segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A infância



Há momentos mágicos. Momentos únicos. Momentos de amor profundo. Momentos belos como nenhum outro. Momentos que valem o melhor dos mundos. Momentos que não trocamos por nada. Momentos de amor verdadeiro, e, esses momentos existem quando nasce uma criança - a nossa criança. Quando nasce a nossa criança é sempre um momento mágico. É, deve ser, um momento de amor, de felicidade, de realização, de paz, porque é a nossa criança. Porque é um pouco de nós. Porque é o nosso futuro. Porque somos nós projectados infinitamente no espaço e no tempo. Porque é mágico amar uma criança: a nossa criança, porque é nossa. Nossa. Eternamente nossa.

Esta tela, que faz parte do tríptico " A Vida", procura retratar um dos muitos momentos mágicos da nossa vida. Com o ambiente caracterizador do desenvolvimento tecnológico e cultural, procurei, situar no espaço e no tempo, comportamentos e atitudes familiares onde impera o amor e a felicidade. Cores e contextos formais assinalam o espírito da mensagem pictórica. História da minha Pintura.

Hoje recordei-me das palavras de Camilo Castelo Branco:

"A infância é a estação das crenças, dos temores e das superstições."


E vos deixo com a mestria de Joshua Bell em "Estrellita."


domingo, 15 de novembro de 2009

A vida



Nascemos, vamos mudando e morremos. Entre o início e o fim acontecem episódios, histórias, recordações, e muitas mudanças. E o ciclo da vida repete-se de geração em geração, através do tempo. E continuamos sabendo ou não, tirar partido do viver. Uns constroem novos mundos. Outros destroem o que duramente tantos edificaram. E assim continuamos com glória e desgraça, sabendo todos que o futuro é sempre um fechar de olhos definitivo, quer sejamos crentes, ou não, desta ou daquela maneira de olhar o nosso destino. É a vida. De todos nós.


Esta pintura, de grande formato, é um tríptico que, procura, talvez, excessivamente, num discurso narrativo ilustrar a nossa vida desde o berço à sepultura. Não serei eu a pessoa indicada para dissecar esta minha pintura que, como todas as outras, é o meu olhar sobre o significado e a importância de cada um neste mundo, onde uns vivem e, outros, sobrevivem. Tecnicamente, procurei criar três momentos diferentes não mudando as cores em cada painel para obter uma leitura mais homogénea. Interior e exterior representados em simultâneo com luzes, sombras e cores muito fortes procuram também sugerir espaços profundos. História da Minha Pintura.


Recordo hoje as palavras de Michel Montaigne:

"A nossa grande e gloriosa obra-prima é viver a propósito."


E vos deixo com a música de Beethoven: "Sonata ao Luar", aqui interpretado por Vladimir Horowitz no 3º movimento.



sábado, 14 de novembro de 2009

As nossas coisas




As nossas coisas valem muito e nada valem. Valem pelo significado. Pelas memórias. Pela importância que cada um lhes dá. E nada valem em contextos diferentes. Nada dizem a tantos outros e, no entanto, são, quantas vezes, os nossos tesouros, aqueles que verdadeiramente nos agarram e nos dão momentos de alegria e de felicidade. As nossas coisas.

Esta tela de longa data, do período “boteriano”, procura ser um retrato de uma das muitas casas que enchemos com as nossas coisas que, valem o que valem. Cores fortes e complementares num desenho excessivo nas formas, fazem parte deste meu testemunho intimista. História da Minha Pintura.

E vos deixo com a poesia de António José Queirós:

Saudade

“ Há um mistério escondido no teu nome,
nesse nome fecundo e magoado
que convoca a incurável lembrança
gangrenada pela ausência de quem parte.

Numa íntima e infinita melancolia,
que às vezes se prolonga até às lágrimas,
a noite amanhece sofrida e impaciente
À espera que o tempo se cumpra na memória.

Da ruína que fica resta o silêncio,
A liturgia torturada e muda do remorso.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Casas vazias



Andamos de um lado para o outro em busca de uma vida melhor. E ao mudar os trapos e as loiças levamos um pouco de nós e mudamos também. Novos hábitos, novas rotinas, novas situações exigem posturas e desafios diferentes. E eternamente andamos de um lado para o outro. Umas vezes acertamos, outras, nem por isso. É o preço da aventura que pagamos com as mudanças de cá para lá, e de lá para cá. É assim. É assim mesmo.


Esta pintura em tela é um espaço que está vazio, talvez pelas mudanças que nos levam para todo o lado, e, para lado nenhum. Aqui, nesta série, utilizava a perspectiva bem marcada e, também, como sempre, procurei construir um espaço onde a cor fosse um espelho do ambiente. História da Minha Pintura.


Hoje recordo um excerto do poema "Casa Abandonada" de Francisco Bugalho, in "Margens":

" Minha saudade não larga
Certa casa abandonada.
E sinto, na boca, amarga,
Essa lágrima chorada
Quando a deixei..."

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Conversas silenciosas



É mesmo assim. Não é preciso falar muito. Longos silêncios dizem tudo. É como vivemos, tantas vezes. Conversamos sem dizer nada. Dizemos tanto, nada dizendo.

Esta tela procurou ser o retrato dos diálogos silenciosos que tanto dizem, nada dizendo ou, dizendo tudo, sem nada dizerem. Nesta tela procurei captar um espaço interior onde cada forma, cada objecto, fosse importante no minimalismo da composição. História da Minha Pintura.

E trago hoje as palavras de Paul Claudel:

"As grandes verdades só se comunicam através do silêncio."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Retratar



Olhamos e julgamos, os outros, continuamente. Fazemos juízos sobre quem nos cerca. Conhecidos ou não. E julgamos muito pela aparência. Pelo olhar. Pelo rosto. E criticamos bem e mal. Uns pela pose, pelo trajar, pelo contexto merecem uma apreciação. Outros, porque estão longe dos nossos interesses, são quase invisíveis, mesmo ali ao pé de nós. E é assim que elogiamos ou destronamos os outros, segundo os retratos que fazemos, olhando. E olhamos todos os dias...

Esta pintura em tela é mais um dos meus retratos que, como todos os outros, buscam a semelhança com o modelo e a sua análise psicológica. O olhar escondido é uma forma que mais procuro quando faço o retrato de alguém. É, nos olhares "perdidos" que está muito de nós e que eu procuro sempre. História da Minha Pintura.

Recordo hoje as palavras de Oscar Wilde:

"Um retrato pintado com a alma é um retrato, não do modelo mas do artista."

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O silêncio



Casas cheias e silêncios profundos são espaços onde mora a inquietação e a angústia. São as nossas casas. Cheias de tudo. Cheias de bens materiais e tão parcas em afectos. Algumas delas até são palácios. Palácios vazios. Vazios de gente. De gente com alma. De gente com vontade de viver alegremente. De viver com a alegria dos prazeres mundanos e o aconchego dos laços. Mas, mas hoje as casas cheias são bem diferentes. Diferentes. Diferentes em tudo. É o nosso tempo. É a nossa sina.


Esta pintura em tela é o retrato de um espaço cheio mas, onde falta gente, neste mundo de tanta solidão. É mais um recanto onde a luz invade a intimidade de uma casa. Aqui cores e formas procuram acentuar o espaço. História da Minha Pintura.


E vos deixo, hoje, com as palavras de Camilo Castelo Branco:

"O silêncio é uma confissão."