sábado, 31 de outubro de 2009

Contos de fadas




Há o mundo real. O nosso mundo. O mundo das rotinas; das guerras; das golpadas; das intrigas; do faz de conta; dos dias felizes; dos tristes dias; disto e daquilo. Há, também, o mundo da fantasia e da fuga, ou seja, o mundo da imaginação e do sonho: mundo dos castelos com os príncipes e princesas eternamente felizes e belos; dos jardins floridos, dos amores infinitos. Enfim, contos de fadas para esquecer o mundo real. O nosso mundo.

Esta aguarela é um passeio pelo sonho do mundo irreal que todos gostaríamos de viver, todos os dias. Este trabalho, feito na série dos “Jardins Alados”, procura, com minúcia e quase pontilhismo formal, numa exuberância cromática, criar um ambiente muito próprio. História da Minha Pintura.

Hoje lembrei-me das palavras de Pascal Blaise:

“A imaginação tem todos os poderes: ela faz a justiça, e a felicidade, que são os maiores poderes do mundo.”

E vos deixo com a música de Tchaikovsky e o bailado “Quebra-nozes” que a todos encanta pela beleza, suavidade, elegância e fantasia.



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Os olhos do pintor



Os olhos dizem tudo. Dizem quando estamos bem. Dizem quando tudo está mal. Eles reflectem as nossas emoções. Caracterizam-nos. Identificam-nos. São eles a nossa verdade. Não mentem. Põem-nos a descoberto. Basta saber olhar e eles dizem tudo. Tudo mesmo.

Muitos foram os artistas que deixaram os seus olhares expressos nos auto-retratos, basta ver as belas pinturas de Miró, Lucian Freud, Gilbert & George, Almada Negreiros e Andy Warhol. Actualmente, com as novas tecnologias, há processos de mostrar, divulgar e propagar a imagem e o cultivo do nome e da obra. Este blog procura também ter essa função. Histórias da Minha Pintura.

Hoje recordo as palavras de Blaise Pascal: “Os olhos são os intérpretes do coração.”

E vos deixo com uma canção, em homenagem à minha mãe: “Olhos Castanhos”e a voz de Francisco José.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bancos de jardim



Os jovens, porque são jovens, procuram o espaço no jardim romântico para o aconchego dos primeiros amores que são sempre tão doces e memoráveis eternamente. E porque a vida é feita de episódios felizes e outros não, o banco de jardim é, por excelência, o melhor local do mundo para recordar, in loco, episódios vividos por todos nós.

Esta aguarela procura retratar o sentir de um jardim que, como todos os jardins, tem as suas histórias. Aqui, num trabalho feito para ilustrar a temática do amor, escolhi como referentes a natureza, a fonte, o gato e os jovens. Mais uma vez, procurei, criar, plasticamente, um ambiente de intimidade pública, com as cores e as formas que me são familiares. Histórias da Minha Pintura.


Recordo as palavras de hoje François La Rochefoucauld:
"O prazer do amor é apenas amar e sentirmo-nos mais felizes pela paixão que sentimos do que pela que inspiramos. "

E vos deixo com uma voz de Anna Netrebko cantando "Je veux vivre" da Ópera de Gonoud: "Romeu e Julieta"que, como se sabe, acabou em tragédia.



quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Jardim




Descobrimos o jardim. É o espaço da tranquilidade; do repouso; da paisagem floral; dos caminhos do namoro; da fuga ao rebuliço; dos petizes. E é aqui, também, que gostamos de saborear o devaneio do pensar; ora vamos por caminhos serenos e sensatos; ora imaginamos circuitos fantasmagóricos. E assim passamos o tempo dos registos breves e fátuos deste nosso deambular, nesta vida de canseiras.

Esta tela procura captar os modos de estar num jardim numa tarde de Verão que, como todas as tardes quentes, convidam ao repouso. Observador do meu mundo circundante procurei, aqui, conjugar as cores típicas do espaço e, mais uma vez, usar a perspectiva para sugerir a profundidade do espaço. Histórias da Minha Pintura.

