quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Noite de Natal



Hoje é a noite de Natal. A noite da família. A noite onde todos querem não estar sós. É a noite onde precisamos de ter a acompanhia de um familiar, de um amigo, de alguém. É a noite das prendas, dos brindes, do jantar com os mais próximos e é, também, o tempo de recordar aqueles que partiram e que deixaram tantas saudades. É, afinal, viver com os que amamos e amaremos sempre, estejam onde estiverem.

Este trabalho que fiz em 94 serviu para ilustrar umas garrafas de vinho generoso no intercâmbio entre a arte e o vinho. E foi pensando no Natal que criei estas imagens. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Thomas Jefferson:

“Os momentos mais felizes da minha vida foram aqueles, poucos, que pude passar em minha casa, com a minha família.”

E vos deixo com a música de Schubert que encanta sempre e sempre. Aqui Pavarotti canta “Ave Maria”.



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Compras de Natal



É quase Natal. É o tempo das compras. Das prendas de Natal. É o tempo de comprar uma prendinha. Uma prendinha por obrigação; por tradição; por amor. E de amor se vive esta quadra. É, talvez, o único momento no ano em que se pensa com amor. É a música natalícia; é o espírito da quadra; é a dimensão humana que chama por nós; é a tradição; é a cultura; é o melhor de nós que renasce e nos faz pensar bem. Pensar com amor. Pensar verdade. É o Natal afinal.

Esta pintura em tela, de grandes dimensões, é o retrato do nosso mundo. O mundo dos desejos e dos afectos. Aqui tentei criar a imagem tão apelativa do desejo da posse e do melhor que há em nós: o amor dos nossos. Com as cores do costume (azuis e cinzas) procurei criar um ambiente intimista que é, afinal, o que queremos e só queremos. Para fazer esta pintura utilizei a perspectiva com dois pontos de fuga e muitos tons de azul em confronto com as cores complementares (leia-se amarelos) numa sempre luta pela harmonia das formas e das cores. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Victor Hugo, in “Monte de Pedras”:

“Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a deixar os que amamos.”

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pensamentos



Fazemos coisas : umas, que todos gostam e, outras, que criam zangas, disparates e guerras. Por vezes é por estupidez, por ganância, por afirmação, por precipitação, por isto e por aquilo. O que falta é, quantas vezes, educação. E é, todos os dias, nos gestos mais simples que se prova aquilo que somos: fazendo coisas certas e erradas. Pena é que já inconscientemente se caminhe onde a liberdade é, afinal, libertinagem. Coisas do nosso tempo onde tudo se confunde. O que falta é pensar. Pensar bem antes de agir. Pensar com educação.

Esta pintura em tela é um retrato do temporal que se adivinha e que nos leva a pensar nas consequências do tempo. Mais uma vez, procurei criar um cenário onde a representação da figura humana, num agreste ambiente, é um jogo onde as cores buscam criar uma densidade dramática. As próprias formas são excessivas para acentuar a instabilidade temática. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Blaise Pascal:

“A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto consiste o princípio da moral.”

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A internet



A internet tem destas coisas: todos comunicam com todos. E de tanto comunicar há quem não saiba o que são os limites. Hoje têm voz activa quem nada fez, quem nada sabe, quem nada produz, quem nada merece. E assim assistimos a uns quantos que inventam conjecturas, guerras e intrigas colocando na interrogação quem fez da sua linhagem um modo ético de viver. São os novos tempos da ignorância e do mal-dizer, de uns, em confronto com quem ainda acredita que os valores maiores são e serão sempre uma questão de princípio e de vida, também, de outros.

Esta pintura é um retrato do nosso tempo, tempo em que o computador passou a ser um objecto indispensável e, para muitos, graças à internet, a comunicação possível com outros. Com uma paleta muita parca em cores, onde dominam os cinzas ( tons que me seduzem), e num enquadramento espacial contido, procurei dar a volumetria que a temática exige. História da Minha Pintura.

Recordo hoje um poema de Gonçalo Tavares, in “Investigações. Novalis”:


“Linguagem violenta: a única.
A outra é: Sedução ou Submissão.
Ou seja, o mesmo medo: recear estar só.
Quando se fala, fala-se. No alto da matéria e do espírito.”

domingo, 20 de dezembro de 2009

Antepassados



O frio chegou. E com ele novos modos de estar. Outros hábitos de conviver; de trabalhar; de andar por aí. É o Inverno que veio e voltará para o ano com as características do costume, vendo passar as sucessivas gerações. Ao contrário das pessoas que envelhecem com o tempo e morrem, as estações do ano voltam, e voltam, indiferentes a tudo e a todos. É a lei da natureza.


Este desenho dos anos 70 é um dos muitos que fui fazendo nas noites frias de Inverno enquanto ouvia as conversas dos meus antepassados e, das quais, recordo antiquíssimas memórias das vidas e das guerras. Com tinta-da-china e um aparo fazia estes registos rápidos, enquanto os meus tios-avós pacientemente me serviam de modelo. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de François Chateaubriand:
“Dá-se importância aos antepassados quando já não temos nenhum.”

E dos antepassados da humanidade trago a música de Brahms e a Valsa opus 39 N. 15,que certamente ninguém fica indiferente ouvindo tanta beleza sonora.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Acordar



“...Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca...”

Álvaro de Campos, in “Poemas”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Encontrei este desenho perdido nas muitas folhas dispersas do meu amontoado acervo. É um trabalho dos finais dos anos 70. Aqui, neste registo feito em três tempos, a tinta-da-china e um aparo grotesco exigiam rapidez de acção. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a música de Mozart aqui com as vozes de Carreras e Sumi Jo em “La ci darem la mano”.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Excessos








Há as normas; as condutas; os valores; os interesses; e há, também, a vida de todos com todos. E porque nem sempre as normas devem ser normas, nem os valores devem ser valores, nem os interesses devem ser interesses, o mundo gira e gira com excessos e mais excessos. E é preciso, quantas vezes, esquecer tudo. Tudo significa excessos que valem o que valem. Umas vezes só fazem bem, outras nem tanto. E assim aprendemos que tudo é nada e nada é tudo, de acordo com as circunstâncias.

Estes meus desenhos resultam do desejo de criar obras em que o excesso é o objectivo estético. Num país rico de artesanato em que as cores e as formas pecam por excesso, naturalmente tinha de alinhar neste jogo de crítica social. História da Minha Pintura.


Recordo hoje as palavras de François La Rochefoucauld, in “Máximas”:
“Há uma infinidade de comportamentos que parecem ridículos e cujas razões ocultas são muito sábias e muito sólidas.”