sábado, 10 de outubro de 2009

Cartas



Longe vão os tempos das cartas. Cartas escritas à mão e entregues pelo carteiro. Hoje nada disso acontece. Novas tecnologias deram origem a novos hábitos. E tudo mudou para sempre. Para sempre. E assim acabou a escrita à mão com a caligrafia personalizada e todo o ritual inerente. Outros tempos.

Esta tela de grandes dimensões é o retrato de uma leitura que exige, sempre, concentração para a compreensão da mensagem. Aqui, a personagem, distante de tudo e de todos, é representada numa combinação de cores rosa e com pinceladas largas e soltas, tão do meu agrado. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de Abu ShaKur, in “Primeiros Poetas Persas”:

“ O fruto de cada palavra retorna a quem a pronunciou.”

E vos deixo com a voz de Jacques Brel cantando “Mathilde”.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Interiores




A casa onde habitamos é o nosso outro lado; é o ponto de encontro diário com os nossos; é o local mais acolhedor que nos espera ao fim do dia; é onde queremos dar e receber carinho e afectos; é o espaço onde fomos edificando os nossos desejos e ambições; é, enfim, o nosso mundo rodeado de paredes. Paredes com segredos. Os nossos segredos.

Esta tela é o retrato de um pequeno espaço, onde as formas exageradas e as cores fortes pela complementaridade, procuram ilustrar um ambiente para uns aprazível, para outros, de fugir a sete pés. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de George Moore, in “The BrooK Kerish”:

“Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo.”

E vos deixo com a voz de Roberto Carlos e a canção “Nem às paredes confesso”.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Outono




Os dias agora são cinzentos. A chuva chegou e o sol que nos alegra aparece de quando em vez. É o ciclo da natureza que se repete e se renova. E por cá andamos assistindo ao ir e vir das estações. Agora é o tempo dos dias tristes e das paisagens desertas, sem as alegrias que só o Verão nos dá. A vida, no entanto, transporta consigo outros contentamentos e outros prazeres. E ainda bem que assim é. Felizmente para todos nós. Felizmente.

Esta pintura retrata esta estação onde as cores cinza dominam a tela. Aqui numa paleta restrita e numa geometria rigorosa procurei, com pinceladas vincadas, sugerir o espaço e a atmosfera inerente. Histórias da Minha Pintura.

Hoje trago as palavras de Nicolas Boileau:

“O tempo que tudo transforma, transforma também o nosso temperamento. Cada idade tem os seus prazeres, o seu espírito e os seus hábitos.”

E vos deixo com a música de Vivaldi em “Outono, 1º movimento”.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rotinas





É comum. A vida, a nossa vida, é uma rotina. Rotina que consiste em fazer e caminhar pelos sítios do costume. E de tanto repetir os mesmos gestos, as mesmas práticas, construímos a nossa rotina. Rotina que nos define. E somos assim. Somos o que a rotina, a nossa rotina, nos identifica. E dela ficamos presos. Para uns é o paraíso. Para outros é o inferno.

Esta tela é um olhar com múltiplas imagens onde, o real e o virtual, se confundem neste nosso modo estranho de vida. A paisagem é dominada pelas cores frias, muito do meu gosto. Histórias da Minha Pintura.

Hoje recordo as palavras de Anne Noailles:
“Nada é real, a não ser o sonho e o amor.”

E vos deixo, ainda, com a voz de Amália e “Estranha Forma de Vida”.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mitos




Há os que partiram e nunca partiram. Há os que ficaram e nunca ficaram. Há os ausentes sempre presentes. Há os presentes sempre ausentes. Há tantos que estão tão longe e tão perto; tão perto e tão longe; tão presentes e tão presentes; tão felizes infelizes; tão recordados e tão esquecidos. É a vida. A dos mitos também.

Esta pintura de longa data, perdida no acervo, é uma miragem pelos mitos e outras histórias do nosso tempo. Aqui, dividi o espaço colocando elementos diferenciados, numa conjugação de cores, assente numa geometria rigorosa e num caos visual. Histórias da Minha Pintura.

Recordo hoje a poesia de Ary dos Santos e o excerto do poema “Retrato de Amigo”:


“Por ti falo. E ninguém sabe. Mas eu digo
Meu irmão minha amêndoa meu amigo
Meu tropel de ternura minha casa
Meu jardim de carência minha asa…”

E vos deixo com a poesia de José Carlos Ary dos Santos e a voz de Amália nesta data triste, onde, se recorda a morte e a obra da artista que encanta com a voz, a postura e a verdade do estar.



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Não acreditamos


Sempre vivemos com interrogações e dúvidas. Sempre paira a incerteza e os receios no nosso viver. Sempre os medos nos dominam quanto ao desconhecido. Sempre tememos e temeremos sempre. E mais tememos em quem não acreditamos. E não acreditamos de quem não gostamos. Sempre assim foi. Sempre assim será. Para o melhor e para o pior.

Esta aguarela e a máscara fazem parte das memórias orientais da minha infância, vivida em terras longínquas e cheias de mistérios e muitos medos. A aguarela é o meio que encontrei, por excelência, para retratar com facilidade e em pouco tempo (a pintura em tela é agora muito demorada) a amálgama dos sentimentos e experiências vividas que, agora, aqui quero expor. Histórias da Minha Pintura.

E hoje lembrei-me de Marcel Proust, in “A Fugitiva”:

“Não é apenas a arte que põe encanto e mistério nas coisas mais insignificantes; esse mesmo poder de relacioná-las intimamente connosco é reservado também à dor.”


Hoje trago a voz de Amália que, com a sua simplicidade e verdade, encheu o coração dos portugueses e conquistou a alma deste povo.


domingo, 4 de outubro de 2009

Desenhar









Desenhar é edificar imagens que comunicam, ou não, com a nossa sensibilidade. Estes desenhos têm por tema o campo. Aqui, como toda a arte, a aparência é o caminho da sugestão. A realidade é o que nós construímos dos saberes ou da falta deles. E por cá andamos imaginando cenários e arquitectando sonhos, desejos e angústias. Com ou sem desenhos.

Hoje recordo as palavras de Joseph Joubert:
“A imaginação é a visão da alma.”

E vos deixo com a “Norma”, música de Bellini.