

Todos os dias registamos acontecimentos. Quase todos são meras repetições de actos banais e quotidianos, porém, de vez em quando, surge algo de diferente que quebra a monotonia do viver e dos dias. Ora são boas notícias, ora deixam-nos tristes e angustiados. E tudo porque a ordem das coisas se altera e, perto ou longe das situações, elas acabam por nos perturbar e nos envolver, ou não vivêssemos, cada vez mais, na aldeia global que a todos aproxima embora ninguém conheça ninguém. Infelizmente.
Estes desenhos foram feitos num ápice, e são meros registos nascidos da necessidade viciante de registar formas. Aqui optei pela figuração com a arbitrariedade das cores e do gesto expressivo. Como acontece muito ao comprar um bloco, não descanso enquanto não o termino, donde, muitos desenhos são apenas breves marcas de linhas que, pouco a pouco, vão formando um todo que pode ser o ponto de partida, para uma série porque, como na vida, procuro sempre, sempre e sempre.
E vos deixo com a poesia de Eugénio de Andrade e o excerto do poema “As Palavras Interditas”:
“…Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre – procuro-te.”








