domingo, 7 de fevereiro de 2010

A derrocada



Hoje uma notícia, amanhã mais outra e, todos os dias, nada de bom acontece. As lamúrias e o desencanto crescem entre todos. Já poucos acreditam em tanta inocência, ou, em tanta falsidade. É a derrocada que aí vem, porque tudo o que é lançado ao vento, mais tarde ou mais cedo cai por terra. É uma questão de tempo. Como sempre.

Esta tela, feita em tempos idos, é um olhar pelo desencanto do estar com os outros, quando as conversas são trivialidades. O café (que ainda é o local acessível às muitas carteiras) é o nosso escape para falarmos de tudo e de nada, contra tudo e contra nada. Aqui procurei captar expressões e retratar com fidelidade o espaço. Enquadramento, escala e posicionamento dos elementos numa mescla de cores originaram esta pintura que é um pouco de mim. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Séneca:

“Antes queria ser derrotado do bem do que vencer no mal.”

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Más notícias



Tudo de mau parece acontecer neste nosso mundo. Todos os dias é isto e mais aquilo. E só de desgraças nos alimentamos. Não se fala nas coisas boas. É só drama e comédia irónica no quotidiano. A angústia é o nosso estado de alma permanente. Não nos deixam respirar com alegria. Tantos medos, tantas dúvidas, tanta selvajaria constituem o dia-a-dia. E amanhã, aí estão, para não variar: as notícias. E as notícias são sempre as más notícias. Valha-nos Deus.


Esta pintura retrata um brinquedo que hoje é um objecto de colecção, longe das crianças já que estas estão mais interessadas nas novas tecnologias, impostas pelos imperativos da mudança dos usos e costumes. Esta pequena tela é mais um olhar a outros tempos, onde as más notícias passavam ao lado, e as crianças brincavam com objectos de madeira, de lata e conviviam uns com os outros na rua e não fechados em casa sozinhos. Para fazer este trabalho coloquei o objecto perante mim, e com observação directa e contínua, fui desenhando e depois fui pintando procurando traduzir com fidelidade as cores próprias. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de um texto hindu, in “ Hitopadexa”:


“Vazia é a casa sem uma criança.”

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O último sonho



Acabou. Acabou de vez o último sonho. Acabou. Nada é como dantes. Tudo mudou. Agora resta a resignação. Há mais mundo para além do sonho. E os sonhos são tão variados. Uns querem viajar e conhecer gentes e paisagens exóticas. Outros gostariam de viver noutros aposentos. E ainda outros vivem na ilusão da sorte e dos muitos desejos que a ambição alcança. Eu gostaria de ter tempo para os meus devaneios. Tempo é o que não tenho. Nunca tive. Nunca terei. E lá se foi o último sonho.

Esta tela é mais um dos bancos de jardim que pintei, exactamente, porque também é neles - nos bancos de jardim -, que o pensamento nos leva aos muitos sonhos. Ao trabalhar por séries esta pequena tela é um dos estudos prévios (que acabaram definitivos) para outras pinturas de grandes dimensões. Régua, esquadro, perspectiva e pinceladas vagarosas fazem parte deste historial de actuar perante a tela. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Anais Nin, in “Diário”:
“A nossa vida em grande parte compõe-se de sonhos. É preciso ligá-los à acção.”

E vos deixo com a música de Tchaikovsky e a mestria do violinista Vengorov.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sorte e azar



Temos sorte e azar. Umas vezes as coisas acontecem do nosso agrado e, noutras, nada é como gostaríamos. O que fazemos contribui ou não para o desfecho feliz ou trágico da nossa história. Há de tudo na roda da vida. Perdemos e ganhamos batalhas. Afinal é uma questão de oportunidade ou da falta dela. E os dias, nesta maré contínua de coisas boas e de desilusões profundas, sucedem-se uns atrás dos outros, indiferentes ao prazer e ao desgosto. É o azar ou a sorte a bater à porta.

Esta tela, de grandes dimensões, é uma pintura que retrata um espaço interior onde a sorte e o azar estão presentes nos jogos e nas atitudes do dia-a-dia. A utilização de vários elementos formais colocados em locais previamente seleccionados, induzem a várias leituras. Um quadro não é um romance mas encerra sempre um olhar sobre a vida. Cores complementares ajudam a criar a atmosfera intimista. Régua, esquadro e compasso foram aqui utilizados nesta mistura de linhas rectas e curvas com a perspectiva renascentista presente. As cores acabam sempre por ser resultantes de lutas, até que, umas vencem as outras e, por isso, a pintura é tão aliciante. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Thomas Jefferson:

“Acredito muito na sorte; verifico que quanto mais trabalho mais a sorte me sorri.”

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Aqui e agora







Já não podemos acreditar. Acabou. Nada é como dantes. Vale tudo. A verdade de hoje é a mentira de amanhã. Podem ter boas maneiras. Podem dizer isto e aquilo. Factos são factos. As palavras valem o que valem. Os compromissos não valem nada. É assim na nossa terra.

Não resisto porque está na minha massa do sangue. Se tiver por perto uma folha e um lápis risco e risco e volto a riscar. E é assim que surgem os meus desenhos. Enquanto uns fumam ou conversam, mesmo nas mesas do restaurante, eu desenho. E desenho num ápice sem grandes preocupações estéticas nem temáticas. O prazer do riscar e de ver nascer as formas suplanta tudo. E assim nasce a minha crítica social, onde a verdade e a mentira coexistem, muitas vezes, registada nas toalhas de papel, na areia da praia, nos vidros poeirentos, em suma, em todo o lado. História da Minha Pintura.

E vos deixo com palavras extraídas de textos bíblicos, in “Jeremias 9,2”:

“ É a mentira e não a verdade que prevalece na terra.”

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Virtualidades



Inventamos. Inventamos tudo: situações, contextos e espaços. Inventamos até lugares que não existem. Existem apenas na nossa imaginação. O que é lindo e encantador para uns é, para outros, o Inferno na Terra. Coisas dos Homens. E porque inventamos tudo, a verdade das coisas é a nossa verdade. E só a nossa verdade. Por mais que digamos que não.

Esta tela representa uma cidade imaginária. Quando se viaja de avião a perspectiva do que se observa é bem diferente da realidade. Esta é, afinal, também uma ilusão. E, porque assim é, criei esta cidade virtual. Cores quentes e liberdade formal fazem a história deste quadro nascido das minhas viagens por aqui e por ali. História da Minha Pintura.

E vos deixo com as palavras de Anne Noailles:

“Nada é real, a não ser o sonho e o amor.”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os meus bancos de jardim



Quando um homem se põe a pensar num banco de jardim, tudo passa pelo pensamento. Pensamos nas coisas boas e nas outras: nas injustiças. Este mundo está cheio de gente do piorio que aparece com voz autoritária reclamando. Aqui, na nossa terra. E porque assim é, vale tudo, mesmo tudo. Gente que, deveria ser o exemplo, é o rosto da vergonha. Hoje estabelecem um acordo e amanhã já não conta. Nada vale. É assim na nossa terra. Para mal dos nossos pecados.

Esta tela é mais um banco de jardim que, como todos os bancos, servem para o descanso do corpo e da mente. Desta feita o enquadramento é diferente daquilo que faço mas, como se sabe, gosto de ir por aí, na descoberta de novos caminhos estéticos. Perspectiva na concepção do desenho e uma mescla de cores na feitura das tonalidades fazem a história desta pequena obra que nasceu como estudo prévio. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Henri Lacordaire:

“Pensar é mover-se no infinito.”