quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não



Não
Não podemos mudar o ciclo da vida.
Não podemos continuar a desejar o que já não faz parte da realidade tal como ela é.
Não podemos ambicionar este mundo e o outro, esquecendo tudo e todos.
Não podemos fechar os olhos e não ver o que se passa.
Não podemos.
Não, não; não podemos.

Esta pintura é o retrato das muitas fugas que podemos ter, lendo o que outros escreveram de contextos e cenários, que nos transportam para horizontes longínquos. Mais uma vez, num ambiente rural, a representação desta temática procura, num jogo inquietante de cores, sugerir um espaço bucólico e aparentemente aprazível, em que a geometria busca a ilusão do espaço. Histórias da Minha Pintura.

O escritor italiano Corrado Alvaro (1895-1956) disse, in “Il nostro tempo e la speranza”:

“O homem não se conhece o suficiente para medir aquilo de que precisa.”


E vos deixo com a música de Gaetano Donizetti em “Lucia di Lammermoor” e “Il dolce suono” com Joan Sutherland em 1959. Esta ópera, como as demais, é um intrigado enredo de tragédias que, como na vida e na arte, nos envolvem.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Porto




A Cidade Invicta seduz quem a vê e contacta com as suas gentes; é a atmosfera tão intimista; é a herança cultural; é o passado tão presente; é o granito que preenche a arquitectura; é o rio; é a pronúncia; é o bairrismo; é o S. João tão carismático; é o ser português que se sente a cada esquina; é a beleza e o colorido dos contrastes; é tanto, tanto, tanto.

Esta tela é um olhar sobre uma varanda, tão usual na paisagem do casario portuense. Aqui procurei mostrar as cores térreas que caracterizam muitas das casas peculiares do Porto. Para fazer esta pintura utilizei instrumentos rigorosos, como sejam a régua, o esquadro e o compasso, aliado a uma pincelada muito cuidada e morosa. Histórias da Minha Pintura.

E hoje trago um excerto do poema “ Quando Eu Sonhava”do portuense Almeida Garrett:

Quando Eu Sonhava

“Quando eu sonhava, era assim
Que nos meus sonhos a via;
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava,
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar…”


E vos deixo com uma homenagem à violoncelista portuense Guilhermina Suggia (1885-1950).


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lisboa





Lisboa encanta quem a visita; é a luz; é o rio; é o casario; é as gentes multiculturais; é o cheiro; é Alfama; é o Bairro Alto; é a Mouraria; é Belém; é este bairro e o outro; é a noite; é o fado; é a festa popular; é a sardinha; é a dimensão; é tudo afinal.

Estas duas pinturas, sobre tela, são um olhar sobre a capital que tantos ilustraram, basta pensar em Almada Negreiros, Maluda ou Elóy. Procurei, numa geometria rigorosa, captar as cores, a luz e a atmosfera de Lisboa. Histórias da Minha Pintura.

Recordo as palavras de Manuel Alegre, in “Babilónia.”

Excerto do poema Balada de Lisboa:

"Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo…”


E vos deixo com a voz e a música de Paulo de Carvalho e a letra de Ary dos Santos:

“Lisboa, menina e moça.”



domingo, 11 de outubro de 2009

É assim




É a vida dos povos. É a vida das pessoas. É a nossa vida. A vida de todos os dias. Umas vezes felizes, outras, nem tanto. É assim. Assim mesmo. Conscientes ou não, dos nossos deveres e dos nossos direitos, por cá andamos, ora edificando o nosso futuro, ora adiando, mais uma vez, novos caminhos.

Esta tela é um olhar sobre a cidade que, como todas as cidades, reflectem os nossos modos de estar e ser. Esta minha pintura surgiu do desejo de criar a concepção do espaço e da escala humana obedecendo a um rigoroso jogo métrico. Aqui, utilizando a régua e o esquadro fui edificando os elementos formais numa perspectiva centralizada. Histórias da Minha Pintura.

E recordo as palavras de Camilo Castelo Branco:

“A civilização é a razão da igualdade.”

E vos deixo com a música de George Gershwin e “Summertime”.


sábado, 10 de outubro de 2009

Cartas



Longe vão os tempos das cartas. Cartas escritas à mão e entregues pelo carteiro. Hoje nada disso acontece. Novas tecnologias deram origem a novos hábitos. E tudo mudou para sempre. Para sempre. E assim acabou a escrita à mão com a caligrafia personalizada e todo o ritual inerente. Outros tempos.

Esta tela de grandes dimensões é o retrato de uma leitura que exige, sempre, concentração para a compreensão da mensagem. Aqui, a personagem, distante de tudo e de todos, é representada numa combinação de cores rosa e com pinceladas largas e soltas, tão do meu agrado. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de Abu ShaKur, in “Primeiros Poetas Persas”:

“ O fruto de cada palavra retorna a quem a pronunciou.”

E vos deixo com a voz de Jacques Brel cantando “Mathilde”.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Interiores




A casa onde habitamos é o nosso outro lado; é o ponto de encontro diário com os nossos; é o local mais acolhedor que nos espera ao fim do dia; é onde queremos dar e receber carinho e afectos; é o espaço onde fomos edificando os nossos desejos e ambições; é, enfim, o nosso mundo rodeado de paredes. Paredes com segredos. Os nossos segredos.

Esta tela é o retrato de um pequeno espaço, onde as formas exageradas e as cores fortes pela complementaridade, procuram ilustrar um ambiente para uns aprazível, para outros, de fugir a sete pés. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de George Moore, in “The BrooK Kerish”:

“Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo.”

E vos deixo com a voz de Roberto Carlos e a canção “Nem às paredes confesso”.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Outono




Os dias agora são cinzentos. A chuva chegou e o sol que nos alegra aparece de quando em vez. É o ciclo da natureza que se repete e se renova. E por cá andamos assistindo ao ir e vir das estações. Agora é o tempo dos dias tristes e das paisagens desertas, sem as alegrias que só o Verão nos dá. A vida, no entanto, transporta consigo outros contentamentos e outros prazeres. E ainda bem que assim é. Felizmente para todos nós. Felizmente.

Esta pintura retrata esta estação onde as cores cinza dominam a tela. Aqui numa paleta restrita e numa geometria rigorosa procurei, com pinceladas vincadas, sugerir o espaço e a atmosfera inerente. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de Nicolas Boileau:

“O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos.”

E vos deixo com a música de Vivaldi em “Outono, 1º movimento”.