quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O jogo




O jogo é uma luta em busca do triunfo .Os jogos exigem sabedoria, valentia, sorte, dotes físicos e outros requerem, até, ousadia ou inconsciência. Em qualquer dos casos jogar é sempre aliciante e, por ser tão aliciante, há jogos que se tornam perigosos. Perigosos pelas características em si ou, porque são viciantes e encerram o que há de pior, no entanto, jogar ou ver jogar é um prazer quando nos identificamos com o palco da acção. E a vida é um jogo. O maior deles.

Esta tela retrata um jogo, hoje esquecido pelas modernidades e pelos apelos a outros modos de apostar e ter emoções fortes. O processo construtivo desta pintura teve inicialmente um desenho muito geométrico para equilibrar os diferentes elementos formais e as cores são as do costume: cinzas e azuis salpicados de verdes. Cores frias como gosto. História da Minha Pintura.

E vos deixo com um texto hebraico:

"Quem abandona a luta não poderá nunca saborear o gosto de uma vitória."


E vos deixo com a voz, da recém falecida, Mercedes Sosa uma lutadora no jogo da vida.



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A velhice




A velhice é a última etapa da vida; é o culminar de um percurso; é o aproximar do fim da própria vida; é esperar pelo dia final; é recordar o passado; é o presente sem futuro. E, porque a vida é composta por fases distintas, é das memórias que preenchemos o vazio da solidão e das fraquezas da debilidade física, tão presente nas vivências da terceira idade. E assim é, queiramos ou não, os dias finais de todos nós, porque a vida acaba um dia, mais cedo para uns, mais tarde para outros.

Esta tela do tríptico "A Vida" retrata a fase final: envelhecimento e o destino final do corpo que habita em nós. Aqui tentei transmitir a vida a dois e o recordar os mortos. As cores saturadas procuram sugerir um ambiente onde as festividades e os prazeres maiores não fazem já parte do passado. História da Minha Pintura.



Recordo hoje as palavras de François La Rochefoucauld, in "Máximas":

"Poucas pessoas sabem envelhecer."

E ao deixar-vos hoje, não deixem de ouvir, de novo, a música de Joshua Bell tocando com o seu violino "Ave Maria".




terça-feira, 17 de novembro de 2009

Adultos




Na vida, nas nossas vidas, vivemos bons e maus momentos. Momentos de solidão e de comunhão. Comunhão de afectos e de entrega. E são essas vivências das descobertas do prazer físico que nos identficam com a idade adulta. É a independência dos actos; é a liberdade do estar; é a vida sentida como nossa. E porque temos de responder por nós, momentos há de profundo desencanto e de imensa alegria. É este jogo de ter e não ter que vivemos, todos os dias, com o dever da responsabilidade assumida ou não, até aos dias finais. É assim. É o preço a pagar porque queremos ser independentes.


Esta tela, do tríptico "AVida" é um visão pictórica de um espaço interior e exterior onde se disfruta do olhar sobre a privacidade e da importância ou não dos bens materiais no contexto das vidas de cada um. Para harmonizar as três telas procurei criar uma cor e uma luz numa conjugação formal que fosse sugestiva da temática em causa. História da Minha Pintura.


Hoje trago as palavras de Henri Amiel, in "Diário Íntimo":

"Aparece, desaparece: é toda a história de um homem, tal como a do mundo ou a de um micróbio."

E vos deixo com a voz de Marlene Dietrich que fez as delícias dos soldados na 2ª Guerra Mundial.



segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A infância



Há momentos mágicos. Momentos únicos. Momentos de amor profundo. Momentos belos como nenhum outro. Momentos que valem o melhor dos mundos. Momentos que não trocamos por nada. Momentos de amor verdadeiro, e, esses momentos existem quando nasce uma criança - a nossa criança. Quando nasce a nossa criança é sempre um momento mágico. É, deve ser, um momento de amor, de felicidade, de realização, de paz, porque é a nossa criança. Porque é um pouco de nós. Porque é o nosso futuro. Porque somos nós projectados infinitamente no espaço e no tempo. Porque é mágico amar uma criança: a nossa criança, porque é nossa. Nossa. Eternamente nossa.

