segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Raízes



Circulamos pelo planeta em busca de melhor viver. Sempre assim foi e sempre assim será. E porque viajámos tanto fomos mudando. Mudámos de religião e de cultura. E as nossas raízes perderam-se nos tempos. Defendemos e condenamos hoje valores e interesses opostos ao passado que já desconhecemos em absoluto. E cada vez mais nos distanciamos das nossas origens que circulam entre o mundo islâmico e o judaico. Quer queiramos, quer não.

Esta aguarela é uma viagem ao aparente mundo islâmico que tem uma outra visão da vida e do mundo que nós, os ocidentais, não comungamos ( e ainda bem). Aqui utilizei a transparência das cores e a linha como definidora das formas. Trabalho sempre da mesma maneira: primeiro desenho, depois preencho os espaços com as cores. A aguarela permite sobrepor cores o que cria mais tonalidades e riqueza visual através das harmonias cromáticas. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Camilo Castelo Branco:
“A civilização é a razão da igualdade”.

E vos deixo com a música de um filme que retrata parcialmente o viver judaico e que me apaixonou na minha adolescência: “ Um violinista no telhado”.


domingo, 27 de dezembro de 2009

Conversas enfadonhas





Conversamos tanto. Conversamos sobre tudo e sobre nada. Conversamos do que julgamos saber e do nunca saberemos. Conversamos. Conversamos por cortesia; por afecto; por necessidade social; por vaidade; por ignorância; por convicção. Conversamos. E assim passamos o tempo em conversas enfadonhas, quantas vezes, ouvindo mil vezes, o costume. E o tempo passa entre conversas triviais e sem nexo, no entanto, pior, mas muito pior que as conversas enfadonhas, é a não conversa. Conversemos pois.

Estes desenhos são meros exercícios caricaturais das posturas sociais nas muitas conversas de coisa nenhuma que é, quantas vezes, o nosso viver. Aqui utilizei a tinta-da-china e num registo rápido construi cenários onde as muitas linhas, definidoras do meu traço, procuram identificar personagens-tipo. História da Minha Pintura.

Recordo hoje um excerto do poema “O Constante Diálogo” de Carlos Drummond de Andrade, in “Discurso da Primavera”:



“Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional o vegetal
o vegetal
o mineral
o inominado...”


E vos deixo com a música sublime de Rossini e a ópera “O Barbeiro de Sevilha” e “ Una voce poco fa” e a voz da soprano Diana Damrau.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O futuro



O Natal já lá vai. No próximo ano o ritual vai continuar o mesmo: compras, expectativas, viagens, jantares familiares e desejos de bem-estar. E agora voltamos para as lutas do costume: trabalho e mais trabalho. E assim se faz este nosso viver com emoção ( de vez em quando) e fastio ( vezes sem conta). É assim mesmo, por mais discursos e ilusões que tenhamos. Há sempre o dia seguinte depois da bonança. É o futuro que aí vem.

Esta pintura em tela, de grande formato, é o retrato de adolescentes que serão o futuro. Neles depositamos todas as nossas esperanças, anseios e expectativas para que o dia seguinte se cumpra. Quinze dias, a tempo inteiro, demorou a fazer este trabalho. Primeiro o desenho e depois a procura das cores que, como se sabe, é sempre uma grande luta, porque a pintura é distribuição harmónica de cores numa superfície. História da Minha Pintura.
Recordo hoje as palavras de Mohandas Gandhi:

“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.”

E para compreender o futuro é preciso tirar partido do passado e do melhor que ele nos deu. Hoje vos deixo com a música de Puccini e a voz de Angela Gheorghiu e “ O mio babbino caro”.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Dia de Natal





Chove. É Dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o norte é melhor:
Há a a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal Presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

E vos deixo neste dia com música de Natal

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Noite de Natal



Hoje é a noite de Natal. A noite da família. A noite onde todos querem não estar sós. É a noite onde precisamos de ter a acompanhia de um familiar, de um amigo, de alguém. É a noite das prendas, dos brindes, do jantar com os mais próximos e é, também, o tempo de recordar aqueles que partiram e que deixaram tantas saudades. É, afinal, viver com os que amamos e amaremos sempre, estejam onde estiverem.

Este trabalho que fiz em 94 serviu para ilustrar umas garrafas de vinho generoso no intercâmbio entre a arte e o vinho. E foi pensando no Natal que criei estas imagens. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Thomas Jefferson:

“Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, com a minha família.”

E vos deixo com a música de Schubert que encanta sempre e sempre. Aqui Pavarotti canta “Ave Maria”.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Compras de Natal



É quase Natal. É o tempo das compras. Das prendas de Natal. É o tempo de comprar uma prendinha. Uma prendinha por obrigação; por tradição; por amor. E de amor se vive esta quadra. É, talvez, o único momento no ano em que se pensa com amor. É a música natalícia; é o espírito da quadra; é a dimensão humana que chama por nós; é a tradição; é a cultura; é o melhor de nós que renasce e nos faz pensar bem. Pensar com amor. Pensar verdade. É o Natal afinal.

Esta pintura em tela, de grandes dimensões, é o retrato do nosso mundo. O mundo dos desejos e dos afectos. Aqui tentei criar a imagem tão apelativa do desejo da posse e do melhor que há em nós: o amor dos nossos. Com as cores do costume (azuis e cinzas) procurei criar um ambiente intimista que é, afinal, o que queremos e só queremos. Para fazer esta pintura utilizei a perspectiva com dois pontos de fuga e muitos tons de azul em confronto com as cores complementares (leia-se amarelos) numa sempre luta pela harmonia das formas e das cores. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Victor Hugo, in “Monte de Pedras”:

“Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pensamentos



Fazemos coisas : umas, que todos gostam e, outras, que criam zangas, disparates e guerras. Por vezes é por estupidez, por ganância, por afirmação, por precipitação, por isto e por aquilo. O que falta é, quantas vezes, educação. E é, todos os dias, nos gestos mais simples que se prova aquilo que somos: fazendo coisas certas e erradas. Pena é que já inconscientemente se caminhe onde a liberdade é, afinal, libertinagem. Coisas do nosso tempo onde tudo se confunde. O que falta é pensar. Pensar bem antes de agir. Pensar com educação.

Esta pintura em tela é um retrato do temporal que se adivinha e que nos leva a pensar nas consequências do tempo. Mais uma vez, procurei criar um cenário onde a representação da figura humana, num agreste ambiente, é um jogo onde as cores buscam criar uma densidade dramática. As próprias formas são excessivas para acentuar a instabilidade temática. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Blaise Pascal:

“A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto consiste o princípio da moral.”