domingo, 27 de setembro de 2009

Direitos e Deveres




E por cá andamos nesta luta de Direitos e Deveres. É sempre uma enorme confusão. Para uns o que é a solução é, para outros, a origem do problema. Eternamente vamos vivendo com pareceres, dúvidas e certezas. É a nossa sina. E assim continuaremos. Com mais ou menos Direitos e certamente com mais Deveres.

Esta caricatura é um retrato do momento presente. Tantos falam e tão poucos acertam. Este desenho caricaturado é uma abordagem ao viver político. O desenho a pena é, como faço quase todos os dias, um mero exercício pelo prazer do criar formas através do desenho. Picasso também, de vez em quando, abordava a caricatura.

Relembro hoje as palavras de Alexandre Dumas (filho) que disse:

“ O dever é aquilo que exigimos dos outros.”


E vos deixo, neste dia dedicado aos nossos Direitos e Deveres com a música do compositor e organista Marcos Portugal (1762-1830)e o dueto da ópera “Le Donne Cambiate”.


sábado, 26 de setembro de 2009

Reflectir




Momentos há, que precisamos de reflectir. De pensar bem. De pôr as ideias em ordem. De serenar e deixar que o melhor de nós venha ao de cima. E ao reflectir começamos a questionar e a analisar vantagens e desvantagens do nosso pensar, que é o nosso futuro. E o nosso destino depende também de nós, até nos pequenos gestos, nas atitudes mais simples, nos actos menos reflectidos. Nós somos o futuro, que é, afinal, o modo de olhar, de estar e fazer o mundo. Como sempre.

Há frases e frases. Umas não resistem a coisa nenhuma. Outras, pelo contrário, viajam no tempo, como é a afirmação de Descartes:

“ Penso, logo existo.”

E vos deixo com uma das mais belas óperas que Amadeus Mozart criou - “ A flauta mágica”-, aqui com as vozes de Cecilia Bartoli e Bryn Terfel em Pa-pa-pa-pa. Esta figura metade pássaro, metade homem é, também, a representação dos que têm medo de tudo, e dos gulosos, tão nossos conhecidos...


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sonhar


Sonhamos todos. Umas vezes acordados, outras, a bem dormir. Quer num caso, quer no outro precisamos mesmo de sonhar. Sonhar sempre. Todos os dias. Sonhar com os desejos, impossíveis ou não. Sonhar. Nunca desistir de sonhar. Sonhar mesmo quando nos dizem que não. Sonhar acreditando nos impossíveis. Sonhar. Sonhar sempre. E lutar. Lutar pelos sonhos. Lutar sempre. Lutar sonhando. Sonhando lutando.

Esta pintura de grandes dimensões é um retrato numa tonalidade dominada pelos brancos cinza. Com pinceladas, soltas, procurei representar uma figura que sonha acordada, como acontece com todos nós.

Recordo as palavras de Victor Hugo, in “Marion Delorme”:

“As nossas quimeras são o que se parece mais connosco.”

E vos deixo com a música de Gounod e a ópera Romeu e Julieta, aqui com a voz de Anna Netrebko cantando “ Je veux vivre



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Grandes desejos


Ambicionamos sempre mais e mais. E, o mais, significa para uns, uma casinha, um emprego, uma tigela de sopa, ou, um minuto de liberdade. Mais, para outros, é um barco, uma vivenda de luxo, um aglomerado de empresas. E assim vivemos. Queremos mais e por isso lutamos tanto. Ora pela sobrevivência, ora pelo desejo empreendedor, ora pela inveja, ora pela ganância. E todos sempre infelizes, porque, como sabemos, não podemos possuir a Lua.

Esta pintura em tela, de grande formato, é um retrato onde procurei definir sensibilidade, elegância, sensualidade e o despojar dos bens materiais. Aqui, a paleta parca em cores busca, sobretudo, num contexto minimalista, a volumetria espacial e a fidelidade da retratada.

Hoje recordo as palavras de Jean de La Fontaine que disse:
“Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.”

E, termino com a música de Leopold Mozart, aqui, com sons que nos remetem para a infância, tão longe das ambições dos Homens:

“ Sinfonia Brinquedo”.



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Palavras Determinantes




Não sabemos qual o fim desta epopeia que é a vida. Cada dia é uma luta. Luta pelos desígnios que queremos. Queremos tanto. Queremos porque sabemos. Sabemos tanto. Sabemos que há caminhos que não desejamos e que não vamos por aí. Nunca iremos por aí. Nunca.

Esta colagem de várias aguarelas retrata instantes do nosso quotidiano. Pesquiso novos processos criativos e a colagem também faz parte dessa busca por outros caminhos, que me levam não sei para onde, sei, felizmente, por onde não quero ir. Histórias da minha pintura.

Como sempre, nos momentos de desencanto, busco forças recorrendo aos que me inspiram. E vos deixo com a voz de João Villaret recitando a poesia de José Régio:

“…Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!”


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mudar



Como mudamos. Mudamos mesmo. Mudamos tanto. Hoje somos outros, sendo os mesmos. Mudamos as amizades, os sonhos, os desejos, os afectos. Mudamos quase tudo. Mudamos. E mudamos para melhor e até para pior. Mudamos com o saber acumulado da vida, o que é bom. E é mau quando não temos ambições (quantas delas absurdas) do passado. E andamos assim. Mudando e mudando ora com rumo ou sem ele. É a vida.

Esta imagem da aguarela e dos brinquedos retrata os sonhos, os desejos, os afectos e as mudanças. Um pintor é sempre um sonhador mesmo mudando, mudando sempre. Histórias da pintura. Da minha pintura…

Hoje recordo as palavras de Ovídio in “Metamorfose”:

“E amanhã não seremos o que fomos
nem o que somos.”