Esta tela, que faz parte do tríptico " A Vida", procura retratar um dos muitos momentos mágicos da nossa vida. Com o ambiente caracterizador do desenvolvimento tecnológico e cultural, procurei, situar no espaço e no tempo, comportamentos e atitudes familiares onde impera o amor e a felicidade. Cores e contextos formais assinalam o espírito da mensagem pictórica. História da minha Pintura.

Hoje recordei-me das palavras de Camilo Castelo Branco:

"A infância é a estação das crenças, dos temores e das superstições."


E vos deixo com a mestria de Joshua Bell em "Estrellita."


domingo, 15 de novembro de 2009

A vida



Nascemos, vamos mudando e morremos. Entre o início e o fim acontecem episódios, histórias, recordações, e muitas mudanças. E o ciclo da vida repete-se de geração em geração, através do tempo. E continuamos sabendo ou não, tirar partido do viver. Uns constroem novos mundos. Outros destroem o que duramente tantos edificaram. E assim continuamos com glória e desgraça, sabendo todos que o futuro é sempre um fechar de olhos definitivo, quer sejamos crentes, ou não, desta ou daquela maneira de olhar o nosso destino. É a vida. De todos nós.


Esta pintura, de grande formato, é um tríptico que, procura, talvez, excessivamente, num discurso narrativo ilustrar a nossa vida desde o berço à sepultura. Não serei eu a pessoa indicada para dissecar esta minha pintura que, como todas as outras, é o meu olhar sobre o significado e a importância de cada um neste mundo, onde uns vivem e, outros, sobrevivem. Tecnicamente, procurei criar três momentos diferentes não mudando as cores em cada painel para obter uma leitura mais homogénea. Interior e exterior representados em simultâneo com luzes, sombras e cores muito fortes procuram também sugerir espaços profundos. História da Minha Pintura.


Recordo hoje as palavras de Michel Montaigne:

"A nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito."


E vos deixo com a música de Beethoven: "Sonata ao Luar", aqui interpretado por Vladimir Horowitz no 3º movimento.



sábado, 14 de novembro de 2009

As nossas coisas




As nossas coisas valem muito e nada valem. Valem pelo significado. Pelas memórias. Pela importância que cada um lhes dá. E nada valem em contextos diferentes. Nada dizem a tantos outros e, no entanto, são, quantas vezes, os nossos tesouros, aqueles que verdadeiramente nos agarram e nos dão momentos de alegria e de felicidade. As nossas coisas.

Esta tela de longa data, do período “boteriano”, procura ser um retrato de uma das muitas casas que enchemos com as nossas coisas que, valem o que valem. Cores fortes e complementares num desenho excessivo nas formas, fazem parte deste meu testemunho intimista. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a poesia de António José Queirós:

Saudade

“ Há um mistério escondido no teu nome,
nesse nome fecundo e magoado
que convoca a incurável lembrança
gangrenada pela ausência de quem parte.

Numa íntima e infinita melancolia,
que às vezes se prolonga até às lágrimas,
a noite amanhece sofrida e impaciente
À espera que o tempo se cumpra na memória.

Da ruína que fica resta o silêncio,
A liturgia torturada e muda do remorso.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Casas vazias



Andamos de um lado para o outro em busca de uma vida melhor. E ao mudar os trapos e as loiças levamos um pouco de nós e mudamos também. Novos hábitos, novas rotinas, novas situações exigem posturas e desafios diferentes. E eternamente andamos de um lado para o outro. Umas vezes acertamos, outras, nem por isso. É o preço da aventura que pagamos com as mudanças de cá para lá, e de lá para cá. É assim. É assim mesmo.


Esta pintura em tela é um espaço que está vazio, talvez pelas mudanças que nos levam para todo o lado, e, para lado nenhum. Aqui, nesta série, utilizava a perspectiva bem marcada e, também, como sempre, procurei construir um espaço onde a cor fosse um espelho do ambiente. História da Minha Pintura.


Hoje recordo um excerto do poema "Casa Abandonada" de Francisco Bugalho, in "Margens":

" Minha saudade não larga
Certa casa abandonada.
E sinto, na boca, amarga,
Essa lágrima chorada
Quando a deixei..."