segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Viagens








Viajamos. Viajamos todos. Viajamos percorrendo o mundo. Viajamos não saindo do nosso quintal. Viajamos ao pensar. Viajamos com os sonhos. Viajamos com os olhares. Viajamos com os desejos. Viajamos o tempo todo . Viajamos sempre. Viajamos.


Foram anos seguidos. De cá para lá. De lá para cá. Logo, muito cedo, o comboio (muitas vezes atrasado) fazia o percurso do costume, transportando as pessoas do costume. E, dessas viagens, ficaram as memórias e os registos. Fiz uma série de colagens simples com poucas cores que agora mostro. É um processo que necessita apenas de cola, uma tesoura e papéis de qualquer cor. Tudo me serve para exprimir as vivências nos contextos e nas situações mais díspares. Afinal, tanto tempo viajando deixou marcas sobre atitudes, posturas e emoções humanas que estes trabalhos procuram evidenciar. História da Minha Pintura.


Recordo hoje as palavras de Miguel Cervantes:

"Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados."

domingo, 22 de novembro de 2009

Recordar









Todos os dias vivemos episódios. Uns porque são tão iguais e diários ficam para sempre esquecidos no nosso inconsciente.Outros, porque são singulares, marcam-nos positiva ou negativamente. E, de tempos a tempos, as nossas memórias transportam-nos para esses momentos. Uma frase, uma conversa, uma fotografia, um acaso recordam-nos episódios e factos que o tempo apagou. É esse jogo de recordações que devemos manter para nos situarmos até aos instantes finais, porque se vive no presente, pensando no futuro e nunca esquecendo o passado.


Estes desenhos esquecidos no tempo e descobertos pelo acaso transportam-me para um espaço onde as vivências foram as que foram e que nunca mais se repetirão, excepto nas lembranças. Como desenhador compulsivo tudo me serve para constar nos meus cadernos e, desta vez, vos mostro mais um pouco de mim. Todos os meios riscadores servem para o registo e construção de formas que tanto podem ser de linhas simples ou um emaranhado de traços. Histórias da Minha Pintura.


E trago hoje uma frase de William Shakespeare:

"Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te."

E vos deixo com a música de Mozart na Sonata KV 333 in B flat Major - 1. Allegro.


sábado, 21 de novembro de 2009

Pensar



Precisamos de pensar. Pensar sempre. E pensar muito não significa, quantas vezes, pensar bem. E pensar pouco ainda é pior. É preciso saber pensar. Pensar nas questões e equacionar os diversos caminhos, tal como faz um jogador de xadrez. Pensar com o objectivo de pensar bem, logo pensando em todos os cenários possíveis. Pensar, para pensar bem, é o caminho certo. O único caminho.

Esta tela retrata aqueles momentos em que pensamos. Pensamos em nós e no mundo. Pensamos ora levianamente, ora com sentido crítico. E é num cenário junto ao mar que o contexto favorece ou não o pensamento. Com um cuidado maior nos pormenores formais e no recorte das figuras procurei, com cores suaves, transmitir tranquilidade e serenidade. História da Minha Pintura.

E vos hoje trago as palavras de Robert Musil:

“Tudo o que se pensa é afecto ou aversão.”

E vos deixo com a voz de Callas que, como sempre, me conduz a muitos pensamentos, aqui numa obra de Puccini : “Tosca”.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

As cartas de jogar



As cartas de jogar fazem as delícias de quem quer passar o tempo e de quem faz do jogo um modo de vida. Os primeiros sabem saborear o que de melhor tem o desprendimento fase ao azar e à sorte. Os segundos são os vencidos do jogo, mesmo que a emoção seja imensa e a fortuna uma roleta. Afinal, cada um escolhe o às de trunfo que quer jogar. Para o melhor e para o pior.

Nesta aguarela procurei captar a passagem do tempo através de um jogo de cartas . A pincelada muito imediata, um cromatismo ténue e uma pretensa simetria formam este conjunto. História da Minha Pintura.


Hoje recordo as palavras de Tito Lívio, in “História de Roma”:

“Quanto maior for a sorte, menos se deve acreditar nela.”

E vos deixo com Maria João Pires tocando Mozart.



quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O jogo




O jogo é uma luta em busca do triunfo .Os jogos exigem sabedoria, valentia, sorte, dotes físicos e outros requerem, até, ousadia ou inconsciência. Em qualquer dos casos jogar é sempre aliciante e, por ser tão aliciante, há jogos que se tornam perigosos. Perigosos pelas características em si ou, porque são viciantes e encerram o que há de pior, no entanto, jogar ou ver jogar é um prazer quando nos identificamos com o palco da acção. E a vida é um jogo. O maior deles.

Esta tela retrata um jogo, hoje esquecido pelas modernidades e pelos apelos a outros modos de apostar e ter emoções fortes. O processo construtivo desta pintura teve inicialmente um desenho muito geométrico para equilibrar os diferentes elementos formais e as cores são as do costume: cinzas e azuis salpicados de verdes. Cores frias como gosto. História da Minha Pintura.

E vos deixo com um texto hebraico:

"Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória."


E vos deixo com a voz, da recém falecida, Mercedes Sosa uma lutadora no jogo da vida.



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A velhice




A velhice é a última etapa da vida; é o culminar de um percurso; é o aproximar do fim da própria vida; é esperar pelo dia final; é recordar o passado; é o presente sem futuro. E, porque a vida é composta por fases distintas, é das memórias que preenchemos o vazio da solidão e das fraquezas da debilidade física, tão presente nas vivências da terceira idade. E assim é, queiramos ou não, os dias finais de todos nós, porque a vida acaba um dia, mais cedo para uns, mais tarde para outros.

Esta tela do tríptico "A Vida" retrata a fase final: envelhecimento e o destino final do corpo que habita em nós. Aqui tentei transmitir a vida a dois e o recordar os mortos. As cores saturadas procuram sugerir um ambiente onde as festividades e os prazeres maiores não fazem já parte do passado. História da Minha Pintura.



Recordo hoje as palavras de François La Rochefoucauld, in "Máximas":

"Poucas pessoas sabem envelhecer."

E ao deixar-vos hoje, não deixem de ouvir, de novo, a música de Joshua Bell tocando com o seu violino "Ave Maria".




terça-feira, 17 de novembro de 2009

Adultos




Na vida, nas nossas vidas, vivemos bons e maus momentos. Momentos de solidão e de comunhão. Comunhão de afectos e de entrega. E são essas vivências das descobertas do prazer físico que nos identficam com a idade adulta. É a independência dos actos; é a liberdade do estar; é a vida sentida como nossa. E porque temos de responder por nós, momentos há de profundo desencanto e de imensa alegria. É este jogo de ter e não ter que vivemos, todos os dias, com o dever da responsabilidade assumida ou não, até aos dias finais. É assim. É o preço a pagar porque queremos ser independentes.


Esta tela, do tríptico "AVida" é um visão pictórica de um espaço interior e exterior onde se disfruta do olhar sobre a privacidade e da importância ou não dos bens materiais no contexto das vidas de cada um. Para harmonizar as três telas procurei criar uma cor e uma luz numa conjugação formal que fosse sugestiva da temática em causa. História da Minha Pintura.


Hoje trago as palavras de Henri Amiel, in "Diário Íntimo":

"Aparece, desaparece: é toda a história de um homem, tal como a do mundo ou a de um micróbio."

E vos deixo com a voz de Marlene Dietrich que fez as delícias dos soldados na 2ª Guerra Mundial.