua que és.
Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.
Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
E vos deixo com a música de Verdi e "La Traviata".


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Olhares encantados



Quando se gosta, quando se gosta mesmo, não nos cansamos de olhar. De olhar para quem gostamos. Dos nossos. E quando são petizes o encanto é ainda maior. É a natureza humana no seu melhor. Felizmente que somos assim. Felizmente.

Esta tela é um fragmento de um biombo, composto por vários painéis, e que aqui retrata um momento de brincadeira, tão comum nas crianças, sob o olhar atento de um adulto. A pintura é sempre um modo de falar da vida, dos sentimentos, do melhor e do pior. Falar é descrever com modos variados o que nos vai na alma. Eu pinto para dizer o que sinto. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Voltaire:
“A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça.”

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Interior(es)



Há espaços e espaços. Há momentos e momentos. Tudo depende da disposição e do olhar para a realidade com olhos de ver ou de imaginar. Ver é também um acto de inventar. Inventar o que queremos ou julgamos existir. Quando olhamos para as coisas construímos teorias e só teorias. A verdade é o que a nossa consciência dita. E a verdade das coisas, dos espaços e dos momentos é tão só uma questão de ajuizar. E ajuizar é sempre um acto individual que, como sabemos todos, cada cabeça sua sentença. Coisas dos Homens. Pois claro.

Esta pequena tela é a representação de um espaço interior que deixa ver a natureza ali tão perto. Para uns, um sortilégio; para outros, não. Opiniões e só opiniões. Gostos e sensibilidades. É assim o mundo feito. Desta vez procurei conciliar dois espaços: interior e exterior e estabelecer uma relação onde a presença humana tão presente, está ausente, ou, estando ausente, está presente. As cores do costume e a pincelada rápida definem este trabalho de quem quer dizer tanto, em tão pouco tempo. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Victor Hugo, in “O Homem que Ri”:
“A carne é cinza, a alma é chama”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Encantos e desencantos



A vivência é dominada pelas posturas e modos de estar de um tempo e de um contexto. Cada época define os seus modos e caracteriza a bem e a mal tudo o que se faz. O tempo, sempre o tempo, com outros olhares, dá uma nova visão das atitudes e dos valores. A relatividade de tudo que comanda a vida é a constante em que vivemos. O certo e o errado de agir é, em última instância, sempre um parecer e não uma certeza. O justo do passado pode ser hoje um impostor e vice-versa. A vida é, afinal, um jogo de muitas reviravoltas. Com encantos e desencantos.

Esta tela é o retrato de um modo de estar e de agir que resulta de comportamentos definidores de um lugar e de um tempo. A liberdade de viver, fazendo e desfazendo, é uma tarefa em constante transformação, como tudo que nos cerca. Tudo, mas mesmo tudo, é uma passagem sem a importância que alguns julgam ter, aqui e em todo o lado. Mais uma vez utilizei modelos para pintar este ambiente, onde o sorriso e a alegria do viver, passa ao lado das muitas normas, sem eira nem beira. História da Minha Pintura.

Recordo hoje um texto cristão extraído de “Jean de Fraine”:
-“Ao invés de manifestar o íntimo, os comportamentos podem também dissimulá-lo.”