domingo, 14 de fevereiro de 2010

Dia dos namorados



Hoje é o dia dos namorados. É o interesse comercial que inventa dias especiais para vender este e aquele produto. Há que comprar qualquer coisa ou mudar a rotina da relação a dois para comemorar o evento. Uma prenda que vale pelo gesto é o que se espera dos que fazem parte do relacionamento. Depois há os outros. Os que não têm ninguém para partilhar os afectos. É assim no dia dos namorados.

Esta tela, de grandes dimensões, é uma dança num espaço idílico tão próprio dos bons momentos. Aqui se vive na acalmia da natureza com a dança como meio de encantar e de aconchegar os afectos. Para fazer esta pintura utilizei modelos e escolhi uma paisagem familiar. Com as cores e as formas do costume procurei traduzir o espaço. Mais uma vez, reforcei a profundidade com as tonalidades e o recurso à perspectiva. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a música de Johan Strauss e “Danúbio Azul”.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

O rei vai nu




Não vale tudo. Quando queremos o céu não podemos ter rabos de palha. Não podemos andar por aí fazendo e dizendo a belo prazer. Há que respeitar condutas e modos de estar comunitários. Se não queremos acatar, não podemos exigir aos outros o que não conseguimos fazer. Quando se está, onde se está, há que merecer o respeito dos outros. E para isso não vale tudo. E o rei vai nu.

Esta tela é um olhar pelas formas diferentes de estar. Aqui fui buscar uma das imagens a uma pintura renascentista. De vez em quando gosto de “roubar” elementos de outros pintores e redescobrir. Eu não invento nada, apenas baralho tudo. História da Minha Pintura.


E vos deixo com uma peça de Hans Christian Anderson: “O Rei Vai Nu”.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Novos hábitos



Novos hábitos de vida fazem parte do nosso viver quotidiano. Agora temos outras consciências. Cuidamos disto e não daquilo. Cultivamos este caminho e não o outro. Optamos por ter esta atitude e não aquela. Aqui e agora. Como sempre. Razão tinha o poeta:
"-Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

Esta tela é um olhar pelo culto do corpo para bem do físico e da mente. Num cenário apelativo, onde tudo parece estar no sítio certo, procurei “ sugerir” as virtudes da prática desportiva. Perspectiva, escala, proporções, texturas, claro-escuro fazem parte deste trabalho. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Luc de Clapiers Vauvenargues:
“Torna-se indispensável manter o vigor do corpo, para conservar o do espírito.”

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Espaços caseiros



É o nosso modo de estar. Construímos casas para habitar. Umas correspondem aos nossos sonhos. Outras serão sempre um sonho. E nelas estabelecemos condutas que nos preenchem ou nos esmagam. É o relacionamento que faz a diferença com muito ou pouco. Uns dias com mais sol e outros com invernias duradoiras (faz parte). É assim nos espaços caseiros.

Esta tela é uma representação de um espaço onde o relacionamento se faz com as condutas do costume, de acordo com a cultura e a religião. Cores, luz, perspectiva e enquadramento dominam este trabalho feito após observar os efeitos luminosos no espaço representado. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Gaston Bachelard, in “O Novo Espírito Científico”:

“Não se encontra o espaço, é sempre necessário construí-lo.”

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A cabeça



É mesmo assim. Podem pensar que são fortes. Podem actuar a seu belo prazer. Podem ter o mundo aos pés. Podem ser venerados. Podem ser os maiores, no entanto, todos os gigantes têm pés de barro… e, depois, é a cabeça que a multidão pede. A cabeça, meus senhores. A cabeça.

Esta tela é um retrato de uma cabeça. Aqui escolhi um ângulo diferente para empolgar a representação anatómica. A pose altiva e o enquadramento formam um outro olhar sobre a condição humana. O meu processo de trabalho é sempre desenhar primeiro nos meus blocos, depois na tela e, só depois, passo para a fase das tintas e dos pincéis. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Marcel Jouhandeau:

“O verdadeiro brasão de cada um é a sua cara.”

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Calmaria



Tenho saudades da calmaria. Tanta inquietação. Tanta angústia percorre este tão instável modo de estar em sociedade. Aqui e agora. É a incerteza que paira no horizonte com tantas nuvens negras. Tantas interrogações nos perseguem. Acabaram as certezas. Vivemos na dúvida permanente. Nada está garantido. Tantos sonhos. Tanta esperança. E a realidade é o que é: a incerteza para sempre.

Esta tela é o retrato de um mundo de calmaria onde os sonhos ainda têm lugar. A pintura é isso mesmo: andar por aí construindo imaginários contextos que se glorificam ou condenam. Com as cores da natureza e as poses peculiares fiz este trabalho. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Henri Amiel, in “Diário Íntimo”:

“Uma paisagem qualquer é um estado de alma.”

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Confronto



Os usos e costumes definem um espaço e uma época que, nos dias de hoje, muda muito rapidamente. A coexistência de interesses, díspares e opostos, gera os conflitos que fazem parte da eterna mudança, deste nosso viver em sociedade, porque já diz o velho ditado: “Cada cabeça sua sentença.” O verdadeiro problema é quando as cabeças que mandam… mandam mal. Como acontece um pouco por todo o lado. Aqui. Aqui mesmo, na nossa terra.

Esta tela é o retrato de duas gerações. Dois modos de estar no tempo presente. Duas atitudes perante a vida. Procurei, nesta pintura, representar através das posturas, do vestuário e das cores os modos de estar e sentir. As cores são quentes e a pincelada contida. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Johann Goethe, in “Máximas e Reflexões”:

“O comportamento é um espelho em que cada um vê a sua própria imagem.”