quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Jogo da vida



A vida é um jogo. Umas vezes ganhamos, outras não alcançamos o pretendido. Ganha-se e perde-se todos os dias. Ganhamos quando o emprego é certo e bem pago; a casa onde vivemos tem as condições ideais e está na sítio que idealizámos; as amizades são as que nos satisfazem e, entre muitas outras coisas, a saúde é de ferro. Perdemos quando nos sentimos moribundos sem eira nem beira; quando tudo corre mal; quando não conseguimos convencer ninguém; quando nem a saúde ajuda. E é assim com vitórias e derrotas que se vive na esperança de melhores dias. Viva 2010.

Esta pintura ( do auto-intitulado Período Açoreano ) caracterizada pela multiplicidade de elementos é o retrato do brindar e outras histórias do jogo da vida que se vive todos os dias. Para fazer esta pintura em tela juntei elementos com proporções descontextualizadas criando um ambiente de exuberância formal. Utilizei uma cor preponderante para o fundo para harmonizar a composição. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Multatuli, in “Ideias”:

“O desgosto e a alegria dependem mais do que somos do que daquilo que nos acontece.”

E porque é dia de festa vos deixo com a música de Strauss.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pensamentos





Pensamos tanto. Pensamos no que nos aconteceu, no que nos acontece e no que nos poderá acontecer. Pensamos e inventamos desejos. Pensamos naquilo que gostaríamos que tivesse sido o passado e que, o nosso presente, fosse outra coisa e, o futuro, o melhor dos sonhos. E tudo porque pensamos muito e acreditamos nos sonhos que, por serem sonhos, não passam de meras miragens que os pensamentos múltiplos nos trazem. E assim andamos. De pensamento em pensamento. De sonho em sonho.

Estas pequenas telas são meros estudos prévios. Muitas vezes faço pinturas em pequeno formato que são estudos de cor, forma e enquadramento. As grandes telas são sempre precedidas de muitos desenhos e combinação de cores em pedaços de cartão ou como aconteceu aqui em telas de 20X25 cm. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Denis Diderot:

“Os meus pensamentos são a minha perdição.”

E vos deixo com a música de Paganini e “Caprice No.24 in A Minor.”


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Balanço final



O mundo é o que é. Desigual em todo o lado. Uns vivem rodeados de bens, enquanto que outros lhes falta tudo. E porque as diferenças são tantas as lutas continuam. E assim será sempre porque nunca, mas mesmo nunca, iremos mudar. A natureza humana é capaz do melhor e do pior também. E, porque somos o que somos, em todo o lado, se vive com as alegrias e as tristezas, que nos acompanham nesta luta diária pelo desejo da felicidade que é,afinal, a utopia que transportamos até ao juízo final. É o nosso eterno fado.

Esta pintura, em tela, é um dos muitos retratos que procuram mostrar, a inquietação humana e as muitas dúvidas que nos assaltam, através da representação simples do espaço e da figura. Em termos estéticos procurei um enquadramento onde a figura humana fosse preponderante e a cor criasse uma atmosfera inquietante. Muita luta para obter os tons fazem a história desta tela. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Albert Einstein, inComo Vejo O Mundo”:

“Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos”.
E vos deixo com a música que é das coisas belas que me acompanha, todos os dias, fazendo-me esquecer o que quero esquecer. Hoje trago Edvard Grieg e Peer Gynt Suite 1 – 3".


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Raízes



Circulamos pelo planeta em busca de melhor viver. Sempre assim foi e sempre assim será. E porque viajámos tanto fomos mudando. Mudámos de religião e de cultura. E as nossas raízes perderam-se nos tempos. Defendemos e condenamos hoje valores e interesses opostos ao passado que já desconhecemos em absoluto. E cada vez mais nos distanciamos das nossas origens que circulam entre o mundo islâmico e o judaico. Quer queiramos, quer não.

Esta aguarela é uma viagem ao aparente mundo islâmico que tem uma outra visão da vida e do mundo que nós, os ocidentais, não comungamos ( e ainda bem). Aqui utilizei a transparência das cores e a linha como definidora das formas. Trabalho sempre da mesma maneira: primeiro desenho, depois preencho os espaços com as cores. A aguarela permite sobrepor cores o que cria mais tonalidades e riqueza visual através das harmonias cromáticas. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Camilo Castelo Branco:
“A civilização é a razão da igualdade”.

E vos deixo com a música de um filme que retrata parcialmente o viver judaico e que me apaixonou na minha adolescência: “ Um violinista no telhado”.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Conversas enfadonhas





Conversamos tanto. Conversamos sobre tudo e sobre nada. Conversamos do que julgamos saber e do nunca saberemos. Conversamos. Conversamos por cortesia; por afecto; por necessidade social; por vaidade; por ignorância; por convicção. Conversamos. E assim passamos o tempo em conversas enfadonhas, quantas vezes, ouvindo mil vezes, o costume. E o tempo passa entre conversas triviais e sem nexo, no entanto, pior, mas muito pior que as conversas enfadonhas, é a não conversa. Conversemos pois.

Estes desenhos são meros exercícios caricaturais das posturas sociais nas muitas conversas de coisa nenhuma que é, quantas vezes, o nosso viver. Aqui utilizei a tinta-da-china e num registo rápido construi cenários onde as muitas linhas, definidoras do meu traço, procuram identificar personagens-tipo. História da Minha Pintura.

Recordo hoje um excerto do poema “O Constante Diálogo” de Carlos Drummond de Andrade, in “Discurso da Primavera”:



“Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional o vegetal
o vegetal
o mineral
o inominado...”


E vos deixo com a música sublime de Rossini e a ópera “O Barbeiro de Sevilha” e “ Una voce poco fa” e a voz da soprano Diana Damrau.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O futuro



O Natal já lá vai. No próximo ano o ritual vai continuar o mesmo: compras, expectativas, viagens, jantares familiares e desejos de bem-estar. E agora voltamos para as lutas do costume: trabalho e mais trabalho. E assim se faz este nosso viver com emoção ( de vez em quando) e fastio ( vezes sem conta). É assim mesmo, por mais discursos e ilusões que tenhamos. Há sempre o dia seguinte depois da bonança. É o futuro que aí vem.

Esta pintura em tela, de grande formato, é o retrato de adolescentes que serão o futuro. Neles depositamos todas as nossas esperanças, anseios e expectativas para que o dia seguinte se cumpra. Quinze dias, a tempo inteiro, demorou a fazer este trabalho. Primeiro o desenho e depois a procura das cores que, como se sabe, é sempre uma grande luta, porque a pintura é distribuição harmónica de cores numa superfície. História da Minha Pintura.
Recordo hoje as palavras de Mohandas Gandhi:

“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.”

E para compreender o futuro é preciso tirar partido do passado e do melhor que ele nos deu. Hoje vos deixo com a música de Puccini e a voz de Angela Gheorghiu e “ O mio babbino caro”.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Dia de Natal





Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o norte é melhor:
Há a a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal Presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

E vos deixo neste dia com música de Natal