
Todos os dias, mas mesmo todos os dias, eu preciso de arte. Arte significa ouvir "a minha" música, ou escrever umas palavras breves, ou vendo uma obra de arte, ou, no melhor dos casos, participar na realização de um projecto artístico. É uma necessidade tão grande quanto as outras que são comuns a todos. É a minha catarse. É a necessidade que eu tenho de dar significado à própria existência. Não imagino viver onde não se pode ouvir música, nem criar formas livremente, nem ler o que nos apetece. E quando pelos caminhos da vida o acesso à cultura e ao fruir da obra de arte não se faz, então não encontro alegria. Este sou eu.
Esta pintura é uma nítida influência do Almada Negreiros que numa belíssima tela abraça a mulher. Aqui é um pai que abraça o seu filho, num acto de ternura e de amor que, como todos sabemos, é das coisas boas da vida. Mais uma vez o exagero formal, com o intuito de realçar a própria mensagem, aqui num intrincado jogo de cores inquietantes. História da Minha Pintura.
Hoje recordo as palavras de Johann Goethe, in "Eufrosina":
"Só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem."
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E vos deixo com a maravilha da música de Rimsky- Korsakoff em "Canão da Arábia".






