quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Seres alados



Voamos e percorremos os céus em busca do elixir. E de tanto voar pelo infinito perdemos a noção do real e, quantas vezes, nunca mais voltamos. Viajamos eternamente esquecendo o presente e vivendo do passado para o futuro. E porque nos perdemos andamos por aí ao Deus dará, inconscientes da consciência e conscientes da inconsciência. Para quê?

Esta aguarela feita para se integrar no período natalício procura, dentro da iconografia cristã, relatar os episódios da fantasmagórica alegoria do voar em busca da felicidade eterna que, como todos conscientemente sabem, não passa de balelas fundamentalistas, que o progresso científico não consegue convencer pelas certezas da ciência. Enfim, coisas da natureza humana. Aqui, procurei retratar uma panorâmica da cidade do Porto e, em simultâneo, coloquei duas personagens num jogo de cores característico do cromatismo granítico da Invicta. História da Minha Pintura.


Recordo hoje as palavras do padre António Vieira:

"Queremos ir ao céu, mas não queremos ir por onde se vai para o Céu."


E vos deixo com a música de G. F. Handel e "Sarabande".




quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os esquecidos



Conhecemos tanta gente. É na rua, é no café, é no transporte público, é na praia, é no emprego, é em todo o lado. E em todo lado esquecemos. Esquecemos quase todos. Esquecemos até aqueles que um dia foram tão próximos. Esquecemos os rostos, as vozes, os gestos. Esquecemos. Afinal, tudo não passa de episódios que o tempo, sempre o tempo, nos leva da memória.

Adoro fazer retratos. E adoro porque cada pessoa é única. Não há duas iguais. Cada um de nós tem qualquer coisa de diferente. E é o desejo de captar a singularidade que me seduz no retrato. Aqui, nesta pintura em tela formada por dois elementos, de grandes dimensões, procurei obter a essência da personalidade de cada um. Foi longo e demorado o trabalho para conseguir plasticamente obter o resultado desejado que se iniciou, como sempre, com o desenho e só depois com a luta das cores. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Thomas Fuller, in “Gnomologia”:


“Esquecemo-nos todos de muito mais do que nos lembramos."


E vos deixo com a música de Puccini e “Madame Butterfly” que, como se sabe, é uma história trágica em que o amor de mãe jamais esquece o filho perdido.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A origem





Gostamos de saber. De saber como nascem as coisas e porque nascem as coisas. É a nossa eterna curiosidade. Saber para conhecer com fundamento. Saber por bisbilhotice. Saber por fascínio. E a arte exerce esse fascínio. Fascínio pela curiosidade; pelo desejo; pela originalidade; pela criação. E, porque assim é, continua a ser a arte um meio de nos cativar e transpor para novos horizontes, na busca eterna pelos prazeres e pela incógnita da natureza humana. Felizmente.

Os meus desenhos representam contextos e cenários imaginários onde a natureza humana vive com as grandezas e misérias. Como sempre, esteja onde estiver, desenho. Desenho nas toalhas das mesas dos restaurantes, nas superfícies cheias de pó, na areia da praia, em todo o lado. O que desenho é, muitas vezes, um breve exercício de procura. De procura por formas para a pintura. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Modjir Beylaghan.
“De que serve falar quando se tem tão pouco a viver?”.


E vos deixo com a música de Edvard Grieg e a voz de Marita Solberg.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Levitação




O progresso faz milagres. As invenções não param. E todos os dias surgem novas descobertas que nos transportam para outras vivências e modos de estar. E hoje já voamos como os pássaros. E iremos percorrer novos horizontes ultrapassando as barreiras físicas, as tais barreiras que a mente, desde sempre, percorre nos sonhos do inconsciente ou nos pensamentos mais intimistas. E assim levitamos por vontade própria indiferente às descobertas e à crítica social. Ainda bem.

Esta pintura em tela, de grande formato, é um retrato onde a levitação comanda a vida, indiferente ao meio e às limitações. Este trabalho procurou retratar o modelo e em simultâneo conjugar, através das cores, a horizontalidade formal e a representação do espaço mercê de tonalidades cinzas. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras do escultor do século XIX francês Auguste Rodin:
“Eu não invento nada, eu redescubro.”

E vos deixo com Mozart e “La Ci Darem La Mano” com as vozes encantadoras de Sheryl Crow e Pavarotti.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Prazeres










Realidade e ficção misturam-se continuamente. Umas vezes viajamos com os pés bem assentes no chão. Outras, porém, saltamos de fantasia em fantasia, percorrendo este mundo e o outro, encontrando o modo certo de passar o tempo e esquecer as agruras. E entre estas duas realidades conquistamos as certezas da vida e os sonhos da fantasia. E ainda bem.


Estes desenhos que são meros esboços, em busca das primeiras ideias, procuram dar origem a pinturas cujo tratamento cromático e formal têm, naturalmente, outro acabamento e outras preocupações estéticas. Muitos destes registos dos meus blocos foram feitos nos locais menos aconselháveis, mas o desejo de desenhar é superior ao contexto. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Virgílio, in Éclogas”:

“Cada um é arrastado pelo seu prazer.”

E dos prazeres da vida a música é dos maiores e vos deixo com Mendelssohn e a mestria ao violino de Vengerov.


sábado, 12 de dezembro de 2009

A imaginação
















E. porque adoro começar o dia ouvindo as belas vozes, trago hoje a música de Verdi e a “Traviata”, aqui com o esplendor de Anna Moffo e Di Stefano.

Recordo hoje as palavras de Blaise Pascal :

“A imaginação tem todos os poderes: ela faz a beleza, a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo.”

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O princípio





Há sempre uma razão. Há sempre uma explicação. Há, afinal, o desejo de justificar o porquê das coisas, mesmo que essa análise seja um engano ou até uma mentira. O que queremos é uma palavra, uma teoria, um retrato, um historial para acreditar ou fingir acreditar que sabemos.

O princípio do meu trabalho pictórico começa com o desejo de expor uma ideia. E vou construindo primeiro mentalmente cenários e contextos. Depois as linhas do desenho vão erguendo formas e destas, após vários estudos, passo para a aguarela ou para a pintura. É assim que eu trabalho. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Séneca, in “Cartas a Lucílio”:

“As ideias belas e verdadeiras pertencem a todos.”

E vos deixo com a música de Saint-Saens nascida de muito trabalho e de ideias geniais.