quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Momentos de pausa




Precisamos. Precisamos tanto. Precisamos de ter momentos. Momentos de pausa. Momentos para descansar; para pôr as ideias em ordem; para questionar; para saborear; para perceber o que está certo e errado. Precisamos. Precisamos de momentos de pausa.

Esta pintura do ano 2000 (perdida no meu acervo) é o retrato dos momentos de pausa, que todos precisamos, de quando em vez. Aqui, procurei criar um ambiente onde o espaço e a luz fossem uma referência predominante, conjugada com o leque de cores que é a essência da pintura. Histórias da Minha Pintura.

E hoje trago as palavras de Sófocles, in “Ajax”:

“ A vida mais doce é não pensar em nada.”

E vos deixo com a música de Mahler, que se refugiava de tudo e de todos para criar, para usufruir do silêncio, da solidão e dos momentos de pausa, e aqui dirigido pelo maestro venezuelano Gustavo Dudamel.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Continuar




Cada dia é um dia. Umas vezes acontecem coisas novas, outras, é o continuar dos mesmos gestos, das mesmas práticas, das mesmas esperanças, e, infelizmente, também é, quantas vezes, o fim das quimeras. Continuar deve ser o lema dos que não desistem, nunca desistem, porque a vida é feita de convicções, de desejos, de vontades. Continuar a lutar é sempre o estandarte daqueles que se recusam a ser os vencidos da vida. E a vida só tem sabor enquanto se luta e se conquista o amor e a esperança de vencer. Continuemos pois.

Estes desenhos são modos de estar num contexto que cada um define como feliz ou infeliz, de acordo com as circunstâncias e o olhar o mundo. Mais uma vez, o gostar de ver nascer formas, quase que instantâneas, leva-me a criar esta figuração, que é, afinal, um pouco de mim. Histórias da minha pintura.

E hoje lembrei-me de Luís Vaz de Camões:

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades…”

E termino com Verdi e o Coro Anvil da ópera "O Trovador".



segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O dia seguinte


Há sempre o dia seguinte. Quer queiramos ou não, quer gostemos ou não. Há o depois. E o depois significa a vitória ou a derrota dos desejos, dos sonhos, das ambições, do viver segundo ideais romanceados ou não. O dia seguinte é, afinal, o mergulhar na realidade e viver a gosto ou a contragosto, num novo cenário, tantas vezes sempre igual, e apenas diferente aos nossos olhos e aos nossos desejos.

Esta pintura sobre tela é um dos muitos momentos em que se pensa e questiona todo um viver antes e depois do dia seguinte. Com pinceladas soltas e num jogo de cores procurei colocar a luz como um elemento complementar na multiplicidade de elementos que constitui a pintura. Histórias da minha pintura.

Hoje, como tantas vezes faço, relembro um texto judaico extraído da “Máxima rabínica”:

“Todos os dias, a nossa vida recomeça de novo”.

E vos deixo com a música de Brahms, na sinfonia nº 4 (1º movimento, primeira parte) dirigido por Carlos Kleiber.



domingo, 27 de setembro de 2009

Direitos e Deveres




E por cá andamos nesta luta de Direitos e Deveres. É sempre uma enorme confusão. Para uns o que é a solução é, para outros, a origem do problema. Eternamente vamos vivendo com pareceres, dúvidas e certezas. É a nossa sina. E assim continuaremos. Com mais ou menos Direitos e certamente com mais Deveres.

Esta caricatura é um retrato do momento presente. Tantos falam e tão poucos acertam. Este desenho caricaturado é uma abordagem ao viver político. O desenho a pena é, como faço quase todos os dias, um mero exercício pelo prazer do criar formas através do desenho. Picasso também, de vez em quando, abordava a caricatura.

Relembro hoje as palavras de Alexandre Dumas (filho) que disse:

“ O dever é aquilo que exigimos dos outros.”


E vos deixo, neste dia dedicado aos nossos Direitos e Deveres com a música do compositor e organista Marcos Portugal (1762-1830)e o dueto da ópera “Le Donne Cambiate”.


sábado, 26 de setembro de 2009

Reflectir




Momentos há, que precisamos de reflectir. De pensar bem. De pôr as ideias em ordem. De serenar e deixar que o melhor de nós venha ao de cima. E ao reflectir começamos a questionar e a analisar vantagens e desvantagens do nosso pensar, que é o nosso futuro. E o nosso destino depende também de nós, até nos pequenos gestos, nas atitudes mais simples, nos actos menos reflectidos. Nós somos o futuro, que é, afinal, o modo de olhar, de estar e fazer o mundo. Como sempre.

Há frases e frases. Umas não resistem a coisa nenhuma. Outras, pelo contrário, viajam no tempo, como é a afirmação de Descartes:

“ Penso, logo existo.”

E vos deixo com uma das mais belas óperas que Amadeus Mozart criou - “ A flauta mágica”-, aqui com as vozes de Cecilia Bartoli e Bryn Terfel em Pa-pa-pa-pa. Esta figura metade pássaro, metade homem é, também, a representação dos que têm medo de tudo, e dos gulosos, tão nossos conhecidos...


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sonhar


Sonhamos todos. Umas vezes acordados, outras, a bem dormir. Quer num caso, quer no outro precisamos mesmo de sonhar. Sonhar sempre. Todos os dias. Sonhar com os desejos, impossíveis ou não. Sonhar. Nunca desistir de sonhar. Sonhar mesmo quando nos dizem que não. Sonhar acreditando nos impossíveis. Sonhar. Sonhar sempre. E lutar. Lutar pelos sonhos. Lutar sempre. Lutar sonhando. Sonhando lutando.

Esta pintura de grandes dimensões é um retrato numa tonalidade dominada pelos brancos cinza. Com pinceladas, soltas, procurei representar uma figura que sonha acordada, como acontece com todos nós.

Recordo as palavras de Victor Hugo, in “Marion Delorme”:

“As nossas quimeras são o que se parece mais connosco.”

E vos deixo com a música de Gounod e a ópera Romeu e Julieta, aqui com a voz de Anna Netrebko cantando “ Je veux vivre



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Grandes desejos


Ambicionamos sempre mais e mais. E, o mais, significa para uns, uma casinha, um emprego, uma tigela de sopa, ou, um minuto de liberdade. Mais, para outros, é um barco, uma vivenda de luxo, um aglomerado de empresas. E assim vivemos. Queremos mais e por isso lutamos tanto. Ora pela sobrevivência, ora pelo desejo empreendedor, ora pela inveja, ora pela ganância. E todos sempre infelizes, porque, como sabemos, não podemos possuir a Lua.

Esta pintura em tela, de grande formato, é um retrato onde procurei definir sensibilidade, elegância, sensualidade e o despojar dos bens materiais. Aqui, a paleta parca em cores busca, sobretudo, num contexto minimalista, a volumetria espacial e a fidelidade da retratada.

Hoje recordo as palavras de Jean de La Fontaine que disse:
“Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.”

E, termino com a música de Leopold Mozart, aqui, com sons que nos remetem para a infância, tão longe das ambições dos Homens:

“ Sinfonia Brinquedo”.