Recordo as palavras de Jean La Bruyère:

“ A natureza é apenas para quem vive no campo.”

E remato com o som da harpa que me fascina sempre, aqui com a mestria de Xavier de Maistre que toca" Moldau "de Smetana.



terça-feira, 27 de outubro de 2009

A nossa casinha




É o nosso espaço. É o nosso lar. É o nosso abrigo. É aqui entre paredes que vivemos, ora rodeados de mordomias, ora comendo o pão que o Diabo amassou. Quer num caso, quer noutro, é o nosso espaço que nos liberta ou oprime. E assim vivemos, felizes, com muito ou pouco e, infelizes, com tanto ou tão pouco, entre paredes da nossa casinha. É a vida. De todos. Pobres e ricos.

Esta pintura retrata uma casa num espaço paradisíaco onde o bem-estar nem sempre é sinónimo de felicidade. Mais uma vez, procurei, nesta pintura, como em todas as outras, criar uma imagem que fosse a expressão do sentir e do desejo. Em termos técnicos a sugestão da volumetria e do espaço é feita através da combinação da perspectiva e das tonalidades cromáticas.Histórias da Minha Pintura.

Recordo hoje um excerto do poema “A Nossa Casa” de Florbela Espanca, in “Charneca em Flor”:

“…Onde está ela, amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?...”


E vos deixo com a música de Massenet e a obra “Meditação de Thais” que nos dá a tranquilidade e o encanto que todos desejam ao regressar a casa, aqui com a mestria ao violino de Anne-Sophie Mutter.



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quarto




É o nosso último retiro de todos os dias. É o espaço onde encontramos o outro lado do viver: o dormir. É neste espaço de intimidade que repousamos e cultivamos desejos, encantos ou tormentas. E por aqui ficamos, uma boa parte da vida, entregues ao devaneio dos sonhos e dos prazeres ou da falta deles. E todos os dias o retiro espera por nós. Até ao juízo final.

Esta tela já de 97 é um deambular sobre o espaço que reservamos para os nossos sonhos profundos. Como sempre, gosto de experimentar novas buscas, e aqui, o desejo de retratar um espaço, através de uma geometria com dois pontos de fuga e um conjunto de poucas cores, é a característica dominante deste ambiente de pinceladas rápidas e contidas. Histórias da Minha Pintura.

Recordo as palavras, contundentes mas tão realistas, de Marlene Dietriche:

“Dormir a sós é muito solitário, crianças que o digam. Se possível, durma com alguém que você ama. Vocês recarregarão mutuamente as baterias, e sem custos.”

E vos deixo com a admirável voz de Andreas Schools cantando Bach em “Erbarme dich”.


domingo, 25 de outubro de 2009

Expor





Expor é mostrar aos outros para que pensem bem de nós, do nosso trabalho, das nossas capacidades. É verdade. É mesmo assim. E mostramos o que julgamos merecer ser mostrado. E ao mostrar outros juízos nos julgam . Uns consideramos correctos, outros, talvez mais realistas, são críticas que nos magoam, porque nos avaliam com outros olhos. Entre pareceres diferentes cabe continuar no caminho que construímos. Para o melhor ou para o pior.

Estes retratos feitos em 2003 são parte de um vasto leque de pinturas, em tela, de pessoas que, nesse tempo, fizeram parte do meu universo pessoal. Estes trabalhos foram feitos após um cuidado estudo da pose. Aqui, nesta série, a preocupação dominante foi tentar retratar o mais fiel as personagens e esbater o espaço. Histórias da Minha Pintura.

E recordo um excerto do poema “Sou Eu” de Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa), in “Poemas”:

Sou Eu
“Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu…”


E vos deixo com a música de Tchaikovsky e a interpretação ao violino de Anne-Sophie Mutter no Concerto de Violino, 3º movimento.